“Porque dele, por meio dele, e para ele são todas as coisas; a ele, pois, glória pelo século dos séculos.” (Rm 11.36)

Os eruditos afirmam, e com razão, que a carta de Paulo aos Romanos é a cordilheira do Himalaia de toda a revelação bíblica. Aqui Paulo chegou à cumeeira, ao ponto culminante das Escrituras. Num texto de irretocável beleza e profundidade, o apóstolo dos gentios traça a nossa trajetória das profundezas da decadência moral às culminâncias da nossa redenção. Depois de destacar que toda a obra da redenção foi planejada soberanamente por Deus e realizada eficazmente por ele, encerra a primeira parte da epístola (capítulos 1-11) numa doxologia, onde desabotoa sua voz em torrentes de exaltação a Deus. Três verdades são destacadas.

Em primeiro lugar, Deus deve ser glorificado porque ele é o idealizador da nossa salvação (Rm 11.36a). “Por que dele…”. Nossa redenção não começa no tempo, mas na eternidade; não começa na terra, mas no céu; não começa com o homem, mas com Deus. Ele planejou a nossa salvação, e isso desde os tempos eternos. Tudo provém dele, pois ele é a fonte e a origem da nossa salvação. Tudo provém de Deus, pois nos amou com amor eterno e nos atraiu para si com cordas de amor. Ele é idealizador da nossa redenção, pois nos escolheu em Cristo, antes da fundação do mundo. O evangelho não é um caminho aberto da terra para o céu; é o caminho aberto do céu para a terra. O evangelho não é uma tentativa do homem encontrar Deus; é a decisão de Deus buscar o homem perdido. Todas as religiões do mundo são um esforço humano para agradar a Deus através de obras, ritos e sacrifícios; mas o Cristianismo é Deus tomando a iniciativa de reconciliar o homem consigo mesmo por intermédio de Cristo.

Em segundo lugar, Deus deve ser glorificado porque ele é o executor da nossa salvação (Rm 11.36b). “… e por meio dele…”. Deus não apenas planejou nossa salvação na eternidade, mas a executou na história. Para tornar eficaz seu plano eterno, o Verbo divino, Deus de Deus, luz de Deus, fez-se carne e habitou entre Deus. O unigênito do Pai, da mesma essência do Pai, esvaziou-se e assumiu a forma humana. Sendo Deus, se fez homem; sendo exaltado pelos anjos, se fez servo; sendo imaculado, se fez pecado; sendo bendito se fez maldição; sendo rico se fez pobre; sendo o autor da vida, morreu pelos nossos pecados. O homem não poderia ser o agente de sua própria salvação. Não poderia apagar as manchas de seus próprios pecados. Não poderia voltar-se para Deus por si mesmo. O homem está perdido, cego, surdo, endurecido e morto nos seus pecados. Deixado à sua própria sorte, caber-lhe-ia apenas uma condenação inexorável. Por isso, Deus sendo rico em misericórdia, amou eternamente os objetos de sua ira a ponto de dar seu Filho unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. O filho de Deus, veio ao mundo para ser nosso fiador e substituto. Deus lançou sobre ele a iniquidade de todos nós. Ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelos nossos pecados. O castigo que nos traz a paz estava sobre ele e pelas suas pisaduras foram sarados. Ele levou sobre o seu corpo, no madeiro, os nossos pecados. Ele morreu pelos nossos pecados, pagou a nossa dívida e nos reconciliou com Deus. Jesus é o novo e vivo caminho que nos conduz ao Pai.

Em terceiro lugar, Deus deve ser glorificado porque o louvor de sua glória é o propósito da nossa salvação (Rm 11.36c). “… e para ele são todas as coisas; a ele, pois, glória pelo século dos séculos”. A salvação não é uma medalha de honra ao mérito que ostentamos no campeonato da vida. Não é um troféu que levantamos no pódio da exaltação humana. Nossa salvação foi planejada, executada e consumada por Deus para que todos os remidos sejam apresentados, nos séculos vindouros, como troféus de sua graça, a fim de que Deus receba a glória pelos séculos dos séculos. Se o fim principal do homem é glorificar a Deus, o fim principal de Deus é glorificar a si mesmo, pois não existe nenhum outro propósito mais elevado e santo do que a própria exaltação de Deus, aquele que é o início, o meio e o fim de todas as coisas. Por toda a eternidade, os remidos se desdobrarão em louvor e adoração a Deus por tão grande salvação e nem mesmo assim poderão esgotar esse tributo de gratidão!

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