Como conciliar os decretos de Deus com a oração

Referência: Daniel 9.1-19

INTRODUÇÃO

1. Uma das perguntas mais frenquentes que ouço é: Se Deus já decretou todas as coisas, se Deus já sabe de antemão todas as coisas, vale a pena o povo de Deus ser despertado para a oração?
2. A Bíblia tem muito a nos ensinar sobre essa questão:
a) Jonas pregou sobre a destruição de Nínive, o povo se converteu e Deus suspendeu o mal e poupou o povo;
b) Abraão orou por Sodoma e quando Deus estava destruíndo a cidade, lembrou-se Deus de Abraão e salvou Ló;
c) O Pentecoste foi prometido, mas os discípulos o aguardaram em unânime perseverante oração;
d) Jesus prometeu que vai voltar para buscar a sua igreja, mas a Bíblia nos ensina a orar: Ora, Vem Senhor Jesus!
e) Daniel leu nos livros que o cativeiro do povo duraria 70 anos, mas ele colocou-se na brecha da oração em favor do povo.
3. Essa oração de Daniel é uma das mais importantes da Bíblia. Temos aqui várias lições:

I. OS PRESSUPOSTOS DA ORAÇÃO – V. 1-2

1. Uma vida dedicada à oração – Nabucodonosor havia levado Judá para o cativeiro em 606 a.C. Daniel foi levado para a Babilônia aos 14 anos. Agora Daniel tem 82 anos. Encontramo-nos no ano 536 a. C., o primeiro de Dario, o medo. Daniel orou quando adolescente (capítulo 1). Orou com seus amigos (2:17,18). Daniel orava 3 vezes por dia com janelas abertas para Jerusalém. Daniel está orando aqui no capítulo 9. O decreto de Deus era que o cativeiro seria de 70 anos, mas a determinação de Deus passaria pela oração de quebrantamento do seu povo. Aqueles anos de cativeiro ainda não tinha trazido quebrantamento ao povo. O sofrimento não o fizera voltar-se para Deus. Daniel não se sentiu desanimado de orar por causa do decreto, ao contrário foi mais encorajado a fazê-lo.
2. Uma vida dedicada à integridade – Daniel permaneceu firme naqueles 68 anos de cativeiro. Foi provado, mas nunca sucumbiu ao pecado. Algumas vezes preferiu a morte que pecar contra Deus e Deus o honrou. A Babilônia caiu, mas Daniel continuou de pé. Agora, no Império Medo Persa é o segundo homem mais importante. Nem as provas nem a promoção o corromperam.
3. Uma vida dedicada ao estudo da Palavra – Nesse capítulo vemos Daniel estudando os livros? Daniel tinha visões, mas nunca abandonou a Bíblia. Está examinando os rolos do Livro de Jeremias, quando descobre 25:8-11 e 29:10-14 falando do cativeiro e da libertação. A vida de Daniel é construído sobre esses dois pilares: oração e Palavra.

II. A PREPARAÇÃO PARA A ORAÇÃO – V. 3

1. Uma busca intensa – Daniel voltou o rosto ao Senhor. Isso demonstra a intensidade da sua oração. Ele tinha vida de oração metódica e regular, mas agora, esse homem se concentra em oração.
2. Um clamor fervoroso – Daniel ora e suplica. O decreto de Daniel o levar a ser mais infático na sua oração e clamor.
3. Uma urgência inadiável – Quem jejua tem pressa. Quem jejua não pode protelar. Daniel tem urgência no seu clamor. Faltam apenas mais dois anos para o cumprimento da profecia e ele não vê no seu povo o quebrantamento. Ele sabe que a profecia passa pelo arrependimento do povo. Por isso, ora com tanta urgência.
4. Um quebrantamento profundo – Ele se humilha. Ele veste com pano de saco e cinza. Ele era um homem do palácio. Ele se despoja da sua posição.

III. OS ATRIBUTOS DA ORAÇÃO – V. 4-19

1. Adoração – v. 4
a) Reverência (v. 4) – Sua oração nao era daquele tipo PAIZINHO tão popular hoje, que descreve intimidade na verbalização, mas distância na comunhão. Daniel tinha intimidade com Deus, mas reconhece a majestade e a grandeza de Deus diante de quem os serafins cobrem o rosto. Confiança filial não é inconsistente com profunda reverência.
b) Fé (v.4) – Daniel adora a Deus por causa da sua fidelidade ao pacto. Ele pode confiar em Deus por saber que Deus é fiel à sua própria palavra. Daniel adora a Deus também por causa da misericórdia e prontidão em perdoar (v.4,9).

2. Contrição v. 5-15
a) A confissão é coletiva (v.7,8) – Daniel compreende que ele, os líderes do seu povo e o povo pecaram contra Deus. Aqui não há justificativas nem transferência de culpa. Todos pecaram. Todos são culpados: os líderes e o povo. Deus falou e eles não ouviram. Deus ordenou e eles não obedeceram. Deus fez grandes maravilhas e eles não agradeceram.
b) A confissão é específica (v.5,6) – Daniel não faz confissões genéricas: Daniel usa vários termos para expressar o pecado do povo: pecado, iniquidades, procedimento perverso, rebeldia, desvio dos mandamentos e juízos (v. 5), desobediência (v. 10), transgressão da lei (v. 11), procedimentoperverso (v. 15).
c) A confissão é sincera (v. 7,14) – Daniel está corado de vergonha. Ele sabe que os males que vieram sobre o povo foram provocados pela desobediência e rebeldia do povo. O pecado trás opróbrio, vergonha, dor, humilhação, derrota.
d) A confissão é consciente da justiça divina (v. 7,11,14) – Daniel reconheceu que as aflições do povo são por causa do seu pecado e por isso Deus é justo em castigar o seu povo (v. 11).
e) A confissão reconhece a dureza do coração do povo (v. 11,12,13) – Daniel entende que o mal veio sobre o povo por causa do seu pecado. Deus já havia alertado o povo sobre esse perigo. Mas a despeito da maldição ter vindo, do mal ter chegado, o povo ainda não havia se quebrantado. O povo não tinha atendido nem a voz do chicote de Deus.
f) A confissão reconhece a ingratidão do povo (v. 15) – Deus tirara Israel do Egito com mão forte e poderosa. Realizara tantos milagres e providências em sua vida e o engrandecera aos olhos das nações. Mas, Israel em vez de agradar a Deus rebelou-se contra ele.

3. Petição – v. 16-19
a) Pedidos específicos (v. 16-18) – Daniel pediu por Jerusalém e pelo monte santo (v. 16). Pediu pelo templo assolado (v. 17). Pediu pela cidade que é chamado pelo nome de Deus (v. 18).
b) Pedidos urgentes (v. 19) – Daniel tem pressa. Ele não pode esperar. Ele pede a Deus urgência na resposta.
c) Pedidos importunos (v 15-19) – 1) No verso 15 ele diz: Já fizeste grandes coisas por esse povo, não o farás de novo? Não peço algo novo, mas o que já fizeste no passado. 2) No verso 16 Daniel diz: É a tua cidade. É o teu monte santo. Não deveria então fazer algo por eles? É o teu povo que está sendo desprezado. Ficará Deus impassivo? 3) No verso 17 Daniel diz: O teu santuário é o único lugar que escolheste para tua habitação. Deixaria tu este lugar desolado para sempre? 4) No verso 18 Daniel diz: É a cidade chamada pelo teu nome. O apelo de Daniel não é que Deus simplesmente liberte o seu povo, mas que o faça por amor do seu nome. É a glória do nome de Deus que está em jogo e que ele busca. Não é simplesmente por causa do povo. Ele não o merece. É por causa do nome de Deus! A desolação refletirá no caráter de Deus. AS pessoas poderão questionar seu poder e sua bondade. Se Deus não agir, seu nome será blasfemado. 5) No verso 19 – A oração alcança seu ápice. Quando foi a última vez que você orou assim? Esse é o tipo de oração que Deus ouve. Precisamos conhecer as promessas de Deus e orar por elas dessa forma. Quando um remanescente ora dessa forma a história é mudada.
d) Pedidos cheios de clemência (v. 19) – Daniel não pede justiça, mas misericórdia. Ele pede perdão. Ele não pede por amor ao povo, mas por amor a Deus.
e) Pedidos fundamentados na misericórdia (v. 18) – A A oração verdadeira é sempre marcada por profunda humildade. Nossas orações devem ser fundamentadas não na justiça humana, mas na misericórdia divina. Não nos méritos do homem, no nome de Jesus.

IV. CONCLUSÕES PRÁTICAS

1. O espírito de oração deve caracterizar todos os filhos de Deus.
2. A Palavra de Deus lida deve nos desafiar a uma intensa vida de oração.
3. Os filhos de Deus devem se aplicar profundamente à prática de intercessão.
4. Os decretos de Deus nos encorajam a orar com mais fervor.

Rev. Hernandes Dias Lopes

2 comentários em “Como conciliar os decretos de Deus com a oração”

  1. Obrigada Senhor por essa orientação.
    Que as minhas orações seja dirigida pelo seu Espírito Santo dentro da sua palavra.
    Para que seu nome seja glorificado a cada resposta de oração.

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