A gloriosa mensagem do evangelho

Referência: 1 CORÍNTIOS 2:1-16

INTRODUÇÃO:

Corinto era um dos mais importantes centros da filosofia grega. Eles davam grande importância aos grandes filósofos, pensadores e oradores. Eles gostavam de ouvir belos e rebuscados discursos.

A cidade de Corinto era também um dos maiores centros de vida licenciosa do primeiro século. Tanto a prostituição como o homossexualismo era praticado abertamente na cidade em ligação com a prática religiosa.

Além da influência filosófica na religião, havia em Corinto também os falsos apóstolos que tentavam corromper a mensagem (2 Coríntios 11:1-6).

A integridade do evangelho estava sendo comprometida em Corinto. Como está sendo comprometida hoje: 1) Um evangelho misturado com filosofia (liberalismo); 2) Um evangelho misturado com ideologias políticas (teologia da libertação); 3) Um evangelho misturado com experiencialismo heterodoxo (neo-pentecostalismo); 4) Um evangelho misturado com pragmatismo (igreja mercado).

Paulo, então, para corrigir esses problemas, expõe sobre os fundamentos básicos da mensagem do evangelho.

I. O EVANGELHO CENTRALIZA-SE NA MORTE DE CRISTO – v. 1-5

1. Paulo relembra aos coríntios o conteúdo do evangelho – v. 2
• Na capital da filosofia Paulo decide concentrar sua mensagem na cruz de Cristo. A morte de Cristo não é uma doutrina periférica, mas central no Cristianismo. A expiação, a morte substitutiva de Cristo é o ponto culminante do evangelho. A cruz aponta para a justiça de Deus e para o amor de Deus.

• A mesma cruz, que é escândalo para os judeus e loucura para os gregos é a própria essência do evangelho. Paulo não anuncia simplesmente a Jesus como o homem perfeito, o modelo de uma nova ética, o supremo mestre da espiritualidade, mas fala de Jesus crucificado. É no Cristo crucificado que se encarna a sabedoria de Deus.

• Temos visto hoje alastrar-se no Brasil um evangelho humanista, pragmático, centrado no homem (cura, prosperidade).

2. Paulo relembra aos coríntios a sua resolução de se dedicar exclusivamente ao evangelho – v. 1-2,4
• Paulo não foi a Corinto criar um fã clube, buscando glória para si mesmo (v. 1)

• Paulo vai a Corinto não expor idéias rebuscadas do pensamento humano, mas vai para anunciar o testemunho de Deus, ou seja, o evangelho (v. 1).

• Paulo toma uma decisão firme em seu ministério (v. 2). Ele não tem outro tema, outro assunto, outra paixão a não ser Cristo. Cristo é tudo e em todos. Nem política, nem filosofia, nem dinheiro – a vida para Paulo era anunciar Cristo.

• ILUSTRAÇÃO: “Mamãe, onde está o homem que usualmente quando ele se levanta, não podemos ver a Jesus?”

• Muitos pregadores engrandecem-se a si mesmos, os seus dons de tal forma que não podemos ver a Jesus. Devemos nos gloriar apenas na cruz de Cristo (Gl 6:14).

3. Paulo relembra aos coríntios a sua maneira de pregar o evangelho – v. 3-4
• Embora Paulo fosse um apóstolo, ele veio a Corinto sem presunção, sem auto-confiança, mas com humildade, sabendo da sublimidade do seu ministério e da grandeza da sua mensagem (Atos 18:9; 2 Coríntios 10:10).

• A maneira de pregar o evangelho:
1) Negativamente = v. 4;
2) Positivamente = v. 3,4.

• Paulo dependia somente do poder do Espírito. “Se não há poder do Espírito, não há pregação” (Martyn Lloyd-Jones).

• Sua pregação não era uma peça de oratória, mas em demonstração do Espírito e de poder = prova legal apresentada diante de uma corte: vidas transformadas, milagres, a ação de Deus no seu ministério e não performance.

• Paulo não está desencorajando o preparo para pregar, mas sobre quem deve estar os holofotes. ILUSTRAÇÃO: O visitante em Londres: 1) Que grande pregador é este homem! 2) Que grande Salvador é Jesus!

4. Paulo relembra os coríntios do seu propósito ao pregar o evangelho – v. 5
• Paulo quer que eles confiem em Deus e não no mensageiro. O mais importante é a mensagem (o evangelho) e não o mensageiro. O vaso é de barro, mas o conteúdo é o tesouro. Quem é Paulo? Apenas servo!

II. O EVANGELHO É PARTE DO PLANO ETERNO DE DEUS – v.6-9

• O evangelho é a sabedoria de Deus. Jesus Cristo crucificado é a sabedoria de Deus. A verdadeira sabedoria (Sofia) não é a filosofia, mas o evangelho.

1. A origem da verdadeira sabedoria – v. 7

• Ela não procede dos homens, mas de Deus.

• Ela não engendrada na história, mas na eternidade. Nossa salvação foi planejada por Deus na eternidade. Até a morte de Cristo estava nos planos de Deus (Atos 2:22-23; 1 Pedro 1:18-20). O evangelho não é uma idéia tardia, mas uma coisa planejada na mente de Deus desde a eternidade.

• Ela não foi descoberta pelo homem, mas revelada por Deus. Mistério é uma verdade que ficou encoberta no tempo passado, mas agora essa verdade é revelada. O conhecimento de Deus não é adquirido por investigação humana (filosofia), mas por revelação. “Só conhecemos a Deus porque ele se revelou” (Calvino).

• O propósito dessa sabedoria não apenas a glória de Deus, mas também a glória dos remidos – O plano de Deus sempre objetiva a plena glória de Deus (Efésios 1:6,12,14), mas também culminará em nossa glória, a nossa completa redenção (João 17:22-24; Romanos 8:28-30).

2. O conhecimento da verdadeira sabedoria – v. 8

• Essa sabedoria está escondida das pessoas não regeneradas.

• Os governantes de Roma e as autoridades judaicas não sabiam de fato quem era Jesus (a sabedoria de Deus). Os sábios deste mundo são ignorantes espirituais. Se eles soubessem quem era Jesus, jamais o teriam crucificado.

• Jesus orou ao Pai: “Pai, perdoa-lhes, porque eles não sabem o que fazem” (Lucas 23:34).

• A ignorância espiritual: a causa de imenso mal e a ocasião de um imenso bem (2:8-9) = 1) A causa de um imenso mal = “Crucificaram o Senhor da glória”: a) A mais terrível injustiça: ele era inocente; b) A mais profunda ingratidão: ele só fez o bem; c) A mais terrível crueldade: crucificaram-no; d) A mais perversa impiedade: crucificaram o Senhor da glória. 2) A ocasião para um imenso bem = (2:9) – Porque Jesus foi crucificado em nosso lugar, Deus preparou para nós o que nenhum olhou viu, nem ouvido ouviu nem coração sentiu.

3. Os dons da verdadeira sabedoria – v. 9

• O que a percepção humana não pode alcançar (olhos, ouvidos, sentimento), Deus no-lo revelou pelo seu Espírito. Deus preparou essas coisas maravilhosas para a nossa glória (v.7). Essa sabedoria só foi descoberta através da revelação de Deus e não da investigação humana.

• O céu, as bem-aventuranças eternas, está para além da percepção e descrição humana. Elas foram preparadas por Deus para aqueles que o amam.

III. O EVANGELHO É REVELADO PELO ESPÍRITO SANTO ATRAVÉS DA PALAVRA – V. 10-16

• Nossa salvação envolve a Trindade: Ninguém pode ser salvo a não ser pela graça eletiva de Deus (v. 7), pela morte substitutiva de Cristo (v.2) e pela ação regeneradora do Espírito Santo (v. 12).

• Paulo destaca quatro importantes ministérios do Espírito Santo neste capítulo:

1. O Espírito Santo habita nos crentes – v. 12

• No momento que você crê em Cristo, o Espírito Santo entra no seu corpo e faz dele um templo da sua habitação (6:19-20). Ele batiza você no corpo de Cristo (12:13). Ele sela você (Efésios 1:13,14) e ele permanecerá em você (João 14:16).

• Não recebemos o espírito do mundo (2:12) – sabedoria deste século. Não recebemos o espírito de escravidão (Romanos 8:15). Não recebemos o espírito de medo (2 Timóteo 1:7).

2. O Espírito Santo sonda os crentes e as coisas profundas de Deus – v. 10-11

• Eu não posso saber o que vai dentro do seu coração, mas o seu espírito sabe. Assim, eu não posso conhecer as coisas profundas de Deus (2:9) = (sua vida, seus atributos, seus propósitos, seus dons), sem ter o Espírito Santo. Ninguém pode saber realmente o que se passa no interior de um homem – ninguém, exceto o espírito desse mesmo homem. De fora, os outros homens podem apenas fazer conjecturas. Mas o espírito do homem não faz conjecturas. Ele sabe. De igual maneira, raciocina Paulo, ninguém de fora de Deus pode saber o que acontece dentro de Deus. Só o Espírito Santo que é Deus conhece a Deus plenamente e revela Deus para nós através da Sua Palavra.

• Deus quer que conheçamos agora todas as bênçãos da graça que ele preparou para nós. ILUSTRAÇÃO : 1) Os pacotes de presentes que temos no céu; 2) O mendigo que morreu na miséria assentado sobre uma pedra que escondia um tesouro.

3. O Espírito Santo ensina os crentes – v. 12b,13

• Jesus prometeu que o Espírito Santo nos ensinaria (João 14:26), nos guiaria (João 16:13). Ele nos ensina através da Palavra (João 17:8).

• O Espírito nos ensina, levando-nos a comparar coisas espirituais com espirituais – A Bíblia interpreta a Bíblia (2:13).

• É de suprema importância que os crentes tenham tempo para ler e meditar na Palavra.

4. O Espírito Santo leva os crentes à maturidade espiritual – v. 14-16

• O não crente não entende (mente) nem aceita (vontade) as coisas de Deus. Não entende porque elas se discernem espiritualmente e ele não o Espírito. Não aceita porque o evangelho parece loucura para ele.

• O homem natural, que o homem sábio segundo este mundo (1:19,20; 2:4-6) não entende nem aceita as coisas de Deus. Na verdade o que o mundo aplaude, o Reino de Deus rejeita. EXEMPLO: O Reino de Ponta-Cabeça.

• O crente julga (discerne) todas as coisas (a vida espiritual e a sabedoria humana), mas o homem não regenerado não discerne a vida do crente (2:15). O homem espiritual entende as coisas do homem e as coisas de Deus. Ele julga tanto as coisas humanas como as coisas divinas. Ele tem a mente de Cristo, pois ele discerne as coisas de Deus.

• Rejeitar o evangelho é rejeitar a sabedoria de Deus, a mente de Cristo e nós temos a mente de Cristo, pois aceitamos e proclamamos a sabedoria de Deus, a cruz de Cristo.

CONCLUSÃO:

1. A mensagem da cruz não é deste mundo – v.1-6
2. A mensagem da cruz foi ordenada antes deste mundo – v. 7-8
3. A mensagem da cruz traz nos bênçãos para além deste mundo – 9-16.

Rev. Hernandes Dias Lopes.

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