A igreja como uma grande família

INTRODUÇÃO

• O nome favorito de Paulo para descrever os crentes é “irmãos”. Ele usou esse título pelo menos 60 vezes em suas cartas. Nestas duas cartas aos Tessalonicenses ele empregou a palavra “irmãos” 27 vezes. Paulo viu a igreja local como uma família. Cada membro nasce de novo pelo Espírito e se torna co-participante da natureza de Deus. Eles todos foram partes da família de Deus.

• É trágico quando os crentes negligenciam ou ignoram a igreja local. Nenhuma família é perfeita, assim como nenhuma igreja local é perfeita; mas sem uma família para proteger e cuidar uma criança poderia sofrer e morrer. Assim, também os filhos de Deus precisam da família que é a igreja local para crescer, desenvolver os seus dons e servir a Deus.

• No texto em apreço Paulo discute sobre esta grande família que é a igreja.

I. LIDERANÇA NA FAMÍLIA DE DEUS – V. 12-13

• Uma igreja sem liderança fica acéfala. O pai é o cabeça do lar. A mãe é o grande suporte e cooperadora idônea. Os filhos precisam obedecer os seus pais. Esta é a ordem que Deus estabeleceu para a família. Filhos precisam de pais. Os pais são espelhos para os seus filhos. Exemplo: O sistema americano dos filhos mudarem-se para a universidade quando adolescentes tem sido um grave problema.

• Deus concedeu dons à igreja. Assim como ele coloca um pai na família, ele coloca líderes na igreja, para pastorear o rebanho (Ef 4:7-16; 1 Pe 5:1-5). Os líderes são chamados de: 1) obreiros ou trabalhadores; 2) superitendentes; 3) admoestadores. Qual é a responsabilidade que os irmãos têm em relação aos seus líderes?

1. Acatá-los – v. 12
• Os líderes são dons de Deus à igreja. Eles têm autoridade espiritual da parte do Senhor e nós devemos aceitá-los no Senhor. Eles não dominadores do rebanho, ditadores, exploradores, mas exemplos e servos. Como eles seguem o Senhor, devemos segui-los também.

2. Apreciá-los – v. 12,13
• Não há nada de errado de honrar fiéis servos de Deus, quando Deus recebe a glória. A liderança espiritual é uma grande responsabilidade e uma tarefa difícil. As batalhas e os fardos são muitos e algumas vezes o encorajamento é pouco. Precisamos ser pródigos no encorajamento e na intercessão em favor dos nossos líderes.

3. Amá-los – v. 12,13
• Como irmãos, os líderes estão “entre vós”; e como líderes, eles estão “sobre vós no Senhor”, ou seja, “vos presidem no Senhor”. Estar “entre” e “presidir” ao mesmo tempo não é fácil. A autoridade do líder precisa ser com doçura, com ternura. “Quando o pastor deixa de ser ovelha, ele se torna lobo”.

4. Obedecê-los – v. 12
• Os líderes devem ser obedecidos enquanto eles forem fiéis às Sagradas Escrituras. Eles devem ser obedecidos porque velam pelo rebanho e vão dar contas do rebanho. “Obedecei os vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por vossa alma, como quem deve prestar contas, para que façam isto com alegria e não gemendo; porque isto não aproveita a vós outros” (Hb 13:17).
• O resultado da família da igreja obedecer os seus líderes espirituais é que reinará a paz e a harmonia na igreja (v. 13b). Sempre que encontramos divisão e dissensão na igreja é por causa do pecado seja nos líderes seja nos membros da família da igreja.

II. COOPERAÇÃO NA FAMÍLIA – V. 14-16

• Os membros da família devem aprender a ministrar uns aos outros. Os membros mais velhos ensinam os membros mais novos (Titus 2:3-5) e os encorajam quando estão em dificuldade.

• Efésios 4:12 ensina que os líderes equipam os membros para o serviço do ministério. Em muitas igrejas os membros pagam seus pastores para fazerem a obra por eles enquanto ficam omissos.

• Paulo nomeia alguns membros especiais da família que precisam ajuda pessoal. Havia na igreja três grupos que precisavam de atenção especial:

1. Os insubmissos – v. 14
• Esse termo era usado para o soldado que não ficava na linha e insistia em marchar errado. Se não houver leis, normais e princípios na família, ela se torna um caos. Alguns crentes da igreja não atenderam essa orientação de Paulo (2 Ts 3:6,11).
• Assim como é uma tragédia quando um filho se rebela contra a orientação dos pais, um membro da igreja insubmisso provoca dor e divisão na igreja. Esses eram os fanáticos, os intrometidos e os ociosos.

2. Os desanimados – v. 14b
• Na igreja há algumas pessoas que sempre olham para a vida com óculos escuro. Eles sempre vêem o lado escuro das coisas e desistem quando passam por situações difíceis. Literalmente significa aqueles que têm a alma pequena.
• Precisamos encorajar essas pessoas. Fazê-las olhar para cima. Ensiná-las que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus. Esses eram aqueles que estavam preocupaddos com os seus parentes que haviam morrido ou com a sua própria condição.

3. Os fracos – v. 14c
• Paulo não está falando de pessoas fracas fisicamente, mas pessoas fracas na fé. Pessoas que não haviam compreendido a grandeza da sua liberdade em Cristo. Pessoas que viviam debaixo de regras e eram severas no julgamento das outras pessoas. Esses eram aqueles que tinham uma tendência para a imoralidade (4:1-8).

– Este tipo de ministério não é fácil. Então, Paulo acresceu alguns conselhos sábios para nos encorajar nesse trabalho:

1. Seja paciente – v. 14d
• É preciso ter paciência para edificar uma família. O membro fraco hoje pode ser um líder amanhã. Olhe para as pessoas não simplesmente para o que elas são, mas para o que poderão vir a ser. Exemplo: Tu és Cefas, filho de João, tu serás chamado Pedro.

2. Verifique sempre as suas motivações – v. 15
• Muitas vezes o líder não é compreendido, não é amado, não é reconhecido, não é encorajado. Paulo sofreu muitas pressões, acusações, ataques, censuras. Mas ele jamais deixou que as pessoas interferissem na sua maneira de agir, nos seus sentimentos e nas suas motivações. Não podemos retaliar quando somos feridos (1 Co 4:12; 6:7; 1 Pe 3:9).
• Não podemos pagar o mal com o mal. Não podemos alterar o curso da nossa atitude, porque as pessoas nos atacam.
• Leia Romanos 12:17-21.
• Se a nossa motivação é movida pela sede de apreciação e louvor dos homens ficaremos desapontados com o ministério. Exemplo: O casal de missionários que voltaram para a Inglaterra no final do ministério. Uma banda de música. Ainda não chegamos em casa.

3. Cultive sempre uma alegria transcendental – v. 16
• A alegria mantém o fardo longe do trabalho. “A alegria do Senhor é a nossa força” (Ne 8:10). O Senhor ama um servo alegre e um alegre doador. Cada membro da família deve ser uma pessoa alegria. A alegria contagia as pessoas. A ordem de Deus é “alegrai-vos sempre no Senhor” (Fp 4:4).

III. ADORAÇÃO NA FAMÍLIA – V. 17-28

• A adoração é a principal e mais importante atividade da igreja. “Missões existem, porque a adoração não existe” (John Piper). O fim principal do homem é glorificar a Deus. Todo ministério deve fluir da adoração. Deus e não o homem é o centro da vida. Quando nossa motivação para o trabalho está desfocado da adoração a Deus e da glória de Deus torna-se apenas uma atividade sem poder.

• O apóstolo Paulo nomeia vários elementos da adoração na igreja:

1. Oração – v. 17
• Orar sem cessar não significa uma oração que ocorre continuamente, mas uma pessoa que recorre à oração constantemente. A oração é fundamental. A igreja primitiva priorizou oração na sua vida. (Lc 24:49; Atos 1:14; 4:31).
• A igreja precisa ter fome de Deus: pela oração e jejum. Deus não unge métodos, Deus unge homens. Não existe sermão poderoso, existe homens cheios de poder – Jonathan Edwards.

2. Louvor – v. 18
• Ação de graças é um elemento vital na adoração. O louvor tem uma conotação vertical e outra horizontal: “falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais” (Ef 5:19).
• Uma igreja que adora a Deus é uma igreja que tem prazer em adorar, em cantar, em ter um culto vivo (Col. 3:16).
• O culto precisa precisa ser em espírito e em verdade: cabeça e coração.
• “Em tudo dai graças” não significa dar graças pelo mal moral. Pelo contrário, é louvar a Deus sabendo que ele é poderoso para transformar os vales em mananciais, o mal em bem e fazer com que todas as coisas cooperem para o nosso bem maior.

3. A Palavra de Deus – v. 19-21
• Adoração que ignora as Escrituras não é espiritual. Pode haver emoção e comoção, mas se a adoração não é bíblica, ela é anátema. Onde não há fidelidade às Escrituras, não é o Espírito de Deus que está operando. Exemplo: A igreja Toronto Blessing.
• O apóstolo Paulo menciona três imperativos:

3.1. Não apagueis o Espírito – O uso da palavra “apagar” traz a figura do fogo como símbolo do Espírito. Fogo fala de pureza, poder, luz, calor. O fogo ilumina, aquece, purifica e alastra. Apagamos o fogo quando removemos o combustível: jogando terra ou tirando o oxigênio. O fogo derrete a dureza dos corações. O fogo precisa ser mantido aceso no altar do coração. Apagamos o fogo quando cedemos ao pecado ou quando deixamos de orar e obedecer a Palavra.
3.2. Não desprezeis profecias – As mensagens apostólicas eram revelatórias. Hoje as mensagens são expositivas. Profeciais aqui não é apenas ensinos escatológicos, mas todo o conteúdo das Escrituras. Precisamos pregar não sobre a Palavra, mas a Palavra.
3.3. Julgai todas as coisas e retende o que é bom – O crente não é uma pessoa de mente estreita. Ele tem discernimento. Ele julga. Ele avalia. Ele discerne. Ele sabe distinguir entre o precioso e o vil. O crivo para o julgamento é a Palavra de Deus. Precisamos muito deste ensino. A igreja está sendo destruída porque lhe falta o conhecimento. A igreja tem se alimentado de palha e não do Pão do Céu.

4. Vida Piedosa – v. 22-24

• O propósito da adoração é para que possamos nos tornar mais e mais parecidos com Jesus. Fazemos isso, abstendo-nos do mal (v. 22) e santificando-nos em tudo (v. 23). Tem que existir um equilíbrio entre o aspecto negativo e o positivo.

5. Comunhão Cristã – v. 25-28
• Depois que a adoração coletiva termina, os santos devem ministrar uns aos outros. Eles cumprimentam uns aos outros. Eles encorajam uns aos outros. Comunhão é uma parte fundamental da adoração. O culto continua do lado de fora do templo através da comunhão cristã.
• Na vida cristã há espaço para a afeição. Precisamos ser calorosos uns com os outros.

Rev. Hernandes Dias Lopes

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