A soberania de Deus na história

Referência: Daniel 11. 1-45

INTRODUÇÃO

1. O capítulo 11 de Daniel é sequência do capítulo. É o anjo de Deus que ainda está falando com Daniel. Os reinos se levantam e caem segundo o programa de Deus. Deus é soberano e ele está dirigindo a história.
2. A Babilônia caiu pela mão de Deus. Agora, os reis da Pérsia vão também cair. Cairá também o grande rei da Grécia. As lutas internas que se travarão entre os reinos do Norte e do Sul estão profetizados e nada escapará ao controle divino.
3. Este capítulo 11 de Daniel é a história sendo contada antes dela acontecer. Osvaldo Litz chama esse capítulo de “recortes do futuro”. Deus está levantando a ponta do véu e mostrando o futuro para Daniel (v. 2). Deus escreve a história antecipadamente. As coisas acontecem porque Deus as determinou. A história estava escrita desde a eternidade nos livros divinos (Dn 10:21), mas também seria registrada no livro de Daniel bastante tempo antes que acontecesse.
4. Vejamos dois aspectos: 1) O desdobramento da história; 2) As lições decorrentes desse desdobramento.

I. O DESDOBRAMENTO DA HISTÓRIA SOB A SOBERANIA DE DEUS

1. Os quatro reis persas – v. 1-2
• Daniel fica sabendo que três reis persas sucederão a Dario, o medo, seguidos por um quarto poderoso governante que usará sua grande riqueza para financiar uma guerra completa contra a Grécia.
• Esse quarto rei é Xerxes, mais rico do que todos os seus antecessores (Et 1:4). Usou sua fortuna para formar e manter um imenso exército, com o qual atacou a Grécia.

2. Um rei poderoso da Grécia – v. 3-4

• Aqui há uma referência a Alexandre, o Grande, que morrerá repentinamente após construir seu império, resultando na sua fragmentação em quatro divisões.
• Alexandre conquistou o mundo em dez anos. Morreu aos 32 anos na Babilônia. Afogou-se na sua própria bebedeira e vaidade, segundo João Calvino. Sem herdeiro, seu reino foi dividido num tempo de tramas e conspirações.

3. Os reis da Síria e do Egito – v. 5-20
3.1) A aliança entre a Síria e o Egito (v. 5-6) – A filha do rei do Egito, Ptolomeu Filadelfo, Berenice será dada em casamento ao rei da Síria Antíoco II para assegurar a aliança. Mas o casamento não teve o resultado desejado, ou seja, unir os dois reinos. Com a morte do pai de Berenice, Antíoco II voltou para sua ex-mulher, Laodice e esta envenenou Berenice, o marido, Antíoco II e o filho de Berenice, deixando um clima totalmente desfavorável para uma aliança de Deus entre os dois reinos.

3.2) A derrota da Síria pelo Egito (v. 7-12) – O irmão de Berenice, Ptolomeu III, venceu a batalha para o norte e matou todos os que assassinaram sua irmã. Também levou todos os tesouros da Síria de volta para a sua terra. Por algum tempo houve considerável superioridade dos ptolomaicos sobre os selêucidas. O Reino do Norte impôs ao reino do norte algumas derrotas, mas mesmo diante de circusntâncias desfavoráveis o Reino do Sul, volta a triunfar na batalha (v. 12).

3.3) A derrota do Egito pela Síria (v. 13-16) – Embora o Egito esteja fortificado, ele será destruído. A superiodade do sul durou pouco. O norte teve uma decisiva vitória em Sidom (v. 15). Antíoco, o Grande, rei do norte, parecia invencível. Ninguém era capaz de lhe resistir (v. 16).

3.4) O impasse entre a Síria e o Egito (v. 17-20) – O rei da Síria, Antíoco, o Grande, dará sua filha ao rei do Egito em casamento dara destuir o reino por dentro (v. 17). O rei do Norte para conquistar o sul, mudou de tática. Antíoco concluiu que a melhor maneira de vencer o sul seria através da sutileza. Muito convincentemente, foi ao Egito e contratou o casamento de sua filha, Cleópatra, com o rei Ptolomeu V, que na época contava apenas com 12 anos de idade. O casamento realizou-se cinco anos depois. Pensou que através desse casamento firmaria seu poder sobre o reino do sul. O plano falhou miseravelmente, pois Cleópatra não fez o jogo do pai, ficando do seu lado de seu marido. Assim, a profecia cumpriu-se mais uma vez (v. 17). Antíoco, então, volta-se para conquistar outros mundos, e é fragoramente derrotado (v. 18). Foi uma enorme derrota, causando o fim das ambições territoriais de Antíoco (v. 19). Selêuco Filopater, seu sucessor, mandou confiscar os tesouros do templo de Jerusalém. Mas essa ordem nunca foi cumprida. Crê-se que o emissário responsável por saquear o templo o tenha envenenado (v. 20). Cada detalhe profetizado aconteceu integralmente.

4. Um rei sírio perverso – v. 21-35
• Esta é uma referência a Antíoco IV que chegou ao poder por volta de 175 a.C. Ele deu a si o título de Antíoco Epifânio (ilustre), mas o povo chamava-o Antíoco Epimanes (louco).

4.1) Sua astúcia (v. 21-23) – Ele protegerá seu reino com lisonjas e tramas. Era um homem astuto, poderoso, cruel, tolo, ganancioso e imoral. Era um homem de paixões violentas. Sua ascensão ao trono deu-se por meio de intriga e adulação (v. 21). Logo entrou em guerra contra os Ptolomeus do Egito (v. 22). Ele fará aliança com o Egito para o dominar (v. 23).

4.2) Suas conquistas (v. 24) – Ele sitiará e capturará poderosas fortalezas. Seu reino tornou-se pródigo e imoral. Mas ele ainda ambicionava as fortalezas do Egito.

4.3) Seus confrontos (v. 25-30)
4.3.1) Com o Egito (v. 25-27) – O rei da Síria o derrotará o Egito por causa da traição de alguns em suas próprias fileiras. A guerra resultou em um completo massacre, cumprindo, assim, a profecia (v. 26). Os dois reis se reuniram para um acordo, mas não havia sinceridade em nenhum deles, pois ainda o tempo não havia chegada para cessar a guerra (v. 27).
4.3.2) Com Israel (v. 28-30) – Antíoco retornou ao seu país, rico, ímpio, aparentemente invencível (v. 28). Porém, em 168 a.C., preparou outra campanha contra o Egito, mas desta vez não logrou êxito (v. 29). Os romanos o resistiram (v. 30). Então, ele partiu com raiva para a Palestina e seduziu os judeus apóstatas a se aliarem a ele (v. 30).
4.3.3) Sua crueldade (v. 31-35) – Antíoco Epifânio possuirá um ódio infernal por Israel. Ele profanará o templo e fará cessar os sacrifícios diários (v. 31). Ele levantou um altar pagão no templo e mandou sacrificar um porco no altar e borrifar o sangue no templo. Ele seduzirá os judeus apóstatas (v. 31b-32). Porém, aqueles que conheciam a Deus eram fortes e não cederam nem à sedução nem à violência. Homens com percepção espiritual circulavam entre o povo ensinando as Escrituras (v. 33). Continuaram pregando, mesmo sob perseguição e morte (v. 33-35). Muitos que são sábios morrerão, mas aqueles que sobreviverem permanecerão puros até o fim.

5. Um rei satânico, o Anticristo – v. 36-45
• Esses versos deixam de descrever o protótipo, para descreverem o reinado assustador do anticristo vindouro. A visão termina com a ressurreição e o fim do mundo (Dn 12:1-3).

5.1) A perversidade do anticristo (v. 36-39)

5.1.1) Seu atrevimento (v. 36-37). Ele blasfemará de Deus de forma inimaginável e jamais ouvida antes. Veja ainda (Dn 7:25 e 2 Ts 2:4).

5.1.2) Sua idolatria (v. 38-39). O único deus que o anticristo adora é a força. Ele adorará a si mesmo. Ele adora seu próprio poder.

5.2) A batalha do anticristo (v. 40-45)

5.2.1) Aqueles que ele derrotará (v. 40-44) – Ele varrerá vários países como uma enchente. Esses países não existiam mais (Edom, Moabe e Amom). Eles são um símbolo das nações inimigas do povo de Deus. Nenhum lugar de todo o mundo escapará de sua fúria.

5.2.2) Aquele que o derrotará (v. 45) – O contexto aqui sugere que o próprio Deus desetruirá completamente o anticristo. Isso está de acordo com (Dn 7:26; 2 Ts 2:8).

II. AS LIÇÕES DECORRENTES DA SOBERANIA DE DEUS NA HISTÓRIA

1. A Palavra de Deus é absolutamente confiável
• Daniel foi escrito no sexto século a.C. Ele conta a história minuciosamente antes dela acontecer. Isso prova que a sua origem é divina, sobrenatural. A Palavra de Deus não apenas contém a verdade, ela é a verdade, infalível, inerrante. Assim como ela é confiável nos relatos históricos, também o é em sua revelação acerca de Deus, do homem e da salvação, bem como, da consumação dos séculos.
• É loucura consumada ignorar, negligenciar ou descrer desse livro.

2. Deus é o Senhor soberano da História
• Como poderia o Senhor ter dado a Daniel uma detalhada visão do futuro, se este estivesse fora de seu controle?
• Tudo aconteceu como Deus disse. Ele é quem levanta reis e abate reis. Ele levanta reinos e abate reinos. Tudo está acontecendo como Deus disse. O que fora profetizado se cumpriu.
• Tudo o que ocorre na história, ocorre porque está escrito no livro de Deus. Tudo que acontece está consumando os decretos de Deus. Todas as coisas estão se movendo em direção ao triunfo final de nosso Senhor Jesus Cristo e ao castigo final e eterno dos ímpios.

3. Deus continua sendo Deus, ainda que não o vejamos em parte alguma
• Vimos o anjo anunciando o futuro a Daniel. Nesse relato não há qualquer menção à pessoa de Deus. Há um verdadeiro catálogo de guerras, alianças, casamentos, traições e uma quantidade estonteante de reis surgindo e desaparecendo. O homem ocupa todo o cenário. Frequentemente, temos a impressão de que os acontecimentos são controlados pelo homem mais fote de sua respectiva época. Deus não é mencionado em parte alguma. Aparentemente, é como se a história nada tivesse a ver com ele.
• Mas, mesmo nesse tempo, Deus continua sendo o Senhor da história. Este fato continua sendo verdade, ainda que pareça não existir evidência de que Deus está trabalhando.
• A atenção do mundo estava voltada para os medos e persas, para os gregos ou para os reinos dos Ptolomeus e Selêucidas. Nesse tempo o povo de Deus parecia apagado. Tinha, sim, muita tribulação e perplexidade. Mas nesse tempo, Deus continua sendo o Senhor de toda a história. Quando não pode ser visto, ele está governando os assuntos do mundo e também os destinos do seu povo. Deus continua sendo Deus ainda que não o vejamos em parte alguma.

4. O tempo do fim será de grande angústia para o povo de Deus
• O dia não virá sem antes venha a grande apostasia e se manifeste o homem da iniquidade (2 Ts 2:3-4). Os homens perversos se tornarão ainda piores (2 Tm 3:13). Por isso, precisamos nos acautelar sobre a frivolidade e superficialidade tão característicos do cristianismo contemporâneo. Os dias pela frente serão dias difíceis. Haverá mártires novamente. Ninguém deve abraçar a vida cristã sem calcular o custo de ser discípulo de Cristo.
• Estaremos melhor preparados para enfrentar os últimos dias se entendermos que a história está nas mãos de Deus. Os versos 27,29,35 ultilizam a expressão “porque aquilo que está determinado será feito”. Quando toda a história parece estar fora de controle, Deus ainda tem as rédeas em suas mãos. Se isto não fosse verdade, ele não seria Deus!
• Visto que Deus governa a história, podemos estar certos não apenas do aparecimento do anticristo, mas também do seu aniquilamento.

5. Nenhuma perseguição pode impedir a comunhão do seu povo com Deus nem paralizar seu trabalho para Deus
• Opressores cruéis podem acabar com todas as manifestações públicas de culto, proibir todas as reuniões cristãs e despojar-nos de nosas bíblias e livros cristãos. Podem tornar ilegar todo o serviço cristão, eliminar todas as nossas liberdades, ameaçar-nos com penalidades cruéis e não permitir qualquer comunhão entre o pvo de Deus. Contudo não podem impedir nossa comunhão com Deus nem nosso serviço para Deus (Dn 11:32,33).
• As plantas de Deus não prosperam em estufas, mas em meio ao vento, o granizo, a neve e o calor escaldante.

6. Temos a garantia de que no final o mal será fragorosamente derrotado
• Antíoco Epifânio ameaçou varrer da terra a fé no Deus vivo. Sua campanha de extermínio parecia certa de obter sucesso. Mas não teve. Ele não aniquilou a fé. O altar do templo do Senhor foi novamente levantado. Morreu no seu leito em meio de horrores. Deus soprou ele e ele desapareceu.
• O mesmo tem acontecido com todos os anticristos que se levantam contra a causa de Deus e contra o seu povo. A igreja de Deus ressurge das cinzas e avança vencedora.
• O mesmo acontecerá com o anticristo escatológico. Ele vai parecer imbatível. Será adorado em toda a terra. Mas repentinamente, Cristo descerá do céu e o destruirá pela manfiestação da sua vinda, com o sopro de sua boca.

CONCLUSÃO

• Não está na “predição” o real valor da profecia, mas em nos mostrar tudo acontecendo sob a onipotência de Deus, para que na luz da profecia achemos o caminho certo atgravés de tentações e perigos e estejamos consolados em tudo. Pois para os discípulos de Jesus, sobre todos os acontecimentos do tempo do fim estão também as palavras de Jesus: “Erguei as vossas cabeças, porque a vossa redenção se aproxima.”

• Podemos proclamar com todo fervor, juntamente com as hostes celestiais: “Daí louvores ao nosso Deus, todos os seus servos, os que o temeis, os pequenos e os grandes… Aleluia. Pois reina o Senhor nosso Deus, o Todo-poderoso” (Ap 19:5-6).

Rev. Hernandes Dias Lopes

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