Ascenção e queda da grande meretriz

Referência: Apocalipse 17.1-18

INTRODUÇÃO

1. Estamos iniciando a sexta seção paralela (17-19). Mais uma vez veremos que ela culmina, e agora, de forma mais clara, na segunda vinda de Cristo, com sua vitória triunfal sobre seus inimigos.
2. Nessa seção uma forte ênfase é dado à grande Babilônia. Isso, porque esse foi e é um tema fundamental para a igreja de Cristo.
3. O livro de Apocalipse nos mostra cinco inimigos de Cristo: O dragão, o anticristo, o falso profeta, a grande meretriz e os homens que têm a marca da besta. Esse quadro é apresentado nos capítulos 12 a 14.
4. Agora vamos ver a queda desses inimigos em ordem decrescente: No capítulo 17 vemos a história da grande meretriz. NO capítulo 18 a sua queda completa. No capítulo 19 vemos Cristo triunfando sobre todos os seus inimigos em sua segunda vinda.
5. O capítulo 17 nos aponta três quadros: O primeiro faz uma descrição da grande meretriz. O segundo, descreve a besta. O terceiro, fala da vitória de Cristo e da sua igreja.

I. A DESCRIÇÃO DA GRANDE MERETRIZ – V. 1-6,18

1. O contraste entre a noiva e a meretriz e a nova Jerusalém e a grande Babilônia
• João recebe uma visão (17:1) e ele pode contrastar essa visão com outra (21:9). Ele é chamado para ver a queda da falsa igreja e o triunfo da igreja verdadeira.
• O diabo sempre tentou imitar a Deus. Assim é que temos o contraste entre a noiva e a meretriz, a cidade santa e a grande Babilônia. A noiva fala da igreja verdadeira, a meretriz da igreja apóstata. A Babilônia fala da cidade do mundo, a nova Jerusalém da cidade de Deus.
• As duas figuras representam a mesma coisa: a mulher e a cidade. Ambas as figuras representam a falsa igreja.
• A mulher aqui descrita é o sistema eclesiástico de Satanás. Todos os sistemas idólatras são meretrizes, suas filhas.
• A grande Babilônia não é apenas uma cidade, mas também é a grande meretriz. A Babilônia já havia sido mencionada (14:8; 16:19). Em ambas sua queda já havia sido prevista.

2. A grande meretriz é conhecida pela sua influência mundial – v. 1,15
• A religião prostituída está presente em todos os povos. Onde Deus tem uma igreja verdadeira, Satanás levanta a sua sinagoga.
• A Babilônia não é apenas cultura sem Deus, mas também cultura contra Cristo. Ela sempre entra em conflito com seguidores do Cordeiro. Ela sempre tomará um rumo anticristão se a igreja for verdadeiramente igreja.

3. A grande meretriz é conhecida pela sua riqueza – v. 4
• Suas vestes são de escarlate. Está adornada de ouro e pedras preciosas e pérolas. Ela segura em sua mão um cálice de ouro. A religião prostituída, o mundo, faz ostentação da sua riqueza e do seu luxo.
• Este quadro é uma descrição perfeita do mundo à parte de Cristo, blasonando de sua riqueza, de sua alimentação, de seus banquetes, de seus carros, de seu equipamento, de seu vestuário e de toda a sua beleza e glória.
• A meretriz é atraente e repulsiva ao mesmo tempo. De baixo de suas vestes de púrpura esconde suas abominações repulsivas.

4. A grande meretriz é conhecida pela sua sedução – v. 2,4,5
• A igreja falsa sempre se uniu aos reis e governos mundanos numa relação devassa. O estado sempre procurou se unir à religião para conseguir os seus propósitos.
• Essa metriz não se prostitui apenas com os reis, mas dá a beber do vinho da sua devassião a todos os habitantes da terra. Ela é uma religião popular. Ela atrai as multidões. Ela não impõe limites.
• As heresias, o liberalismo e sincretismo são expressões dessa grande meretriz que seduz os homens a viverem na impiedade e na devassidão.
• O copo é de ouro, mas no interior do corpo tem devassidão (v. 4b). O que isso significa: As revistas pornográficas, o luxo, a fama, o poder mundano, as concupiscências da carne.
• Os governos anticristãos não destróem todos os edifícios da igreja, mudam alguns deles em lugares de diversão mundana. O mundo ao mesmo tempo que seduz os ímpios, persegue os cristãos. A ordem de Deus para os fiéis é sair do meio dela (Ap 18:4).

5. A grande meretriz é conhecida pela sua violência – v. 6

• A meretriz que vive no luxo tem duas armas: sedução e perseguição. Ele seduz, mas também mata. Ela atrai, mas também destrói. Ela está embriada não de vinho, mas do sangue dos santos e dos mártires. Não podemos fazer distinção entre o sangue dos santos e o sangue dos mártires. Eles são santos porque pertencem a Deus; são mártires porque morreram por ele.
• A Babilônia foi Roma, foi a Roma papal, é o mundo em todo tempo, em todo lugar que seduz e destrói aqueles que amam a Deus. A meretriz é aquela que sempre se opõe à Noiva.
• A meretriz sempre quis destruir a Noiva do Cordeiro. Ela tem perseguido e matado muitos crentes ao longo da história.
• Essa meretriz era Roma nos dias de João (Ap 17:18). Os santos eram despedaçados em seus circos para a diversão e passatempo do público. Depois vieram as fogueiras inquisitoriais e os massacres dos governos totalitários. 150.000 pessoas morreram pelas mãos da inquisição somente em trinta anos. Desde o princípio da Ordem dos Jesuítas em 1540, supõe-se que 900.000 pessoas pereceram sob a crueldade papal.

6. A grande metriz está associada com a besta – v. 3

• A igreja apóstata vai se aliar à besta. Ela está sentada sobre os povos (v. 1) e sobre a besta (v. 3) sobre os quais a besta governa (Ap 13:7-8).
• A besta é o movimento perseguidor anticristão durante toda a história, personificado em sucessivos impérios mundiais. A besta é passada, presente e futura.
• A meretriz representa o mundo como o centro de sedução anticristã em qualquer momento da história.
• Essa meretriz é personificada como a cidade de Roma na época de João (Ap 17:18). A cidade imperial atraia com seus prazeres os reis das nações. Roma era uma cidade louca pelos prazeres.
• No fim, a besta vai se voltar contra essa própria igreja apóstata para destrui-la, visto que desejará ser adorada como se fosse Deus (v. 16).

II. A DESCRIÇÃO DA BESTA – V. 7-17

1. A besta que João vê é a mesma que emergiu da terra – v. 7-8
• Essa besta recebe o trono do dragão, seu poder e autoridade. Essa besta é temida e ninguém é considerado capaz de enfrentá-la. Essa besta recebe adoração de pessoas de todos os povos e nações. Essa besta é um sistema de governo anticristão e uma pessoa.
• A besta é uma expressão de todo o governo anticristão que persegue a igreja ao longo dos séculos e será um homem escatológico que receberá o poder do dragão para governar um breve tempo.

2. A besta tem algumas características distintivas
a) A besta era, não é, está para emergir do abismo e caminha para a destruição (v. 8) – A besta foi a personificação dos grandes impérios do passado. Já não é porque esses impérios caíram. Está para emergir porque antes da segunda vinda, o anticristo se levantará para caminhar para a destruição.
b) As sete cabeças da besta são sete montes e também sete reis (v. 9) – Ao mesmo tempo que João descreve tanto o anticristo como a metriz como Roma (v. 9,18). A Roma imperial era a expressão do governo anticristão, que age com sedução e violência. MAS João olha para o anticristo e vê nele também sete reis, ou sete reinos mundiais anticristãos: Egito, Assíria, Babilônia, Pérsia, Grécia, Império Romano, Reino do anticristo.
c) Cinco reinos caíram, um existe, e outro ainda não chegou e quando chegar terá que durar pouco (v. 10) – Os cinco primeiros impérios já caíram. Agora João vê o Império Romano. Mas o reino do anticristo escatológico ainda não chegou e quando chegar vai durar pouco. Os Reformadores entenderam que essa sétima cabeça é o Papado Romano.
d) Os dez chifres são dez reis (v. 12-13) – Esses reis são um símbolo de todos os reinos do mundo que darão suporte para o levantamento do anticristo, para se levantar contra Cristo e sua igreja.

3. A besta se voltará contra a meretriz para destrui-la – v. 16
• Aqui o quadro muda. Por uma razão não explicada se forma uma espécie de guerra civil na sede da besta. A besta e os dez reis se voltam contra a meretriz para devastá-la. É uma espécie de caos entre os inimigos de Deus, quando eles se levantam para se destruirem (Ez 38:21)
• O mundo vai destruir a si mesmo. O reino de Satanás vai estar dividido contra si mesmo e não vai prevalecer. Os homens estarão desiludidos com os seus próprios prazeres.
• Babilônia será despida, ridicularizada e exibida em toda a sua imundícia como bruxa que ela realmente é. A maquiagem e o adorno serão tirados, e ela será exibida em sua terrível nudez e imundícia. A Babilônia vai cair! (Ap 18:2).
• Os homens vão estar enfatuados com seus prazeres, mas também não se voltarão para Deus e por isso serão destruídos. Os prazeres do mundo passam. Eles não satisfazem a alma.
• O sistema do mundo entrará em colapso. Os dez reis marcharão primeiro com a besta para a batalha final contra o Cordeiro. Batidos pelo Cordeiro (v. 14), eles se voltam com fúria cega contra a mulher, a fim de delacerar aquela que até aqui carregaram com admiração (v. 2). A derrota diante de Cristo, portanto, é seguida da autodestruição do mundo anticristão. Assim, o mundo em discórdia contra o Cordeiro, cai em discórdia contra si mesmo.

4. A soberania de Deus domina até mesmo sobre os seus inimigos – v. 17
• A soberania de Deus é absoluta no universo. Os reis da terra e até mesmo a besta estão debaixo da soberania absoluta de Deus. Ele traz esses inimigos com anjóis em seus queixos para que eles bebam do cálice da sua ira e sofram a sentença do seu juízo eterno.

III. A DESCRIÇÃO DA VITÓRIA DE CRISTO E DA IGREJA – V. 8,14

1. A vitória de Cristo é devida ao seu sacrifício – v. 14
• Crito é o Cordeiro. O cordeiro foi morto e comprou com o seu sangue aqueles que procedem de toda tribo, povo, língua e nação (Ap 5:9). A igreja vence o dragão pelo sangue do Cordeiro (Ap 12:11). O Cordeiro de Deus é vencedor em todas as batalhas. Cristo saiu vencendo e para vencer.

2. A vitória de Cristo é devida à sua suprema posição – v. 14
• Ele é o Rei dos reis e o Senhor dos senhores. Seu nome é acima de todo nome. Diante dele todo joelho precisa se dobrar. Quando ele vier na sua glória vai matar o anticristo com o sopro da sua boca (Ap 11:11-19; 16:14-21; 19:11-21; 2 Ts 2:8).
• Pode parecer que durante algum tempo as forças anticristas pareçam estar ganhando o domínio (Ap 11:7; 13:7), mas quando o anticristo estiver parecendo vitorioso, sua derrota será fragorosa e final.

3. A vitória de Cristo será completa sobre todos os seus inimigos – v. 8-11, 12-14, 15-16
• A felicidade dos ímpios despedaça-se como felicidade falsa. João vê o fim da besta (v. 8-11), o fim dos dez reis (v. 12-14) e o fim da mulher meretriz (v. 15-16).
• Apocalipse 19:20 mostram que tanto o anticristo como o falso profeta serão lançados no lago do fogo.

4. A igreja vencerá junto com Cristo – v. 8,14
• A igreja é a Noiva do Cordeiro. Ela é a cidade santa. A igreja vence o dragão, a meretriz e a besta. A igreja é mais do que vencedora. Embora, algumas vezes, é uma igreja mártir, mas sempre uma igreja vencedora!
• Se a besta tem os seus selados, que vão perecer com ela. Cristo também tem os seus selados, cujos nomes estão escritos no Livro da Vida e vão reinar para sempre com ele.
• A igreja não é apenas um grupo de chamados e eleitos, mas também de fiéis. A prova da eleição é a fidelidade a Cristo. Quem não é fiel não dá provas de que é eleito.

CONCLUSÃO

1. Os prazeres do mundo terminam em desilusão, fracasso, ruína, derrota e perdição eterna.
2. Aqueles que se deixam seduzir pela riqueza, prazeres do mundo, ao fim, estarão fascinados pela besta em vez de serem seguidores do Cordeiro.
3. Aqueles cujos nomes estão escritos no livro da Vida enfrentarão vitoriosamente quer a sedução do mundo, quer a violência do mundo. Eles vencerão com o Cordeiro.
4. A vitória de Cristo é completa e final!

Rev. Hernandes Dias Lopes

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