A preparação para as taças da ira de Deus

Referência: Apocalipse 15.1-8

INTRODUÇÃO

1. Nos capítulos 1 a 3, vimos que por meio da pregação da Palavra, aplicada ao coração pelo Espírito Santo, igrejas são estabelecidas. Estas são candeeiros, portadoras de luz no mundo que está em trevas. Elas são abençoadas pela contínua presença espiritual de Cristo.
2. Nos capítulos 4 a 7 vimos que o povo de Deus é perseguido repetidas vezes pelo mundo, e exposto a muitas provas e aflições. São a abertura dos sete selos.
3. Nos capítulos 8 a 11 os juízos de Deus visita repetidas vezes o mundo perseguidor, mas este não se arrepende de seus pecados. São as sete trombetas da ira de Deus.
4. Nos capítulos 12 a 14 vimos que este conflito entre a igreja e o mundo, torna-se mais intenso, mostrando um combate entre Cristo e Satanás, entre a semente da mulher e o dragão.
5. Agora, nos capítulos 15 a 16 surge uma pergunta: quando na história, as trombetas do juízo, as pragas iniciais, não conduzem os homens ao arrependimento e conversão, o que lhes sucede? Permitirá Deus que esses homens ímpios continuem impunes? O cálice da ira de Deus tem um limite? Ele se encherá?
6. A resposta é: quando os ímpios não se arrependem com as trombetas do aviso de Deus, segue a efusão final da ira, ainda que não completa até o dia do juízo. Essas taças são as últimas. Não há mais tempo para arrependimento (Pv 29:1). Aos ímpios endurecidos, a morte os precipitará inevitalmente nas mãos do Deus irado. Mesmo antes de morrer, eles poderão ter cruzado a última linnha da esperança entre a paciência de Deus e sua ira (Mt 12:32; 1 Jo 5:16).

I. A CONEXÃO ENTRE AS SETE TAÇAS DA IRA DE DEUS E AS SETE TROMBETAS DE DEUS – V.1

1. As trombetas advertem, as taças consumam a cólera de Deus – v. 1
• Através de toda a história do mundo se manifesta repetidas vezes a ira final de Deus; ora toca a essa pessoa, depois aquela. A ira de Deus se derrama sobre os impenitentes (Ap 9:21; 16:9).
• As trombetas advertem, as taças são derramadas. Esses impenitentes são aqueles que receberam a marca da besta (Ap 13:16; 16:2). Esses são aqueles que adoram o dragão e são dominados pelas duas bestas e pela Babilônia, a grande meretriz.
• Nas trombetas apenas um terço da terra, do mar, dos rios, do sol, dos homens são atingidos, mas nas taças a ira de Deus se consuma (Ap 15:1).

2. Tanto as trombetas como as taças referem-se ao mesmo período
• Já temos visto que todas as sete seções paralelas referem-se ao mesmo período, ou seja, o tempo que vai da primeira à segunda vinda de Cristo.
• À medida que avançamos para o fim, as cenas vão se tornando mais fortes e o juízo de Deus mais claro.

3. Tanto as trombetas como as taças terminam com uma cena do juízo final
• No capítulo 14:14-20, vimos a cena da colheita do trigo e a vindima dos ímpios esmagados no lagar da ira de Deus. No capítulo 16:15-21 temos uma clara cena do juízo final. As seis primeiras taças se referem a uma série de acontecimentos que precedem o juízo final.

4. Tanto a quarta seção, quanto a quinta começam de forma muito semelhante (12:1; 15:1)
• Se a quarta seção começa com o nascimento de Cristo e avança até a cena do juízo final, então, somos levados a crer que a quinta seção (15-16), também cobrem todo o período da primeira à segunda vinda de Cristo.

5. Tanto a quarta seção, quanto a quinta, tratam dos mesmos inimigos da igreja
• As mesmas forças de maldade que encontramos nos capítulos 12 a 14: o dragão, a besta que sobe do mar, a besta que sobe da terra, o falso profeta são os inimigos que a igreja está enfrentando aqui nesta quinta seção (16:13).
• Portanto, somos levados a crer que essa seção das sete taças, atravessam o mesmo período da história compreendido pelas outras seções.

6. Não obstante, as sete taças compreendam todo o período da igreja, elas apontam e aplicam-se especialmente ao dia do juízo e às condições que o procedem imediatamente
• As trombetas são juízos parciais. São alertas de Deus. São avisos solenes de Deus, que na sua ira, lembra-se da misericórdia. Mas as taças falam da ira sem mistura, da consumação da cólera de Deus.

II. UMA VISÃO DA IGREJA NA GLÓRIA ANTES DA DESCRIÇÃO TERRÍVEL DOS ÍMPIOS DEBAIXO DA IRA DE DEUS – V. 2-4

1. João vê os sete anjos preparados para derramar sobre o mundo as sete taças da sua ira consumada – v. 1
• Sete é o número da perfeição de Deus. São sete anjos, com sete taças. Esses são anjos do juízo. Eles trazem os últimos flagelos para os ímpios. Agora não é mais tempo de oportunidade. A medida dos ímpios transbordou. Chegou o juízo. É a consumação da ira de Deus.

2. Antes dos anjos derramarem os flagelos finais sobre os ímpios, João vê a igreja na glória – v. 2
• João vê um mar. Na praia, ele vê uma multidão vitoriosa. Essa multidão é composta dos vencedores da besta e eles estão cantando, enquanto os seguidores da besta estão atormentados (15:2; 16:10,11).
a) Onde está esse mar de vidro? Diante de trono (Ap 4:6), no céu. A igreja está no céu, na glória. Esse mar de vidro simboliza a retidão transparente de Deus revelada por meio de seus juízos sobre os ímpios.
b) Quem é essa multidão? Os vencedores da besta. Eles venceram a besta sendo mortos por ela. Se tivessem conservado a vida e sido infiéis na fé teriam sido derrotados. Assim, os vencedores da besta são aqueles que amaram mais o Senhor do que suas próprias vidas. “Viva te vencerei, morta vencer-te-ei ainda mais? (Blandina). São todos os remidos ao longo dos séculos. São os 144.000 (7:4) ou a multidão inumerável (7:9). Jesus disse que quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á.
c) O que essa multidão está fazendo? Ela está com harpas de Deus, entoando um hino de glória ao Senhor, todo poderoso (Ap 5:8). Essa música é o mesmo novo cântico que ninguém podia aprender, senão os 144.000 (14:3). No céu há muita música. A música do céu glorifica tão somente o Senhor. Vamos nos unir aos coros angelicais e cantar ao Senhor para sempre.
d) Que música essa multidão está cantando? O cântico de Moisés e do Cordeiro. O êxodo é um símbolo e tipo da redenção que temos em Cristo. Assim como Moisés triunfou sobre Faraó e suas hostes, a igreja triunfa sobre o diabo e suas hostes. Esse é um cântico de vitória! Assim como Moisés tributou a vitória a Deus (Ex 15:1-3), os remidos também o fazem (Ap 15:3-4).

3. Antes de João escutar as blasfêmias dos ímpios, ele ouve o cântico dos remidos – 15:3-4; 16:10-11
• Quais são as características do cântico vitorioso dos remidos? Os mártires não cantam sobre si mesmos e como venceram a besta. Antes, eles estão totalmente concentrados em glorificar a Deus.
• O céu o lugar onde os homens são capazes de esquecerem de si mesmos, de seus títulos, conquistas e vitórias e recordar somente a Deus. Quando você contempla a Deus na sua glória, nada mais importa.
• Diante da glória de Deus, os mártires esquecem-se de si mesmos e exaltam somente o Senhor. No céu entenderemos que nada mais importa, exceto Deus.

a) Esse cântico exalta a Pessoa de Deus
1) Deus é Senhor Todo-Poderoso (v. 3)- Isto está em contraste ao trono de Dragão, seu poder e autoridade (13:2) e grande e universal poder da besta (13:4,7,8). O diabo é poderoso, mas só Deus é o Senhor Todo-poderoso. Só ele recebe exaltação para sempre.
2) Deus é o Rei das Nações (v. 3) – O rei das nações não é a besta (13:7), mas o Senhor Todo-poderoso (15:3).
3) Deus é temível e digno de glória (v. 4) – A grande pergunta era “quem é como a besta? Agora, a questão é: “quem não temerá e não glorificará o teu nome?” É o temor irrestrito, acima de qualquer respeito a governantes terrenos (At 4:19; 5:29).
4) Deus é Santo (v. 4) – A santidade de Deus é única, singular e é ela que atrai todas as nações.

b) Esse cântico exalta as obras de Deus
1) Elas são grandes e admiráveis (v. 3) – O universo está nas mãos do Senhor. Ele é quem redime o seu povo e quem castiga os ímpios. Deus é inescapável. Quando ele age ninguém pode impedir a sua mão.
2) Os atos de justiça de Deus se fizeram manifestos (v. 4) – Deus vindicou a sua justiça quando remiu os seus eleitos por meio do sacrifício do seu Filho e vindicou sua justiça condenando os impenitentes à condenação eterna.

c) Esse cântico exalta os caminhos de Deus
1) Eles são justos e verdadeiros (v. 3) – Os caminhos de Deus são a forma de Deus agir. Ele nunca pode ser acusado de injustiça nem de meios ilegítimos. Seus caminhos são jutos e verdadeiros tanto na salvação dos eleitos, como na punição dos impenitentes. Os ímpios foram avisados pelas trombetas, mas não se arrependeram. Assim, os flagelos finais sobre os ímpios serão absolutamente justos.

d) Esse cântico exalta o triunfo final de Deus
1) Todas as nações virão e adorarão diante dele (v. 4) – Isto está em contraste com a adoração universal da besta (13:7-8). As nações vão se prostrar diante do Deus Todo-poderoso. Todo joelho vai se curvar diante de Jesus (Fp 2:8-11). Só ele é exaltado eternamente.

III. OS ANJOS DOS ÚLTIMOS FLAGELOS SE PREPARAM PARA AGIR – V. 5-8

1. Os sete anjos do flagelo saem do Santuário de Deus – v. 5-6
• O santuário era o lugar da habitação de Deus com o povo (Ex 25:8). No lugar santíssimo ficava a arca com as Tábuas da Lei. Isso significa que os anjos saem do lugar onde ficava a Lei de Deus. Saem para demonstrar como funciona a Lei de Deus. Saem para demonstrar mediante a vingança divina que nenhum homem ou nação pode desafiar impunemente a vontade de Deus. Ninguém pode desobedecer a Lei de Deus sem sofrer o castigo da Lei.
• Aqui “Santuário” designa morada de Deus, o céu. Esses anjos vem da presença de Deus e servem a Deus quando derramam os juízos. A igreja jamais deve duvidar disso.

2. Os sete anjos são ministros agentes de Deus – v. 6b
• As vestimentas dos anjos simbolizam três coisas:
a) Essas vestes eram peculiares dos sacerdotes – O sacerdote era uma espécie de intermediário entre Deus e os homens. Ele representava Deus diante dos homens. Esses anjos vem ao mundo como representantes da ira vingadora de Deus.
b) Essas vestes eram peculiares dos reis – Esses anjos vêm a terra para derramar os flagelos finais da ira de Deus com o poder do Rei dos reis.
c) Essas vestes eram peculiares dos habitantes do céu – Os anjos são habitantes do céu que vêm à terra para executar os decretos de Deus.

3. Os cálices de ouro que os anjos trazem estão cheios da ira de Deus – v. 7
• Essas sete taças da ira de Deus estão cheias e elas atingem o mundo inteiro: a terra, o mar, os rios, os astros, os homens, o ar. Ninguém pode esconder-se do Deus irado. Esse dia será dia de trevas e não de luz. Os homens desmaiarão de terror.
• A justiça de Deus é vingar as injustiças dos homens e ninguém pode deter esse juízo nem desviá-lo.
• Aqui não são catástrofes naturais nem os anjos maus que afligem os ímpios, mas o próprio Deus irado.

4. Os anjos do juízo saem do santuário cheio da fumaça inacessível da glória de Deus – v. 8
• Quando o tabernáculo ficou pronto no deserto a glória de Deus o encheu (Ex 40:34-35), e Moisés não pode entrasr. Quando o templo de Salomão foi consagrado, a glória de Deus o encheu (1 Rs 8:10-11) e os sacerdotes não puderam entrar. Quando Isaías viu a Deus no santuário, a glória de Deus o encheu (Is 6:4), e as bases do limiar se moveram. Quando Ezequiel viu a glória de Deus encher o templo ele caiu com o rosto em terra (Ez 44:4).
• Essa idéia do Santuário cheio de fumaça, sugere duas idéias:
a) Os propósitos de Deus serão obscuros para os homens – Eles não podem entender nem penetrar nos inescrutáveis planos de Deus.
b) A glória de Deus torna-se inacessível – Agora Deus está inacessível para tudo o mais. O mesmo templo que era lugar de encontro com Deus, agora está fechado, inacessível. Agora não tem mais tempo. Não há mais intercessão. Chegou a hora final. É a consumação da cólera de Deus. É o dia do juízo, quando a ira sem mistura será derramada sobre os ímpios (14:10). Qualquer oposição à sua glória será destroçada.

CONCLUSÃO

1. Estes flagelos são a resposta de Deus ao último e maior esforço de Satanás para derrubar o governo divino.
2. Aqueles que parecem escapar agora do juízo dos homens e de Deus, jamais escaparão do juízo final de Deus.
3. Devemos nos voltar para Deus agora, enquanto é tempo, enquanto ele está perto. Chegará o dia em que será tarde demais.
4. Enquanto o mundo está maduro para o juízo, o mundo de Deus, a Palavra de Deus, e o povo de Deus estão cheios de canções de adoração ao Senhor. A criação foi celebrada com música. O nascimento de Jesus foi celebrado com música. A volta de Jesus será celebrada com música.

Rev. Hernandes Dias Lopes

1 comentário em “A preparação para as taças da ira de Deus”

  1. Como é gratificante,termos um pastor ,que nos abençoa com suas mensagens . Continue abençoando para que cada um dos que tem conhecimento da mesma possa transmitir a outras pessoas.São palavras que nos edifica. Tire cópia e envie a quem não tem a nossa oprtunidade . Vamos ganhar muitas vidas para Jesus.Que Jesus, continue dando cada dia sabedoria ao nosso pastor pra nos deleitamos com a palavra do Senhor.Que Deus o abençoe ricamente em todos setores de sua vida pr.Hernandes

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