A igreja selada, perseguida e glorificada

Referência: Apocalipse 11.1-19

INTRODUÇÃO

1. O capítulo 11 de Apocalipse é ainda o interlúdio antes do toque da sétima trombeta. Vimos no capítulo 10 sobre o anjo forte com o livrinho na mão e como João recebeu a ordem de comer o livro e depois profetizar.
2. A igreja precisa interiorizar a Palavra, comer a Palavra e proclamar a Palavra. Essa Palavra é doce e também amarga. Doce para quem a proclama, amarga para quem a rejeita. Ela traz vida e também o juízo.
3. No capítulo 11 veremos de forma viva a missão da igreja no mundo, sua proteção, proclamação, perseguição, triunfo e então, o surgimento triunfante e vitorioso do Reino de Deus.
4. Este capítulo pode ser analizado através de alguns quadros ou cenas:

I. A IGREJA É REPRESENTDA PELO SANTUÁRIO DE DEUS SENDO MEDIDO – V. 1-2

1. A separação do povo de Deus do mundo ímpio – v. 1-2
• O que simboliza esse santuário?
– Simboliza a igreja verdadeira, ou seja, todas as pessoas salvas. Todos os verdadeiros filhos de Deus que o adoram em espírito e em verdade.
– Os dispensacionalistas acreditam que João está falando de um santuário literal que será reerguido em Jerualem, um santuário físico.
– Os pré-milenistas acreditam que este capítulo está falando da salvação dos judeus e não da igreja.

• O que simboliza essa medição do santuário?
– Conforme o contexto (21:15) e passagens do VT (Ez 40:5; 42:20; 22:26 e Zc 2:1), essa medição significa apartar o povo de Deus do povo profano, para estar completamente seguro e protegido de todo dano. Medida é imunidade contra danos (21:15-17).
– Esta figura é a mesma que aparece dos 144.000 selados (7:4), dos homens que receberam o selo de Deus (9:4).
– Esses que são medidos são os verdadeiros adoradores, o verdadeiro Israel de Deus, a verdadeira igreja em contraste com os gentios, aqueles que permanecem na sua impiedade, e vão perseguir a igreja e adorar o anticristo.
– Essa proteção não se estende a todos os que se dizem cristãos (11:2). Os santos vão sofrer severamente, mas nunca perecerão, serão protegidos do juízo final. Mas, os membros mundanos da igreja que amam o mundo, estarão sem essa proteção.

• O que simboliza esses quarenta e dois meses?
– Esse período não é literal. Ele fala da perseguição do mundo durante todo o período da igreja, da primeira à segunda vinda de Cristo. Obviamente, na medida que o tempo avança para o fim essa perseguição torna-se mais reihida.
– Esse período de 42 meses e 1.260 dias não pode ser entendido literalmente, pois o tempo dos gentios (Lc 21:24), deveria começar no ano 70 quando Jerusalém foi destruída pelos romanos. No livro de Apocalipse esse tempo representa: 1) O tempo em que a cidade santa é oprimida (11:2), o tempo em que as duas testemunhas executam o seu testemunho (11:3), a mulher celestial, a igreja, será preservada no deserto (12:6,14), e o tempo que a besta tem permissão para exercer sua autoridade (13:5). Esse é o período que Satanás exerce o seu poder no mundo, especialmente nos últimos dias, com a atuação do anticristo.
– Esse período é um símbolo como a cruz vermelha ou a suástica, uma forma taquigráfica para indicar um período durante o qual as nações, os incrédulos parecerão dominar o mundo, no qual o povo de Deus manterá o seu testemunho.

2. Argumentos que contribuem para o entendimento de que esse Santuário é espiritual e não físico
a) O NT ensina que o santuário de Deus é a igreja e não um prédio – Deus mora na igreja por meio do seu Espírito. Portanto, a igreja é seu santuário (1 co 3:16,17; 2 Co 6:16,17; Ef 2:21).
b) O santuário representa as pessoas que oferecem o incenso da oração (11:1) – Ou seja, um símbolo de todos os verdadeiros cristãos.
c) O santuário refere-se aos fiéis enquanto os que estão no átrio exterior não recebem proteção (11:2) –
Tanto o santuário como o átrio exterior refere-se a pessoas e não a edifício físico.
d) Todos os salvos são contados, selados e protegidos (7:4; 22:4) – Tanto o contar, como o selar e meditar são figuras da proteção da igreja. Assim, a verdadeira igreja na terra, o santuário espiritual é simbolizado pelo santuário terrenal de Israel, assim como Israel físico é símbolo da igreja verdadeira.
e) Esta interpretação concorda com o simbolismo do VT (Ez 43, 47) – Ezequiel fez uma representação da igreja como Corpo de Cristo. Assim na figura do santuário, a igreja é o povo que adora a Deus e na próxima figura, a figura das testemunhas, a igreja é o povo que proclama a Palavra de Deus perante as pessoas. A igreja é o povo que fala a Deus e aos homens.

II. A IGREJA É REPRESENTADA PELAS DUAS TESTEMUNHAS – V. 3-14

1. Quem são essas duas testemunhas?
a) Uns entendem que elas falam de Enoque e Elias – Alguns acreditam assim, em virtude de que esses foram os dois homens que foram para o céu sem experimentarem a morte.
b) Outros entendem que elas falam de Moisés e Elias – Essa descrição tem um rico simbolismo. Na verdade João vê esses duas testemunhas com características desses dois profetas. Elias é presentado nos versos 5 e 6 e Moisés é representado no verso 6b.
c) Ainda outros entendem que elas falam do Antigo e do Novo Testamento – Assim defende Martyin Lloyd-Jones.
d) A posição reformada entende que elas falam do testemunho da igreja –
– Moisés e Elias (a lei e os profetas) representam toda a igreja; essas duas testemunhas são o povo de Deus na terra, a igreja de Deus no mundo, o povo de Deus entre as nações, aqueles para quem o evangelho é doce em meio àqueles para os quais o evangelho é amargo.
– O povo de Deus é chamado em Apocalipse de 12 tribos, de sete candeeiros, de reis e sacerdotes. Agora é chamada de santuário de Deus e também de duas testemunhas.
– Duas testemunhas era o método usado por Cristo para o testemunho ao mundo (Lc 10:1). Uma questão só recebia validade pelo testemunho de duas pessoas.
– Essas duas testemunhas falam da igreja como uma poderosa agência missionária durante toda a época evangélica presente. Isso pode ser provado como segue:
c.1) As duas testemunhas são duas oliveiras e dois candeeiros (v. 4) – Estas duas figuras são encontradas em Zacarias 4:1-7, referindo-se a Josué e Zorobabel que anunciam a Palavra no poder do Espírito para restaurar a Israel. Essas duas oliveiras e esses dois candeeiros são símbolos da Palavra de Deus, proclamada pela igreja.
c.2) Assim como os missionários eram enviados de dois a dois, assim a igreja cumpre a sua missão no mundo.
c.3) Assim como o fogo do juízo e condenação saiu da boca de Jeremias (Jr 5:14), devorando os inimigos de Deus, assim também a igreja anuncia os juízos de Deus aos ímpios.
c.4) Assim como Elias orou e o céu fechou-se e Moisés recebeu autoridade para converter a água em sangue, assim também quando o mundo rejeita a mensagem da igreja, ele se expõe ao juízo de Deus. Somos perfumes de vida para a vida e aroma de morte para a morte.

2. A igreja será indestrutível até cumprir cabalmente a sua missão – v. 7
• A igreja será indestrutível até completar o seu trabalho. Ninguém poderá destruir a igreja de Deus até ela completar a sua carreira. A igreja é provada, mas, não desamparada. As testemunhas são preservadas até concluírem o seu testemunho (v. 5-7).
• A proclamação do evangelho é aquilo que mantém a igreja de pé. Sua vocação é adorar a Deus (santuário) e proclamar a palavra (testemunha).
• Satanás não pode deter o avanço da igreja, que os eleitos sejam salvos. O valente está amarrado. As testemunhas seguem proclamando.

3. A igreja será perseguida e sofrerá a morte – v. 7b-9
• O espírito do anticristo sempre esteve no mundo (1 Jo 2:18-22). Mas esse espírito de oposição vai se encarnar na pessoa da besta no último tempo e vai perseguir terrivelmente a igreja.
• A anticristo vai fazer guerra contra os santos e os vencer (Ap 13:7). Ele é o homem da iniquidade (2 Ts 2:3-9). Ele vai fazer querer ser adorado como Deus (Dn 9:27; Ap 13:8).
• Bem próximo ao fim da História, haverá uma terrível matança contra a igreja e ela dará todas as evidências de estar por baixo. Jesus disse que se esse não fosse abreviado a igreja não suportaria (Mt 24:11ss). A igreja sofrerá, mas continuará indestrutível.
• Os crentes ao morrerem, vencerão o diabo e o anticristo (Ap 12:11).
• A palavra “testemunhas” é martyria que traz o significado de proclamador e mártir. Era uma e mesma coisa.
• Nem mesmo essa matança fica fora do desígnio de Deus, pois ao anticristo é dado vencer (Ap 13:7). O diabo e seus agentes só podem agir sob a permissão de Deus.

4. A vitória do mundo sobre a igreja será passageira e infundada – v. 8-11
• Essa cidade não é literal (v. 8); não é nem Jerusalém nem Roma, e contudo, em certo sentido é tanto Jerusalém como Roma. É a cidade desta ordem terrestre, que inclui todos os povos e tribos, e línguas e nações. Essa cidade é mundo hostil a Deus e à igreja.
• O mundo sempre teve a pretenção de destruir a igreja de Cristo. As perseguições desde o começo visaram banir a igreja e calar a sua voz. Os homens ímpios odeiam a Palavra de Deus.
• Várias perseguições intentaram acabar com a igreja. Em 1572 na Noite de São Bartolomeu na França. Em 1789 na Revolução Francesa. Na Revolução Russa de 1917. • Muitas vezes o mundo pensou que a igreja estava morta (Inglaterra século XVIII). Era como um cadáver na praça. Ezequiel 37 fala de um vale de ossos secos.
• O júbilo dos adversários é uma alegria transitória. Deus terá sempre a última palavra a dizer. O mundo celebra o martírio dos santos (11:10). Mas o mundo é néscio e seu gozo prematuro.
• O mundo vai festejar seu massacre sobre a igreja, achando que está livre dela e de sua mensagem. Mas, a igreja ressurgirá, ascenderá e assentará no trono para julgar o mundo. Os acusados (v. 10) são transformados em terror dos acusadores.

5. A ressurreição gloriosa da igreja – v. 11

• Esses três dias e meio também é um número simbólico. A igreja que experimentou a comunhão no sofrimento de Cristo, agora experimenta o poder de sua ressurreição.
• Em conexão com a segunda vinda de Cristo, serão restituídos à igreja vida, honra, poder e influência, mas para o mundo a hora da oportunidade terá passado para sempre.
• A vinda de Cristo e a ascensão da igreja serão visíveis para o mundo(1:7; 11:12). Não há aqui menção de um arrebatamento secreto. Cristo desce a igreja sobe na mesma nuvem de glória.
• Isso está de acordo com o ensino de I Ts 4:16-17 e 1 Co 15:52. Todos os santos e mártires têm sido encorajados com a certeza da ressurreição, do arrebatamento e da glória celestial. Esta é a nossa bendita esperança.

6. O terror indescritível dos ímpios – v. 13-14
• A a alegria do mundo trasnforma-se rapidamente em grande temor. A terra está tremendo. É o mesmo quadro de (Ap 6:12). O terremoto aqui também precede o juízo final. Os ímpios são cobertos de terror. Eles dão glória a Deus não porque se convertem. São como Nabucodonosor, que muitas vezes, deu glória a Deus, mas não era convertido.
• O mundo está maduro para o juízo, porque apesar da sua impenitência, ainda rejeitou o testemunho da igreja e perseguiu e matou os fiéis (v. 7).

III. O ANJO TOCA A SÉTIMA TROMBETA: A ALEGRIA DOS REMIDOS E O PAVOR DOS ÍMPIOS – V. 15-18

1. Um anúncio de vitória – O céu prorrompe em vozes de exaltação a Cristo – v. 15
• Na abertura das sete trombetas houve silêncio no céu em virtude dos terríveis juízos que desabariam sobre os homens. Agora, com a sétima trombeta chega a parousia, com a irupção total da glória de Deus e o triunfo final da igreja. E com a chegada da Noiva na Casa do Pai, os céus prorrompem em gritos de alegria e exaltação ao noivo da igreja (v. 15).
• Lembremo-nos que a sétima trombeta aponta o fim das oportunidades, mas não é um dia, mas “dias” (10:7), visto que a sétima trombeta trazem os sete flagelos ou sete taças da ira de Deus (15:1).

2. O reinado vitorioso e eterno de Deus e do seu Cristo é proclamado pelos anjos – v. 15

• O Reino de Deus está presente, mas ainda não na sua plenitude. Deus sempre reinou. Cristo jamais deixou de ter todo poder e toda autoridade. Mas esse poder e essa autoridade que ele exerce no universo nem sempre se manifestou.
• Cristo despojou-se de sua glória. Fez-se servo. Morreu na cruz. Foi sepultado. Ressuscitou. Voltou ao céu. Mas, quando ele vier com grande poder e muita glória, então, assentar-se-á no seu Trono e seu Reinado será pleno, vitorioso, completo, cabal.
• Às vezes, parece que Satanás é o governante supremo, mas uma vez chegado o dia do juízo, o esplendor real da soberania de Deus será revelada em sua totalidade, porque naquele tempo toda oposição será suprimida e o reinado de Cristo será pleno.
• O reinado de Cristo será vitorioso e eterno. Esse é a mensagem do “Messias de Haendel”. Cristo vai reinar até colocar todos os seus inimigos debaixo dos seus pés, então, entregará o Reino ao Deus e Pai e aí será o fim (1 Co 15:23-26).

3. Uma aclamação de louvor – A igreja glorificada e honrada se prostra e adora a Deus – v. 16-17
• A igreja não apenas está na glória, mas também no trono.
• Os anciãos deixam os seus próprios tronos e se prostram em adoração diante do Trono de Deus. Eles dão graças por três bênçãos especiais: 1) Que Cristo reina supremamente (11:17); 2) Que Cristo julga justamente (11:18). O cordeiro é também o leão; 3) Que Cristo recompensa graciosamente (11:18).
• Em Apocalipse 4:10-11, os anciãos louvam o criador; em Apocalipse 5:9-14, eles adoram o redentor. Aqui a ênfase é sobre o conquistador e rei (v. 17-18).

4. A igreja anuncia as cenas do juízo final, onde as glórias da igreja serão contrastadas com o tormento dos ímpios – v. 18
a) Enquanto os santos estão dando graças, os ímpios estão enfurecidos – Em Apocalipse 11:2 os ímpios estão perseguindo a igreja. Em Apocalipse 11:9 eles estão se alegrando por matar os membros da igreja. Mas em Apocalipse 11:18, os ímpios estão furiosos porque a igreja está na glória. Os ímpios não ouviram as testemunhas, não escutaram a voz de advertência, nem abandonaram seus pecados, por isso quando chega o juízo estão cheios de fúria, enquanto a igreja está dando graças a adorando a Deus.
b) Enquantos os santos recebem galardões, os ímpios são destruídos – Os santos ressuscitam para a vida, para a glória, mas os ímpios enfrentam o juízo e serão exterminados, não aniquilados, ou seja, banidos para sempre da face de Deus.
c) O dia do juízo será dia de glória para os santos, mas o dia da ira de Deus para os ímpios – Esse dia já está determinado. Ele será dia de trevas e não de luz para todos aqueles que desprezaram a Jesus e perseguiram a sua igreja. Será o dia da ira de Deus (Ap 6:16-17). Essa sétima trombeta é proclamado como o último ai. Isso, porque as chances acabaram e não tem mais apelação.

IV. A IGREJA NO CÉU EM COMUNHÃO ÍNTIMA COM DEUS EM CONTRASTE COM OS ÍMPIOS SENDO ATORMENTADOS – V. 19

1. O santuário aberto no céu é um símbolo da profunda comunhão dos remidos com Deus – v. 19
• O santuário está aberto de par em par. Não há nada encoberto ou escondido. A arca é o lugar do encontro com Deus, onde a glória de Deus está presente. Ela é símbolo da comunhão superlativa, íntima e perfeita entre Deus e o seu povo. Aqui se cumpre Apocalipse 21:3: “Eis o tabernáculo de Deus com os homens, Deus mesmo habitará com eles”. Também Apocalipse 21:22: “Nela, não vi santuário, porque o seu santuário é o Senhor, o Deus Todo-poderoso, e o Cordeiro”.
• Essa comunhão é baseada na expiação. Os salvos estão diante do trono da graça. Os salvos estão desfrutando de todas as bênçãos da aliança da graça em toda a sua doçura.

2. Para os ímpios aquela mesma arca, símbolo da graça de Deus, é um símbolo de ira – v. 19b
• A ira de Deus agora revela-se plenamente aos ímpios (v. 19b). Eles estão em completo e eterno desamparo, enquanto a igreja está completa e eternamente desfrutando da bem-aventurança eterna.

CONCLUSÃO

• Quem você é? Santuário de Deus ou átrio exterior? Quem você é testemunha fiel ou amante do mundo? Onde você estará quando a sétima trombeta tocar? Você estará no santuário aberto de Deus ou em atormentado pelos flagelos?
• O tempo de oportunidade é agora. Amanhã pode ser tarde demais. Volte-se para o Senhor enquanto é tempo e busque-o enquanto ele está perto.

Rev. Hernandes Dias Lopes

Responder

Resposta

Your email address will not be published. Required fields are marked *