As trombetas começam a tocar

Referência: Apocalipse 8.1-13

INTRODUÇÃO

1. Até aqui vimos duas seções: os sete candeeiros (1-3) e os sete selos (4-7). Agora, estudaremos sobre as sete trombetas (8-11).

2. Não há sucessão cronológica. Este livro tem sete seções paralelas, todas trazendo uma abordagem que vai da primeira à segunda vinda de Cristo. Embora paralelas, são também progressivas. À medida que avançamos para o fim, as cenas vão ficando mais claras. As trombetas falam de um juízo parcial, enquanto as taças falam de um juízo total.

3. O sexto selo falou de catástrofes cósmicas que identificarão a vinda do dia do Senhor (6:17). De maneira semelhante a sétima trombeta anuncia a vinda do fim (11:15).

4. Os selos falam do sofrimento da igreja perseguida pelo mundo (6:9). As trombetas falam do sofrimento do mundo incrédulo em virtude das orações da igreja (9:4). Os selos mostram o que vai acontecer na história até o retorno de Cristo, dando particular atenção ao que a igreja terá de sofrer. As trombetas, começando no mesmo ponto, descrevem o que vai acontecer na história até o retorno de Cristo, dando ênfase no sofrimento que o mundo irá sofrer, como expressão da advertência de Deus.

5. Tanto os selos como as trombetas são interrompidos por um interlúdio (cap. 7) e (cap. 10-11)

I. ANTES DAS TROMBETAS TOCAREM, HOUVE SILÊNCIO E SÚPLICAS NO CÉU – v. 1-5

1. O silêncio no céu pode representar duas verdades – v. 1
a) O céu fica em silêncio para ouvir as orações dos santos – As orações dos santos estão a ponto de serem elevadas para Deus. Quando os santos oram todo o céu faz silêncio para que se possa escutar. As necessidades dos santos significam muito mais para Deus do que todas as músicas do céu. A música celestial silencia para que o clamor dos santos chegue ao trono de Deus.
b) O céu fica em silêncio como atitude de suspense e tremor diante do julgamento de Deus ao mundo – Antes desse tempo havia apenas regozijo e música no céu. Houve a celebração da igreja, dos querubins, dos anjos e de todo o universo. Agora toda a música cessa. Os exércitos celestiais, vendo os julgamentos de Deus que desabarão sobre o mundo, ficam em silêncio. É o silêncio da terrível expectativa dos acontecimentos que estão por vir.

2. As orações dos santos que chegam ao céu – v. 3-5
a) As orações dos santos sobem aos céus – v. 4 – Orar não é apenas um exercício medidativo. Nossas orações sobem à presença de Deus. Quando oramos, unimo-nos a Deus no seu governo moral ao mundo. Assim como o juízo de Deus veio ao Egito como resposta ao clamor do povo de Israel (Ex 3:7-8), assim também, em resposta ao clamor dos santos Deus envia o seu juízo aos ímpios (6:9-10; 8:3-5).
b) As orações dos santos provocam o justo juízo de Deus sobre os ímpios – v. 5 – O mesmo incensário que leva as orações é o incensário que derrama o juízo. O mesmo fogo que queimou o incenso sobre o altar, causa destruição sobre a face da terra. As orações dos santos desatam a vingança de Deus sobre os ímpios. Os trovões, vozes, relâmpagos e terremoto são sinais da advertência do julgamento de Deus que se aproxima. O mundo que perseguiu e oprimiu a igreja agora está sendo alvo do juízo divino em resposta às orações dos santos. Quem é inimigo do povo de Deus é inimigo de Deus. Quem toca na igreja, toca na menina dos olhos de Deus. O julgamento de Deus cairá sobre o mundo em resposta a oração dos santos. “Não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que a ele clamam dia e noite, embora pareça demorado em defendê-los? Digo-vos que, depressa, lhes fará justiça” (Lc 18:7-8). A igreja que ora faz história.
c) As orações dos santos provam que o altar e o trono estão muito próximos – As orações que sobem do altar chegam ao trono. Orar é algo extremamente sério. Quando oramos, estamos nos unindo ao que está assentado no trono. Altar e trono trabalham juntos. Somos cooperadores de Deus na medida que oramos. Não podemos afastar o altar do trono.
d) As orações são de todos os santos e não apenas dos mártires – v. 3 – Isso é uma forte evidência de que o Apocalipse está se preocupando com o destino de toda a igreja na terra em todas as épocas. Os julgamentos de Deus atingem a terra em resposta às orações dos santos.

II. AS TROMBETAS SE PREPARAM PARA TOCAR – V. 6

1. As trombetas são divididas em dois grupos: catástrofes naturais e sofrimentos impostos diretamente aos homens
• As quatro primeiras trombetas falam de catástrofes naturais que atingem a terra, o mar, os rios e os astros. As três últimas trombetas falam de sofrimentos impostos diretamente aos homens. Elas são chamadas também de AIS.
• Em Mateus 24:4-8 e 24:13-22 encontramos uma divisão semelhante.
• As quatro primeiras trombetas se distribuem sobre a terra, mar, rios e astros. Deus derruba o edifício cósmico, que ele próprio levantara (14:7). Seu habitante, o ser humano, até agora tão familiarizado com sua moradia, instalado nela de maneira tão segura, experimenta esse “e houve”. Sua casa está sendo demolida de fora para dentro, o telhado descoberto de cima para baixo e o chão abalado de baixo para cima. Essa irupção do caos anuncia a ira de Deus.
• As trombetas falam dos juízos divinos que precedem a volta de Cristo. Considerar tais descrições como profecias de sentido literal, ou procurar interpretar os símbolos em termos de eventos específicos seria enveredar pelo caminho da fantasia e do grotesco.
• Essas trombetas indicam uma série de calamidades que ocorrem muitas vezes durante toda esta dispensação.

2. As trombetas têm o propósito de advertir os homens e chamá-los ao arrependimento

• O propósito desses juízos preliminares é levar os homens ao arrependimento (9:20). Antes de Deus derramar o seu completo juízo sobre a terra, ele oferece uma oportunidade de arrependimento aos homens. Essa é a ira misturada com a graça.
• Em sua ira Deus se lembra da misericórdia. Entretanto, o sofrimento em si não é suficiente para levar os ímpios ao arrependiemento (9:20; 16:9-10).
• Calamidades terríveis sucedem aos ímpios com o fim de castigá-los por sua oposição à causa de Cristo e por sua perseguição aos santos. Mas por meio desses juízos, Deus está continuamente chamando os ímpios ao arrependimento. A função das trombetas é admoestar.

3. As trombetas são o símbolo das intervenções de Deus na história
a) Pode ter o sonido do alarme convocando para a batalha – É a chegada do perigo. O Cordeiro que está no trono também é o juiz que julga o mundo (Sl 2:1-5). As trombetas avisam a chegada do juízo de Deus sobre a terra.
b) Pode ter o sonido que anuncia a presença gloriosa de Deus – O Sinai tremedou pela manifestação de Deus e ouviram o sonido de fortes trombetas (Ex 19:16,19). A segunda vinda de Cristo, em sua gloriosa manifestação, será acompanhada com clangor de trombetas (1 Co 15:52-53; 1 Ts 4:16).
c) Pode ter o sonido de convocação do povo – Foi uma voz como de trombeta que convocou João ao céu (4:1). Mateus fala do sonido da trombeta que reunirá os escolhidos (Mt 24:31).

4. As trombetas são semelhantes às pragas enviadas ao Egito
• As pragas no Egito foram a manifestação do juízo de Deus em resposta ao clamor do povo de Israel oprimido no cativeiro. Assim, também, as trombetas anunciam os juízos de Deus sobre os habitantes da terra em resposta às orações dos santos.
• A primeira trombeta relaciona-se à sétima praga; a segunda trombeta relaciona-se à primeira praga; a terceira trombeta às águas amargas; a quarta trombeta relaciona-se nona praga.

5. As trombetas mostram que os juízos de Deus são universais
• Estas trombetas de juízo afetam as diferentes partes do universo: terra, mar, rios, astros. Não há em nenhuma parte refúgio para os maus. As quatro primeiro trombetas fazem dano aos maus em seu ser físico; as últimas três causam angústia espiritual: o próprio inferno é aberto.

III. AS TROMBETAS COMEÇAM A TOCAR – V. 7-13

1. A Primeira Trombeta – v. 7
• Há uma tempestade de granizo, fogo e sangue que atinge a terra. Ela é semelhante à sétima praga no Egito com uma chuva de pedra com fogo (Ex 9:23). Aqui, porém, acrescenta-se sangue, o que acentua o seu caráter destrutivo.
• Nessa forma simbólica, o livro de Apocalipse bem como todas as Escrituras, nos diz que calamidades tais como terremotos, vulcões e inundações estão sob a mão de Deus e são parte do seu método de castigar o pecado e de anunciar ao mundo que ele não pode perseguir o seu povo impunemente. Ele é Senhor e exerce punião por tais atos.
• O significado é que o Senhor que está reinando afligirá os perseguidores da sua igreja, desde a primeira até a segunda vinda com vários desastres que sucederão na terra. Esses eventos não podem ser datados. Mas o espaço de habitação das pessoas e seu alimento são durante atingidos.
• Esses desastres “foram atirados à terra”. Esses desastres são controlados no céu. São enviados por aquele que está no trono. Todas as coisas acontecem sob total controle de Deus.
• A destruição ainda é parcial. É apenas o prelúdio do fim. Ainda há chance de arrependimento.

2. A Segunda Trombeta – v. 8-9
• Desde a primeira vinda de Cristo é que os ímpios têm perseguido a igreja. Deus tem enviado o seu juízo sobre o mundo em forma de catástrofes, tragédias, calamidades terríveis, pestilências que atingem a terra e agora também o mar.
• Esta trombeta fala das espantosas calamidades marítimas, bem como de todos os desastres que acontecem no mar. Esse juízo é mais severo que o primeiro. Pois aqui não só há dano na natureza, mas também danos materiais e por inferência de pessoas que viajavam nessas embarcações.
• A ira de Deus queimará todas as seguranças deste mundo. A pesca e a navegação são submetidas a uma tragédia. Aqui tanto o comércio como vidas estão sofrendo. São desastres ecológicos e econômicos em proporções gigantescas.
• A segunda trombeta é semelhante à primeira praga no Egito quando as águas do Nilo transformaram-se em sangue e os peixes morreram (Ex 7:20-21).
• Mais uma vez o juízo permanece delimitado. O juízo ainda não é total.

3. A Terceira Trombeta – v. 10-11

• O juízo agora é que a água doce é transformada em água amargosa, o contrário do que aconteceu em Mara (Ex 15:25). A bênção torna-se maldição. Deus faz sua criação retroceder. Deus ataca a água potável. Estima-se que o maior problema do século XXI não será de energia nem de petróleo, mas de água potável. Os recursos naturais estarão entrando em colapso.
• Pragas têm visitado o mundo, doenças têm provindo de rios e fontes poluídas, e inundações têm ocorrido. Pessoas têm sido destruídas nesses castigos divinos, que são a vara da ira de Deus contra um mundo hostil à sua igreja.
• Os perseguidores ímpios não encontrarão em nenhuma parte do universo verdadeiro descanso nem tampouco gozo permanente. Não somente a terra e o mar, mas também as fontes e os rios durante essa época, estarão contra essas pessoas malignas.
• Às vezes nos esquecemos que as enchentes, as inundações são atos do juízo de Deus. Os jornais anunciam sobre tempestades, inundações, epidemias originados por essas calamidades, mas não explicam que estes juízos são a voz de Deus admoestando os ímpios. Esses desastres naturais são trombetas de Deus chamando os homens ao arrependimento.
• Uma aflição amarga encherá o coração dos ímpios como resultado dessa praga indicada. Muitos homens morrem, mas nem todas. O juízo ainda não é final (8:11). Consequentemente, esse juízo é mais grave do que os outros dois primeiros, pois aqui a morte de pessoas é explícita.

4. A Quarta Trombeta – v. 12
• Os astros, o sol, a lua e as estrelas, desde as suas órbitas lutam contra os inimigos da igreja de Deus. Deus está usando os astros celestes para admoestar aqueles que não lhe servem e perseguem os seus filhos.
• Calamidades têm vindo à humanidade como resultado das coisas que ocorrem nos céus, meteoros caindo sobre a terra, eclipses, tempestades de areia, furacões, tornados e outras calamidades terríveis vindas do céu têm visitado a terra. Essas tragédias são trombetas de Deus alertando os homens a se arrependerem.
• A terra, o mar, os rios e os astros são trombetas de Deus que anunciam o seu juízo e convocam os homens ao arrependimento. O ser humano encontra adversidade em quatro lados, isto é, por todos os lados. É terrível como a bênção vai abandonando uma região após a outra e como o caos vai tomando conta.

5. Uma águia voando no céu, avisando sobre o caráter trágico das últimas três trombetas – v. 13

• João vê e ouve uma águia predizendo as calamidades mais terríveis que sobrevirão aos homens como resultado das últimas três trombetas. Em outras palavras ele estava dizendo: “Se vocês pensam que as coisas que já aconteceram são terríveis, simplesmente esperem, pois coisas piores virão”.
• Em grande voz a águia dizia: “Ai! Ai! Ai dos que moram na terra, por causa das restantes vozes da trombeta dos três anjos que ainda têm de tocar”. A tríplice repetição é ênfase superlativa. As últimas três trombetas são denominadas “Ais”, e isso demonstra que serão pragas extremamente severas. A quinta e a sexta pragas destruirão os homens, enquanto a sétima destruirá as obras dos homens.
• Essas três últimas calamidades serão piores que as primeiras. Elas atingirão não os elementos da natureza, mas diretamente os homens.
• Assim como o povo de Israel foi poupado das pragas que sobrevieram ao Egito, a igreja será poupada das pragas decorrentes das trombetas. Enquanto os selos tratam da perseguição do mundo à igreja, a grande tribulação; as trombetas falam do juízo da ira de Deus sobre o mundo. A igreja não sofrerá essa ira.

CONCLUSÃO

• O que Deus está fazendo aqui, nessas quatro primeiras trombetas?

1) Um dano terrível é infligido à terra e à vegetação, ao mar e seus navios, às águas que o homem bebe e à luz pela qual o homem vê – o meio ambiente, o comércio, os recursos naturais e a visão.

2) Mas o dano é parcial (um terço) e não total; as trombetas soam para advertir e não para destruir totalmente. A maioria da raça humana sobrevive, vendo a ira de Deus manifesta contra o pecado, e tem uma chance para arrepender-se. Aqui vemos a ira misturada com graça. Esses atos de juízo são também expressões de bondade.

3) Os selos mostraram a igreja sofredora clamando por justiça. As trombetas mostram a misericórdia sendo oferecida ao mundo pervertido. A oferta é recusada, e o mundo, de fato, não se arrependerá (9:20).

4) Nunca poderemos afirmar que Deus não deu ao homem a oportunidade de arrepender-se, movendo para isso céus e terra.

Rev. Hernandes Dias Lopes

1 Comentário

  • João Batista da Silva Posted 24 de fevereiro de 2012 18:10

    Para quem pensa que as trombetas ainda vão começar a tocar, esta mensagem pode aguçar seus ouvidos e limpar os seus olhos para perceberem-nas. Que Deus continue ilumnando ao pastor Hernandes

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