Referência: 1 CORÍNTIOS 12:1-31

INTRODUÇÃO

· A igreja de Corinto tinha sérios problemas relacionados ao culto cristão. Um deles era sobre o uso e o abuso dos dons espirituais. Esse é um problema que a igreja contemporânea enfrenta, especialmente em face da crescente inflência do pentecostalismo clássico e do movimento carismático.

· A dinâmica dos dons espirituais é um dos recursos mais poderosos que Deus providenciou para que a igreja tivesse um crescimento saudável.

· Hoje há ensinamentos bem divergentes sobre os dons:
1) Os cessacionistas;
2) Os ignorantes;
3) Os medrosos;
4) Os que advogam a contemporaneidade de todos os dons.

I. O PROBLEMA: OS DONS ESPIRITUAIS COMO SÍMBOLO DE STATUS – V. 1-12

· Há alguns estudiosos que defendem a cessação dos dons espirituais. Segundo esses estudiosos, os dons foram apenas para os tempos apostólicos. Contudo, não temos provas bíblicas, teológicas e históricas consistentes para provarmos essa posição (1 Coríntios 13:10).

· A questão essencial não é simplesmente discutir se os dons existem hoje ou não, mais qual deve ser a nossa atitude em relação aos dons. A igreja de Corinto tinha todos os dons (1:7). Nem por isso era uma igreja perfeita. Os coríntios permitiram que certos dons se tornassem símbolos de “status” espiritual, principalmente o dom de línguas.

· Falar em línguas tornou-se pomo de discórdia e desavença como ainda hoje. Então a igreja de Corinto estava em franco retrocesso, por ter feito das línguas uma maneira de medir a espiritualidade cristã.

· Hoje muitas igrejas ensinam que o dom de línguas é o sinal e a evidência do Batismo com o Espírito. Santo. Por isso, Paulo exorta que os crentes não devem ser ignorantes com respeito aos dons espirituais (12:1).

· É de extrema importância que os crentes descubram, desenvolvam e usem os dons recebidos de Deus para a edificação da igreja.

1. O contraste entre o outrora e o agora – v. 2-3

· Na vida do cristão há uma distinção entre o OUTRORA e o AGORA. Os ídolos embora eram nada, mas os demônios que estavam agindo neles, conduziam e guiavam os crentes de Corinto antes da conversão deles (12:2).

· Nos cultos de mistério as pessoas entravam em transe, sendo conduzidas e guiadas por um espírito demoníaco. Os crentes de Corinto estavam querendo cultos extáticos e muitas pessoas estavam entrando em êxtase e falando coisas contraditórias com a fé como “Anátema Jesus”.

· Somente pelo Espírito Santo podemos confessar e viver uma vida comprometida com o Senhorio de Cristo (12:3).

2. O contraste entre os ídolos mudos e o Deus vivo e Triúno – v. 4-6

· Os ídolos não podem orientar nem ajudar. Eles são mudos. Os demônios que agem por meio deles violentam e destroem. Mas, em constraste o Deus vivo, triúno, capacita os crentes a viverem uma vida de serviço abnegado.

· Há aqui a menção da Trindade: o Espírito, o Senhor e Deus. Também Paulo fala de dons, serviços e realizações.

3. A natureza dos dons espirituais – v. 4-6

· Os dons têm um tríplice aspecto: São “charismata”, “diakonia” e “energémata” = dons, ministérios e obras. Com isso, Paulo fala sobre: Origem dos dons; o modo como atuam; a finalidade dos dons.

· Quanto à origem dos dons = Os dons são “chamarismata”, manifestação concreta de “charis” graça divina. A graça de Deus é a origem de todo dom. A origem dos dons nunca está no homem, mas na graça de Deus. É errado os crentes querem distrubuir os dons.

· Quanto ao seu modo de atuar = Os dons são “diaconia”, prontidão para servir. É concentrar não em mim mesmo, mas no outro. É buscar não minha auto-edificação, mas a edificação do meu próximo.

· Quanto à sua finalidade = Os dons são “energémata”, isto é, obras exteriores. A igreja é a continuação histórica da encarnação de Cristo. Somos o corpo de Cristo na terra. A finalidade do dom é a realização de alguma obra concreta, uma ajuda a alguém, a edificação da comunidade.

4. O propósito divino para os dons – v. 7

· Os dons são dados a cada membro do corpo – “a manifestação do Espírito é concedida a cada um”.

· Os dons são dados visando um fim proveitoso, ou seja, a edificação da igreja.

5. A variedade dos dons – v. 8-10

· Paulo oferece cinco listas de dons espirituais: Romanos 6:6-8; 1 Coríntios 12:8-10; 1 Coríntios 12:28; 1 Coríntios 14; Efésios 4:11-13. Não há crentes sem dom nem crente com todos os dons (12:29-31). Assim como não há membro auto-suficiente no corpo nem membro sem função. Alguns estudiosos classificaram os dons registrados em 1 Coríntios 12 como dons de pregação, dons de sinais e dons de serviço.

6. A soberania do Espírito na distribuição dos dons – v. 11

· O Espírito Santo distribui os dons a cada um, ou seja, não existe membro do corpo de Cristo sem pelo menos um dom espiritual.

· O Espírito Santo é livre e soberano na distribuição dos dons. No texto temos quatro verbos chaves que ilustram essa soberania: no verso 11, Deus distribui; no verso 18, Deus dispõe; no verso 24, Deus coordena e no verso 28 Deus estabelece. Do começo ao fim Deus está no controle.

II. A IGREJA É UM CORPO – V. 12-31

A igreja é comparada como uma família, um exército, um templo, uma noiva. Mas a figura predileta de Paulo para descrever a igreja é como um corpo. O apóstolo Paulo destaca três grandes verdades aqui:

A unidade do Corpo – v. 12-13

Paulo diz que nós confessamos o mesmo Senhor (12:1-3), dependemos do mesmo Deus (12:4-6), ministramos no mesmo corpo (12:7-11) e experimentamos o mesmo batismo (12:12-13).

Dois fatores mantém a unidade do corpo de Cristo:

1.1. O sangue – Pode ser difícil estabelecer a unidade entre meus pés, minhas mãos e meus rins. Mas o mesmo sangue alimenta estes membros e todos os outros. O sangue fornece vida aos membros e se impedirmos o sangue de chegar a alguns deles, esse morrerá rapidamente. No sentido espiritual o sangue de Cristo é o elemento que unifica o seu corpo. Ninguém entra na igreja sem ter-se apropriado primeiro da expiação, dos benefícios da morte de Cristo e do seu sangue derramado.

1.2. O Espírito – Nunca descobriremos o espírito ou a alma de uma pessoa em algum de seus órgãos, membros ou glândulas. Em certo sentido, o espírito está em todos os membros do corpo. Em relação à igreja a Bíblia diz: “Em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo” (12:13). Um membro do corpo pode ser mais cheio do que outro membro, mas nenhum membro está sem o Espírito. Ser batizado pelo Espírito significa que pertencemos ao Corpo de Cristo. Ser cheio do Espírito significa que nossos corpos pertencem a Cristo.

· A unidade da igreja não é eclesiástica nem denominacional, nem organizacional, mas espiritual. Não há unidade fora da verdade. O ecumenismo é uma conspiração ao ensino bíblico. O verdadeiro corpo de Cristo nem sempre coincide com o rol de membros das igrejas.

A diversidade do Corpo – v. 14-20

O corpo precisa ter uma grande diversidade de membros para não ser um monstro (12:14). Ilustração: Os olhos são membros bonitos e destacados do corpo. Mas como nós poderíamos viver, se nós fôssemos somente um olho azul de 75 Kg?

O corpo precisa das diversas funções dos membros para sobreviver (12:15-19). Ilustração: Meu olho faz um trabalho bom ao focalizar uma manga apetitosa. Mas para que a manga me alimente eu preciso de outros órgãos: Da Mão para pegar a manga; da boca para morder um pedaço; dos dentes para mastigá-lo; da língua para movimentá-lo na boca; da garganta para engolí-lo; do estômago para digeri-lo; do fígado para acrescentar a bilis.

Nenhum membro do corpo pode desempenhar as funções sem os outros membros. Não há cristão isolado. Vivemos no corpo. Ilustração: Se eu cortasse minha mão e a colocasse numa cadeira no outro lado da sala, ela ainda seria minha mão, mas não teria mais utilidade porque estaria separada dos outros membros do corpo.

A mutualidade do Corpo – v. 21-31

· Com respeito à mutualidade Paulo nos ensina algumas lições:

3.1. O perigo do complexo de inferioridade – v. 15-16 – Ficar ressentido por não ter este ou aquele dom espiritual é imaturidade espiritual. É culpar de Deus de falta de sabedoria. Devemos exercer nosso papel no corpo com alegria e com fidelidade. Nenhum membro da igreja deveria se comparar nem se contrastar com qualquer outro membro. Somos únicos e singulares para Deus.

3.2. O perigo do complexo de superioridade – v. 21-24 – Nenhum membro da igreja pode envaidecer-se pelos dons que recebeu. Não há espaço para orgulho no meio da igreja de Deus (1 Coríntios 4:7). Ilustração: O pastor que pediu ao seu colega para orar por ele, para que pudesse ser mais humilde. Então, o colega lhe disse: Mas você tem alguma coisa de que se orgulhar?

3.3. A necessidade da mútua cooperação – v. 25 – Os dons são dados não para competição nem para demonstração de uma pretensa espiritualidade. O dom tem como objetivo a mútua cooperação. Ilustração: O que fazer quando um membro está em necessidade? Meu paladar gosta de pimenta, mas meu estômago não. Qual é a solução? Deixei de comer pimenta. Se minha garganta está infeccionada, meu braço (que não está) sofre voluntariamente a dor da injeção de antibióticos para proteger o outro membro do corpo. Devemos transferir isso para o Corpo de Cristo.

3.4. A necessidade da empatia na alegria e na tristeza – v. 26 – Não estamos competindo, não disputando quem é o melhor, o mais talentoso, o mais dotado, o mais espiritual. Somos uma família. Somos um corpo. Devemos celebrar as vitórias uns dos outros e chorar as tristezas uns dos outros. Às vezes é mais fácil chorar com os que choram do que se alegrar com os que se alegram.

3.5. A necessidade de compreendermos que não somos completos em nós mesmos e que precisamos dos outros membros do corpo – v. 27-31 – O corpo é uno, os membros são diversos, e por isso, eles precisam cooperar uns com os outros para o bem comum. Assim também é na igreja. Não somos auto-suficientes. Dependemos uns dos outros.

CONCLUSÃO

A igreja precisa conhecer os seus dons e usá-los corretamente.
O dom é para a edificação e crescimento da igreja e não para orgulho pessoal ou divisão na igreja.

Rev. Hernandes Dias Lopes.
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