Referência: 3 João 1-15

INTRODUÇÃO

1. Na segunda carta João alerta sobre o perigo dos falsos mestres, aqui ele adverte sobre o perigo dos falsos líderes. Na segunda carta, os falsos mestres apelavam para o amor, mas negavam a verdade. Na terceira carta, o falso líder apela para a verdade, mas nega o amor. A segunda carta coloca o aspecto negativo da hospitalidade; a terceira carta o lado positivo da hospitalidade. Assim, as duas cartas devem ser lidas juntas para termos uma idéia equilibrada dessa prática.
2. Uma das palavras chaves desta terceira carta de João é a palavra TESTEMUNHO (v. 3,6,12). Ela significa não somente o que dizemos, mas também o que fazemos. Cada cristão é uma testemunha, seja boa ou má.
3. Esta carta fala sobre três homens: Gaio, Diótrefes e Demétrio (v. 1, 9, 12). Na igreja visível há salvos e perdidos. Há crentes genuínos e crentes falsos. Há os que amam a Deus e buscam a sua glória e aqueles que amam a si mesmos e estão interessados apenas na sua própria glória. Há gente que trabalha com Deus e para Deus na igreja e gente que trabalha contra Deus. Há trigo e joio. Há ovelhas e lobos. Onde há pessoas, há problemas e também possibilidade de resolver os problemas. Cada um de nós deve perguntar para si com honestidade: eu sou parte do problema ou a uma parte da solução do problema?
4. Vejamos o perfil desses três homens na igreja:

I. GAIO, UM ENCORAJADOR – V. 1-8

1. Um homem amado – v. 1-2
· O apóstolo João o chama de “amado” três vezes (v.1,2,5). Essa não era apenas uma maneira formal de se dirigir às pessoas. Ele era um homem especial. Era daquele tipo de gente que atraía as pessoas pela sua bondade, pelo seu amor, pelo seu testemunho, pela sua vida.

2. Um homem de vida espiritual saudável – v. 2
· Gaio não tinha riqueza nem saúde na mesma proporção que tinha uma vida espiritual abundante. É possível ser pobre e ser rico espiritualmente. É possível estar doente e ser rico espiritualmente.
· Devemos orar pela prosperidade financeira e pela saúde dos crentes. Saúde física é resultado de boa alimentação, exercício, limpeza, descanso apropriado e vida disciplinada. Saúde espiritual é o resultado de fatores similares. Devemos alimentar-nos com a Palavra (Jo 17:17), exercitar a piedade (1 Tm 4:6-7), guardar-nos limpos (2 Co 7:1) e evitar a contaminação do mundo (Tg 1:27). Ao mesmo tempo devemos descansar no Senhor (Mt 11:28-30).

3. Um homem de bom testemunho – v. 3-4
· Gaio era reconhecido como um homem que obedecia a Palavra de Deus e andava na verdade. As pessoas que iam visitar João davam um bom testemunho do exemplo de Gaio. Será que as pessoas que nos conhecem podem dar um bom testemunho a nosso respeito?
· Às vezes ficamos desconfortados quando alguém pergunta: “Fulado de tal é da sua igreja? Ou: Eu conheço um dos seus membros muito bem.”
· O que levou Gaio a dar um bom testemunho? A Verdade de Deus! A verdade estava nele e o havia capacitado a andar em obediência à vontade de Deus. Gaio leu a Palavra, meditou na Palavra, deleitou-se na Palavra e praticou a Palavra em sua vida diária. O que é a digestão para o corpo, a meditação é para a alma. Não é apenas suficiente ouvir e ler a Palavra. Precisamos digeri-la e fazê-la parte da nossa vida interior.
· Gaio andava na verdade e isso trouxe grande alegria a João (v. 4). Não havia dicotomia entre a profissão de fé e a prática. Havia correspondência entre o credo e a conduta, verdade e vida.

4. Um homem que exerce um ministério prático abençoador – v. 5-8
· Gaio era um ajudador da verdade – Ou seja, ele ajudava as pessoas a fazerem a obra de Deus. Você faz a obra com os pés, indo; com as suas mãos contribuindo; com os seus lábios falando e orando. Gaio abriu seu coração, seu bolso e seu lar para acolher os pregadores da Palavra de Deus.
· A segunda carta alerta para o perigo de exercer a hospitalidade com os falsos mestres (v. 7-11). A terceira carta alerta para a necessidade de hospedar e receber os pregadores fiéis da Palavra de Deus (v. 5-8). Gaio era um encorador não apenas para os domésticos da sua comunidade, mas também com os estrangeiros (Hb 13:2).
· Gaio não abriu apenas seu lar, mas ele também abriu seu coração e seu bolso para dar ajuda financeira aos seus hóspedes que pregavam a Palavra de Deus. Ele dava suporte financeiro para que outras pessoas fizessem a obra de Deus (1 Co 16:6; Tt 3:13). Nossa fé deve ser expressa por obras (Tg 2:14-16) e nosso amor por ajuda e não por palavras apenas (1 Jo 3:16-18).
· Qual é a motivação para essa prática de amor de Gaio? 1) Dar suporte aos servos de Deus honra a Deus (v. 6) – Nós nos assemelhamos a Deus quando nos sacrificamos a nós mesmos para servir aos outros. Devemos viver do modo digno de Deus para o seu inteiro agrado. Servir aos servos de Cristo é servir a Cristo (Mt 10:40; 25:34-40). 2) Dar suporte aos servos de Deus é um testemunho aos perdidos (v. 7) – Jesus ensinou claramente que os servos de Deus merecem suporte financeiro (Lc 10:7), mas esse suporte não dever vir dos incrédulos, mas do povo de Deus . Essa foi a atitude do pai da fé, Abraão (Gn 14:21-24). O argumento de João é que os missionários não deveriam receber dinheiro dos pagãos. 3) Dar suporte ou servir aos servos de Deus é obediência a Deus (v. 8a) – O ministério da hospitalidade e do suporte à obra de Deus não é somente um privilégio e uma oportunidade, mas uma obrigação. Paulo deixa esse ensino claro nas Escrituras (Gl 6:6-10; 1 Co 9:7-11; 2 Co 11:8-9; 12:13). Os missionários saíam para pregar em nome de Cristo e não tinham como se sustentar, daí a igreja precisava acolhê-los. 4) Dar suporte aos servos de Deus é tornar-se cooperador da verdade (v. 8b) – Gaio não somente recebeu a verdade e andou na verdade, mas ele também tornou-se cooperador para que a verdade chegasse a horizontes mais longínquos. Precisamos nos tornar aliados da verdade. Gaio tinha o coração e o bolso convertidos. Sua vida, seu lar, e seu dinheiro estavam a serviço do Reino de Deus. Nós precisamos de crentes como Gaio na igreja: gente que tem uma vida espiritual saudável, obediente à Palavra e que partilha o que eles têm para a proclamação da Palavra.

II. DIÓTREFES, UM DITADOR – V. 9-10

1. Diótrefes era amante dos holofotes – v. 10
· No caráter e na conduta, Diótrefes era inteiramente diferente de Gaio. Ele se ama mais do que aos outros. Jesus não ocupava a primazia na vida de Diótrefes. Por isso, ele não acolhida o apóstolo João. A rejeição possivelmente não era doutrinária, mas pessoal.
· Os motivos que governavam a conduta de Diótrefes não eram nem teológicos nem sociais nem eclesiásticos, mas morais. Ele estava ávido de posição e poder. Ele não tinha dado ouvidos às advertências de Jesus contra a ambição e desejo de domínio (Mc 10:42-45; 1 Pe 5:3).
· Diótrefes queria ser o centro das atenções. Ele olhava para João como um rival e não como um apóstolo de Cristo. Satanás estava trabalhando na igreja através de Diófrefes, porque ele estava operando sobre a base do orgulho e da auto-glorificação, as duas principais armas do diabo.
· O orgulho, a soberba é um pecado intolerável para Deus. Na igreja de Cristo todos estamos nivelados no mesmo patamar: somos servos. Não espaço para donos, para chefes, para buscar aplausos de homens. Diótrefes era um líder ditador. Ele impunha sua liderança pela força e pela intimidação. Sua vontade era lei. Ninguém podia ocupar o seu espaço. Cada pessoa que chegava na igreja era uma ameaça à sua liderança. Por isso, ele não dava acolhida a João.

2. Diótrefes era uma pessoa que gostava de projetar-se falando mal dos outros – v. 10a
· As palavras más e as obras más emanam do maligno. Diótrefes mentiu sobre o apóstolo João. Ele trazia falsas e vazias acusações contra João. Seu prazer era atentar contra a honra daqueles que eram ameaça ao seu orgulho e à sua posição de liderança. Ele cometia o pecado mais abominável para Deus: espalhar intriga entre os irmãos (Pv 6:16-19). A palavra proferindo significa falar absurdo. Não eram apenas ímpias, mas disparatadas. Ele lançava acusações maldosas e sem base.
· Diótrefes era como o rei Saul: em vez de se humilhar e mudar da vida, ele quer destruir aquele que Deus levantou para fazer a obra.
· Diótrefes fala mal de João pelas costas, quando João não estava presente para defender-se (v. 10 a).
· Nós precisamos ter cuidado para não dar guarida a tudo que ouvimos e lemos sobre boados espalhados contra os servos de Deus. Eles podem estar sendo espalhados por membros de igreja como Diótrefes.

3. Diótrefes era uma pessoa que influenciava negativamente os outros – v. 10b
· Ele não apenas não acolhia João, mas também não acolhia as pessoas ligadas a João e além disso, ele impedia que os outros membros da igreja acolhessem os enviados pelo apóstolo João. Sua influência é para o mal. Ele exerce a sua autoridade de forma doentia, usando a arma da intimidação. Exemplo: Saul matou 85 sacerdotes em Nobe e mandou matar os homens, as mulheres e as crianças simplesmente porque eles receberam Davi na cidade.
· Diótrefes era um líder controlador, manipulador, ditador. Ele quer controlar a vida das pessoas e impor a elas sua vontade autoritária.
· A mesma Bíblia que nos exorta a não ter comunhão com descrentes (2 Co 6:14-16), com hereges (Rm 16:16-19), nos ensina a acolher uns aos outros (3 Jo 8).

4. Diótrefes exercia a sua autoridade para punir aqueles que discordavam com ele – v. 10c
· “… e os expulsa da igreja”. Diótrefes não tinha nem autoridade nem base bíblica para expulsar as pessoas da igreja. A disciplina que ele praticava era abusiva. As pessoas eram disciplinadas não porque haviam desobecido a Palavra de Deus, mas porque haviam desobedecido uma ordem autoritária dele.
· A disciplina bíblica não é uma arma nas mãos de um ditador para proteger-se a si mesmo. A disciplina é uma ferramenta para uma congregação usar para promover a pureza e glorificar a Deus. A igreja não é uma delegacia. Ela não trata as pessoas com chibata. A disciplina deve ser exercida com amor.
· Os ditadores na igreja são perigosos. Eles julgam e condenam todos aqueles que discordam deles. Eles lutam não pela glória de Deus, mas pela projeção dos seus próprios nomes.
· Concluíndo, Diótrefes difamou a João, tratou com pouco caso os missionários e excomungou os crentes leais porque seu amor era a si próprio e ele queria ter a preeminência.

III. DEMÉTRIO, UM EXEMPLO – V. 11-15

1. Demétrio, um homem digno de ser imitado – v. 11
· Praticar o bem é dar prova de nascimento divino; praticar o mal é provar que a gente nunca viu a Deus. João questiona assim, a autenticidade da vida de Diótrefes.
· Quando um líder anda com Deus e vive de forma irrepreensível ele é digno de ser imitado (Fp 3:17; 1 Co 11:1). Ele tornou-se modelo, padrão, referencial. As pessoas estão olhando para nós. Eles estão nos copiando. Que tipo de crente estamos sendo? Estamos influenciando para o bem ou para o mal?

2. Demétrio, um homem que tem bom testemunho dentro e fora da igreja – v. 12
· Todos os membros da igreja conheciam Demétrio, amavam Demétrio e agradeciam a Deus pela sua consistente vida e ministério. Sua vida era exemplo para os membros da igreja. Os de fora da igreja também lhe davam bom testemunho. Sua vida era coerente. Sua família familiar, financeira, profissional era coerente com o seu testemunho.

3. Demétrio, um homem que tem bom testemunho da própria verdade – v. 12
· Como Gaio ele andou na verdade e obedeceu a verdade. A genuinidade cristã de Demétrio não precisava da prova dos homens; provava-se por si mesma. A verdade que ele professa estava encarnada nele. Isso não significa que era perfeito, mas significa que foram consistentes, buscando em tudo glorificar a Deus.

5. Demétrio, um homem que recebe bom testemunho também do apóstolo João – v. 12
· João encontra na igreja Gaio e Demétrio que estão prontos a acolhê-lo a despeito da oposição de Diótrefes. Era um homem que estava disposto a correr riscos para defender a verdade. Ele tinha coragem de assumir posições definidas na igreja.

Rev. Hernandes Dias Lopes.
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