Como viver à luz da verdade

INTRODUÇÃO

1. Esta carta aprsenta alguns problemas que precisamos resolver antes de considerar o seu conteúdo. Primeiro, para quem João está escrevendo?

a) Para uma mulher cristã e seus filhos – Os versos 1,4,5,13 estão no singular.
b) Para uma mulher chamada Electa e seus filhos – Uma mulher escolhida de Deus e seus filhos.
c) Para Maria – visto que Maria foi assistida por João e este escreve para Éfeso.
d) Entendemos, entretanto, que João está escrevendo para a igreja – João usava o plural nesta carta (v. 6,8,10,12).
e) Pode ser que João tem em mente tanto a irmã que tinha a igreja em sua casa, quanto à comunidade toda que estava em sua casa – 1 Co 16:19; Cl 4:15; Rm 16:5; Fm 2.

2. Por que João usou a expressão “irmã eleita” sem citar seu nome ou o nome da igreja? Por que João usou esse disfarce? Nós só temos conjeturas sobre a razão. Pode ter sido por razões de prudência em dias em que a perseguição à igreja já se tornava tão furiosa.

3. Esta carta bem como a terceira carta tratam da questão da hospitalidade aos pregadores itinerantes. No primeiro século os hotéis ou pensões eram quase desconhecidos. Também as pensões antigas ficam a pequena distância das casas de má fama. As pensões eram notoriamente sujas e infestadas de pulgas. Era natural assim que os cristãos, em suas viagens fossem hospedados nas casas dos membros das igrejas locais. No Novo Testamento vemos isso: Paulo foi hospedado por Lídia em Filipos, por Jasom em Tessalônica, por Gaio em Corinto, por Filipe em Cesaréia por Mnason em Jerusalém (At 16:15; 17:7; Rm 16:23; At 21:8,16).

4. O propósito de João é alertar os crentes para não hospedarem em suas casas pessoas que estão pregando heresias (v. 10,11).
5. Nesta breve carta João nos dá um perfil de uma família e de uma igreja fiel:

I. NÓS DEVEMOS CONHECER A VERDADE – V. 1-3

1. João usou a palavra verdade quatro vezes nesta saudação. Portanto, esta é uma importante para palavra. Ela representa realidade em oposição a mera aparência. Jesus é a verdade (Jo 14:6). A Palavra de Deus é a verdade (Jo 17:17). Deus revelou a verdade na Pessoa do seu Filho e na sua Palavra escrita. Ele deu-nos o Espírito da Verdade para ensinar-nos e capacitar-nos a conhecer a verdade (Jo 14:16:17); 16:13).

2. Mas a verdade não é apenas uma revelação objetiva do Pai, mas também uma experiência subjetiva em nossas vidas. Nós devemos não apenas conhecer a verdade, mas também amar na verdade e viver por amor da verdade. Assim, conhecer a verdade é muito mais do que simplesmente dar um assentimento intelectual a um corpo de doutrinas, mas é viver controlado pelo amor da verdade e desejar magnificar a verdade. João abrindo esse carta com uma nota sobre a verdade porque havia falsos mestres pregando heresias no meio da igreja. João os chamou de enganadores e anticristos (v. 7). João estava dizendo que havia uma mortal diferença entre verdade e erro e que os crentes não podiam tolerar o erro.

3. Como os crentes podem conhecer a verdade e se tornar filhos de Deus? É através da graça e da misericórdia de Cristo. Não é o amor de Deus que nos salva, mas a obra de Cristo. Quando experimentamos a graça e a misericórdia, recebemos a paz! (v. 3). João estabelece aqui com clareza a divindade de Cristo. Veja que ele une o Pai e o Filho (v. 3). João não diz: “… da parte de Deus Pai e do profeta Isaías”. Assim, quem nega o Filho também não tem o Pai” (1 Jo 2:23).

4. A fé cristã mantém-se de pé ou cai dependendo da maneira como ele vê a doutrina da divindade de Cristo. Se ele é somente um homem ele não pode salvar-nos. Se ele não se encarnou também não pode se identificar conosco. Se queremos ser uma igreja que se mantém fiel à verdade de Deus precisamos nos agarrar à verdade revelada na Palavra. Devemos não apenas aprender a verdade com a mente, mas também amá-la com o nosso coração e vivê-la com a nossa vontade.

5. Que Deus nos ajude a ser uma família e uma igreja que tenham o compromisso de ensinar a verdade, de amar a verdade, de viver na verdade.

II. NÓS DEVEMOS ANDAR NA VERDADE – V. 4-6

1. Andar na verdade significa obedecer a verdade e permitir que ela controle cada área da nossa vida. Este parágrafo abre e fecha com uma ênfase sobre obediência. Não basta apenas estudar a verdade e discutir a verdade, precisamos sobretudo praticar a verdade. Há crentes que ao mesmo tempo que defendem a verdade, desobedecem a verdade.

2. Há pessoas ortodoxas de cabeça e hereges de conduta. Há pessoas que ainda combatem o pecado em público e o praticam em secreto. Os pecados do líder são mais hipócritas e perniciosos que os pecados dos demais. Mais hipócritas porque eles pecam contra um maior conhecimento e mais perniciosos, porque ao mesmo tempo que eles o combatem em público, eles o praticam em secreto.

3. Há um abismo entre o que as pessoas professam e o que as pessoas vivem. Entre o que crêem e o que vivem.

a) A alegria do apóstolo – v. 4a
• A alegria do apóstolo é que alguns crentes ou filhos estavam andando na verdade – Certamente alguns crentes haviam se desviado e seguido os enganadores, mas havia também aqueles que se mantinham fiéis e permaneciam firmados na verdade. Poucas coisas quebram tanto o coração de um pastor do que ver alguns crentes desobedientes ou rebeldes que não se submetem à autoridade da Palavra de Deus. Exemplo: Minha experiência em Itapeva e Uberlândia.

b) O argumento do apóstolo – v. 4b
• João argumenta que Deus tinha dado um mandamento para andarmos em verdade e amor – A palavra mandamento – aparecem 4 vezes neste parágrafo. Os mandamentos de Deus focalizam a verdade sobre áreas específicas da vida. Veja que os mandamentos são dados pelo Pai – Cada mandamento é uma pressão de amor e não simplesmente uma lei. Assim, a obediência deve ser uma expressão do nosso amor e não do nosso medo (1 Jo 5:3). Os falsos mestres tentam fazer os mandamentos de Deus parecer muito pesados e difíceis, então, eles oferecem aos conversos uma “verdadeira liberdade” (2 Pe 2:19). Mas a maior liberdade está na obediência à perfeita vontade de Deus. Quem ama a Deus não acha os seus mandamentos penosos.

c) O apelo do apóstolo – v. 5-6
• O apelo do apóstolo é que nos amemos uns aos outros – O amor ao próximo é antigo, é da lei (Lv 19:18,34), mas em Cristo esse mandamento recebe uma nova ênfase e um novo exemplo (Jo 13:34). O fruto do Espírito é amor. A essência do Cristianismo é amor. Sem amor não podemos dizer que amamos a Deus nem ao próximo. Quem não ama está morto. Quem não ama está nas trevas. O amor cristão não é sentimento e emoção, mas um ato da vontade. Isso significa tratar as outras pessoas do mesmo jeito que Deus nos trata. Assim, quando as pessoas são rudes conosco, nós podemos ser amáveis com elas. Quando elas nos dirigem uma palavra dura, podemos oferecer uma resposta branda. Quando elas nos maldizem, podemos abençoá-las. Quando elas nos perseguem, podemos nós orar por elas. Para João amor e obediência caminham juntos. Não podemos separar o nosso relacionamento de Deus do nosso relacionamento com os irmãos (1 Jo 4:20). Assim, este parágrafo mostra a importância da verdade, da obediência e do amor.

III. NÓS DEVEMOS NOS APEGAR À VERDADE – V. 7-11

1. João agora se volta dos filhos, para os enganadores e falsos profetas. Os enganadores eram mais que que pessoas que ensinam falsas doutrinas, eles também conduziam as pessoas a uma vida errada. Isso porque verdade e vida caminham juntas. Doutrina errada e vida errada caminham juntas.
 
2. De onde esses falsos mestres saíram? 1) Do mundo – Atos 20:29; 2) Da igreja – Atos 20:30; 1 Jo 2:19

3. Observe que são muitos enganadores. Por que? 2 Pedro 2:2 mostra que é porque eles abrem o caminho para a prática do pecado. Nada de preceitos. Nada de princípios. Tudo é permitido. Nada é proibido. É vida liberal. Vale tudo. Nada tem nada a ver.

4. Os enganadores são também anticristos (no lugar de + contra) . Eles não apenas negam a verdade, mas a substituem e oferecem um outro Cristo que não o Cristo Filho de Deus. Os enganadores se apartaram da doutrina de Cristo e da igreja de Cristo. João aponta para três perigos que a igreja e os membros enfrentram em relação aos enganadores:

a) O Perigo de voltar atrás – v. 8
• Este é o perigo de perder aquilo que já se ganhou. Os falsos mestres oferecem alguma coisa que você não tem, quando na realidade eles tiram o que você já tem. Satanás é ladrão e não seu ajudador. João quer que seus filhos na fé recebam pleno galardão em ver de ser espoliados. Que coisa triste é ver um obreiro investir sua vida para a edificação de uma igreja e de repente ela é minada pelo veneno enganador das falsas doutrinas (Gl 4:11).

b) O Perigo de ir além – v. 9
• O perigo aqui é ir além dos limites da Palavra de Deus e acrescentar à ela alguma coisa. A Palavra de Deus é inerrante, infalível e suficiente. Ela tem uma capa ulterior. Tudo que Deus tem para nós já está revelado. Ainda que um anjo venha revelar algo que está além deve ser anátema. Algumas pessoas estão ensinando coisas novas. Dizem que é uma nova unção de Deus, é um novo ensino de Deus, que é uma nova revelação de Deus. Isso é cair nas malhas dos enganadores! Exemplo: Os apóstolos que se reuniram para ungir o Brasil.
• Tanto o Liberalismo como o Misticismo pragmático estão descanbando para esse engano. Os liberais são chamados de Modernistas. Mas não tem nada de moderno nisso. Isso é tão antigo como o diabo (Gn 3:1).

c) O Perigo de ir junto – 10-13
• Não ofereça hospitalidade aos enganadores – A hospitalidade era uma prática de amor cristão (Rm 12:13; 1 Tm 3:2; 5:3-10; Hb 13:2; 1 Pe 4:8-10), mas hospedar os falsos mestres é desobedecer a Palavra de Deus. A doutrina de Cristo é um teste da verdade, uma base para a comunhão e um vínculo para a mútua cooperação. Exemplo: As testemunhas de Jeová, as doutrinas forâneas às Escrituras hoje.
• O motivo para não oferecer a hospitalidade – Dar boas vindas é ser conivente e partícipe e cúmplice das suas obras iníquas. A heresia não é apenas um infortunado erro, mas também uma obra iníqua. Pode enviar almas à ruína eterna. Se não queremos favorecer essa obra iníqua, é preciso que não ofereçamos nenhum incentivo ao que a realiza.

Rev. Hernandes Dias Lopes

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