A preparação para a reforma do século xvi

A Renascença foi um movimento cultural, no
século XV, no norte da Itália, que abriu o caminho
para a Reforma do século XVI. Durante mil anos a
igreja viveu imersa em densas trevas, sem a luz da
Palavra de Deus. A Idade Média foi o tempo da
ascensão da igreja e da decadência da
espiritualidade. A igreja tinha poder econômico e
político, mas não poder espiritual.
Como senhor da história, Deus preparou o
berço para o surgimento da Reforma no século XVI.
A Renascença tocou em cinco pontos vitais naquele
tempo. Vejamos:
1. A Economia – Até a Renascença a Igreja Romana
tinha quase total controle sobre a economia. Na
Idade Média a igreja concentrava a riqueza em suas
mãos, enquanto recomendava o voto de pobreza
aos seus sacerdotes. Mantendo os fiéis no
analfabetismo e ignorância das Escrituras, também
os prendia à pobreza. Com o desenvolvimento da
navegação e a descoberta de novas terras, através
das viagens às Índias e a descoberta da América,
surgiu na Europa uma nova classe social, a
burguesia. A igreja deixou de ter o controle da
economia e o mundo abriu-se para novos horizontes
na área econômica.
2. As Artes – A igreja mantinha também absoluto
controle sobre as artes. Toda a arte tinha que ser
vazada pelas lentes do sagrado. Quando um pintor
ia traçar o perfil de uma pessoa, tinha que pintar o
rosto da pessoa com o corpo de um anjo. Entretanto,
surgem nesse tempo os luminares da escultura e
da pintura como Leonardo da Vinci e Miguel Ângelo.
Este esculpiu no mármore Davi, Moisés e Pietá. O
gênio da escultura cinzelou na pedra a beleza do
corpo humano sem obedecer os ditames da
sacralidade eclesiástica. Isso tirou as artes das mãos
da igreja. As pessoas podiam desenvolver seus dotes
naturais sem o controle eclesiástico.
3. A Política – Havia um verdadeiro concubinato
entre a política e a religião, entre o poder clerical e
confrontação do pecador com o Senhor Jesus
Cristo.
professam e o que elas praticam. Há um divórcio
entre
entre a política e a religião, entre o poder clerical e
o poder político. Na Idade Média havia um
casamento espúrio entre a Igreja e o Estado, entre
o papa e os reis. A igreja deixou de lado sua vocação
espiritual e começou a imiscuir-se em campo
alheio. Maquiavel escreveu “O Príncipe”, um livro que
foi um divisor de águas nessa questão. Ele mostrou
que o Estado deve ser leigo.Essa visão do laicismo
do Estado tirou das mãos da igreja o poder político.
4. A Ciência – A igreja sentia-se dona da verdade.
A ciência também estava nas mãos da igreja.
Quando o cientista Nicolau Copérnico proclamou
que o mundo era heliocêntrico e não geocêntrico,
a igreja contestou fortemente. Galileu Galilei foi preso
por essa convicção. Forçaram-no a negar suas
convicções para que sua vida não fosse ceifada.
Mas a verdade não pode viver prisioneira por longo
tempo. Assim, a igreja estava perdendo, também,
a sua hegemonia sobre a ciência.
5. A Religião – A religião estava sob rigoroso
controle de Roma. A igreja tinha em suas mãos a
administração da salvação. Através dos
sacramentos e da venda das indulgências, os fiéis
compravam o perdão de seus pecados a peso de
ouro, recebendo uma bula papal, outorgando-lhes
o desejado perdão. Até que o monge agostiniano
Martinho Lutero, sedento de Deus, e com a
consciência inquieta, leu nas Escrituras, que o justo
vive pela fé. Essa descoberta da verdade bíblica
não só libertou o monge, mas abriu as portas para a
Reforma Religiosa do século XVI. Quando Johannes
Tetzel, emissário do papa Leão X, vendia o perdão
dos pecados para angariar fundos para a
construção da basílica de São Pedro, Lutero deu o
brado da Reforma, afixando nas portas da Igreja de
Wittemberg 95 teses contra as Indulgências. Nascia,
ali, no dia 31 de outubro de 1517, a Reforma, o maior
movimento espiritual dentro da igreja de Cristo,
depois do Pentecoste.

Rev. Hernandes Dias Lopes.

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