Da sepultura para o trono

Referência: EFÉSIOS 2:1-10

INTRODUÇÃO

• O primeiro capítulo de Efésios acentuou o amplo alcance do plano de Deus, o qual inclui o universo todo e se estende de eternidade a eternidade. O capítulo dois mostra a historificação desse plano na vida do seu povo, através de uma ressurreição espiritual dos crentes.
• Tendo descrito nossa possessão espiritual em Cristo, Paulo volta agora para a nossa posição em Cristo. Nós fomos tirados da sepultura e conduzidos ao trono. Paulo primeiramente sonda as profundezas do pessimismo acerca do homem, e depois sobe às alturas do otimismo acerca de Deus.
• O que Paulo fez neste parágrafo é pintar um contraste vívido entre o que o homem é por natureza e o que pode vir a ser mediante a graça de Deus.
• Vejamos as quatro grandes obras realizadas na vida do homem que saiu da sepultura para o trono.

I. A OBRA DO PECADO CONTRA NÓS – V. 1-3

1. O homem está morto – v. 1
• É claro que isto significa espiritualmente morto. Antes de Cristo estávamos vivos para as atrações do pecado, mas mortos para Deus. O homem é incapaz de entender e apreciar as coisas espirituais. Ele não possui vida espiritual e ele não pode fazer nada que possa agradar a Deus. Assim como uma pessoa morta fisicamente não responde a estímulos físicos, assim também uma pessoa morta espiritualmente é incapaz de responder aos estímulos espirituais.
• Um cadáver não vê, não ouve, não sente, não tem fome, nem tem sede. Ele está morto. Assim também uma pessoa morta espiritualmente não tem percepção das coisas espirituais.
• A causa da morte são os delitos e pecados – delitos (dar um passo em falso) e pecados (errar o alvo). O salário do pecado é a morte (Rm 6:23). Morte é separação. Assim como a morte separa o corpo da alma, a morte espiritual separa o homem de Deus (Is 59:2). É como se o mundo todo fosse um imenso cemitério e cada pedra tumular tivesse a mesma inscrição: “Morto por causa do pecado”.
• O incrédulo não está apenas doente, ele está morto – Ele não necessita apenas de restauração, mas de ressurreição. Não é reforma, é nascer de novo. O mundo é um grande cemitério, cheio de pessoas que estão mortas espiritualmente, embora ainda vivas fisicamente.

2. O homem é desobediente – v. 2-3a
• Há três forças que levam o homem a esta desobediência: o mundo, o diabo e a carne.
2.1. O Mundo
? O sistema do mundo pressiona cada pessoa para se conformar com os seus valores (Rm 12:2). Quem ama o mundo não pode amar a Deus. Quem é amigo do mundo, torna-se inimigo de Deus. O mundo é o secularismo em constraste com o Reino de Deus. Sempre que os homens são desumanizados – pela opressão política, econômica, moral, social vemos a ação do mundo. As pessoas são massificadas pelo sistema. É uma escravidão cultural. As pessoas são escravas do sistema, como os súditos eram arrastados por grossas correntes amarradas no pescoço.

2.2. O diabo
? É o espírito que atua nos filhos da desobediência. O diabo mesmo é o patrono dos desobedientes. Ele foi desobediente e ele deseja que os homens também desobedeçam a Deus. Ele tentou Eva no Éden com a mentira e levou nossos pais à desobediência.

2.3. A carne
? A carne não é o nosso corpo, mas a nossa natureza caída com a qual nascemos (Sl 51:5; 58:3), que deseja controlar a nossa mente e o nosso corpo, levando-nos a desobedecer a Deus. Há um impulso dentro de nós para fazer o mal. O mal procede de dentro do nosso próprio coração. As obras da carne são descritas em Gálatas 5.
? Porque um cachorro se comporta como um cachorro? Porque ele tem natureza de um cachorro. Se fizéssemos um transplante e colocássamos a natureza de um cachorro em um gato, ele se comportaria como um cachorro. Um urubu come carniça porque essa é a sua natureza. O homem não pode mudar a sua própria natureza.

3. O homem é depravado – v. 3b
• O homem não convertido vive para agradar a vontade da carne e os desejos do pensamento. Suas ações são pecaminosas porque seus desejos são pecaminosos. O homem é escravo do pecado. Ele anda com o pescoço na coleira do diabo e do cabresto do pecado. Não é que a depração total significa que o incrédulo não posssa fazer o bem natural, social e até moral. Ele se sensibiliza com as causas sociais. Ele se compadece. Se ajuda as pessoas. Mas ele não pratica obras com o reconhecimento de é para a glória de Deus como gratidão pela salvação.

4. O homem está condenado – v. 3c
• O homem não convertido por natureza é filho da ira e pelas obras é filho da desobediência. A pessoa incrédula, não salva, já está condenada (João 3:18). Fora de Cristo o homem está morto por causa do pecado, escravizado pelo mundo, pela carne e pelo diabo, e condenado sob a ira de Deus.

II. A OBRA DE DEUS POR NÓS – V. 4-9

• Nós somos redimidos por quatro atividades que Deus realizou em nosso favor, salvando-nos das consequências dos nossos pecados. Deus oferece vida aos mortos, libertaçãos aos cativos e perdão aos condenados. Paulo, agora, vai contrastar o que somos por natureza e o que somos pela graça, a condição humana e a compaixão divina, a ira de Deus e o amor de Deus.

1. Deus nos amou – v. 4
• Por natureza Deus é amor. Mas o amor de Deus na relação com os pecadores trorna-se em GRAÇA E MISERICÓRDIA. Deus é rico em misericórdia (v. 4) e em graça (v. 7) e essas riquezas tornam possíveis a salvação do pecador. Não somos salvos pelo amor de Deus, mas por sua misericórdia (quando Deus não nos dá o que merecemos) e pela sua graça (quando Deus nos dá o que não merecemos).
• Tanto a misericórdia como a graça vêm a nós por meio do sacrifício de Jesus Cristo sobre a cruz. Foi no Calvário que Deus demonstrou o seu repúdio ao pecado e o seu amor pelos pecadores.
• Paulo não apenas fala sobre a nossa salvação, mas fala também sobre a motivação de Deus em nos salvar e alista quatro palavras: amor, misericórdia, graça e bondade. Ao ressuscitar a Cristo, Deus demonstrou a suprema grandeza do seu poder (1:19-20). Ao nos salvar, Deus demonstrou a suprema riqueza da sua graça (2:7).

2. Deus nos ressuscitou – v. 5
• Deus nos tirou da sepultura espiritual que o pecado havia nos colocado. Deus realizou uma poderosa ressurreição espiritual em nós pelo poder do Espírito Santo. Quando cremos em Cristo passamos da morte para a vida (João 5:24). Recebemos vida nova, a vida de Deus em nós.

3. Deus nos exaltou – v. 6
• Nós não apenas saímos da sepultura e fomos ressuscitados, mas também fomos exaltados. Porque estamos unidos a Cristo, somos exaltados com ele. Agora nos assentamos com ele nos lugares celestiais, acima de todo o principado e potestade.
• As três fases da exaltação de Cristo: ressurreição, ascensão e assentar-se no trono, agora são repetidas na vida dos salvos: Deus nos deu vida (v. 5), nos ressuscitou (v. 6a) e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo (v. 6b). Esses três eventos históricos “deu vida”, “ressuscitou” e “fez assentar” são os degraus da exaltação!

4. Deus nos guardou – v. 7-9
• O último propósito de Deus em nossa salvação é que por toda a eternidade a igreja possa glorificar a graça de Deus (1:6,12,14). O alvo principal de Deus na nossa salvação é a sua própria glóiria. A salvação é um presente e não uma recompensa. Ilustração: Perguntaram a uma mulher: “Onde estão as suas jóias?” Ela chamou os seus filhos e os mostrou. Nós somos as jóias faiscantes de Deus. Nós somos os troféus da graça de Deus.
• A salvação não pode ser pelas obras porque a obra da salvação já foi plenamente realizada na cruz por Cristo (João 19:30). Não podemos acrescentar mais nada à obra completa de Cristo. Agora não existe mais necessidade de sacrifícios e rituais. Fomos reconciliados com Deus. O véu do templo foi rasgado. Pela graça somos salvos. Tanto a fé como a salvação são dádivas de Deus.

III. A OBRA DE DEUS EM NÓS – V. 10a

• Nós somos feitura de Deus criados em Cristo Jesus. “Poiema” = poema. Nós somos a obra de arte de Deus, a obra prima de Deus. Isso significa que Deus ainda está trabalhando em nós. Deus não terminou de escrever o último capítulo da nossa vida. Ilustração: A história de Abraão – velho gagá ou gigante da fé? Moisés – louco desvairado ou visionário celestial? Pedro – pedra bruta ou jóia nas mãos de Deus?
• Deus nos predestinou para sermos conformes à imagem do seu Filho (Rm 8:29). Deus está esculpindo em nós o caráter de Cristo pelo poder do Espírito Santo (2 Co 3:18). O cinzel que Deus usa para nos transformar é a sua Palavra. Deus nos coloca na bigorna do ferreiro para fazer-nos de um instrumento trincado e enferrujado, um instrumento útil para a sua obra.
• Aqui vemos três “Ps”: 1) O poeta – Deus; 2) A pena – Cristo; 3) O Poema – Homem. Deus está trabalhando em nós. A conversão não é o fim da obra, mas o começo. Quando Cristo ressuscitou Lázaro, mas tirar deles as ataduras (João 11:44).
• O mesmo poder que tirou você da sepultura e lhe deu vida espiritual, pode agora santificar a sua vida para que você possa ser um belo poema para Deus! Deus trabalha em nós antes de trabalhar através de nós. Deus trabalhou em Moisés 80 anos para usá-lo 40 anos. Deus trabalhou em José antes de levá-lo ao trono. Deus treinou Davi no deserto antes de colocá-lo no trono de Israel.

IV. A OBRA DE DEUS ATRAVÉS DE NÓS – V. 10b

• “Nós fomos criados em Cristo Jesus para as boas obras”.
• Não fomos salvos pelas boas obras, mas para as boas obras. É somente pela fé que somos justificados, mas a fé que justifica jamais vem sozinha.
• Nós não somos salvos pela fé mais obras, mas pela fé que produz obras. Com respeito a salvação as obras são resultado e não causa. As nossas obras não nos levam para o céu, mas nós levamos as nossas boas obras para o céu (Ap 14:13).
• A Bíblia fala sobre diferentes obras: 1) obras da lei – que não podem salvar (Gl 2:16); 2) obras da carne – que são listadas em Gálatas 5:19-21; 3) obras das trevas (Rm 13:12); 4) obras mortas – obras que levam à morte (Hb 6:1); 5) obras de justiça – obras religiosas que não podem salvar (Tt 3:5).
• As obras em relação à salvação são: 1) Rejeitadas; 2) Preparadas; 3) Esperadas; 4) Aperfeiçoadas.
• Agora Paulo fala sobre as obras que são resultado da salvação. Elas duas características: 1) Elas são boas obras – em contraste com aquelas obras inspiradas pelo diabo, mundo e a carne (v. 2-3). Essas obras devem ser vistas em nós não para a nossa auto-exaltação, mas para a glória de Deus (Mt 5:16). 2) Elas são preparadas de antemão por Deus – Enquanto o descrente anda segundo o curso deste mundo, o crente anda nas boas obras que Deus preparou para ele. Isso significa que Deus tem um plano para a nossa vida e que podemos realizar na vida esse plano que Deus traçou para nós.

CONCLUSÃO

• Qual dessas quatro obras você está experimentando na sua vida: a obra do pecado contra você? A obra de Deus por você? A obra de Deus em você? Ou a obra de Deus através de você?
• O pecado está trabalhando contra você porque você ainda não pôs toda a sua confiança em Cristo? Então, confie nele agora!
• Você tem experimentado a obra de Deus por você, em você e através de você? Você está usando ainda mortalhas ou as vestimentas da graça? Você está experimentando a liberdade em Cristo ou ainda está preso aos vícios, hábitos e escravidão da velha vida da cova do pecado?
• Como um cristão Deus o ressuscitou, Deus o exaltou, Deus o fez assentar no trono com Jesus para que você seja um troféu da sua graça por toda a eternidade!

Rev. Hernandes Dias Lopes.

6 Comentários

Responder

Resposta

Your email address will not be published. Required fields are marked *