Diferentes reações a Jesus

INTRODUÇÃO

Jesus está vivendo sua última semana em Jerusalém. Esta semana é a culminação de todo o seu ministério e a concretização do projeto eterno de Deus. Ele veio para esse fim.

Diferentes reações a Jesus são vistas nesta semana: as autoridades religiosas querem matá-lo, enquanto o povo simpatizava-se com ele; uma mulher anônima demonstra seu amor a ele, enquanto Judas o trai e Pedro é advertido sobre sua arrogante autoconfiança. Desta maneira Marcos confronta o leitor com a necessidade de tomar uma posição; ninguém pode ficar neutro diante de Jesus.[1]

O texto aborda vários aspectos apontando para o fato de que Jesus já está vivendo à sombra da cruz.


I. UM PLANO FRUSTRADO

1. O cenário já estava pronto – (14.1)

A entrada triunfal de Jesus a Jerusalém deu-se no período de maior fluxo de gente na cidade santa, a festa da Páscoa. Nesse tempo o povo judeu celebrava a sua libertação do Egito. A festa girava em torno do cordeiro que devia ser morto bem como dos pães asmos que relembravam os sofrimentos do êxodo. Jesus escolhe esta festa para morrer. Ele veio por amor, voluntário como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. William Hendriksen diz que o dia em que acontecia o sacrifício do cordeiro era seguido pela festa dos Pães Asmos, que se prolongava por sete dias de celebração. A ligação entre a ceia da Páscoa e a Festa dos Pães Asmos é tão grande, que o termo “páscoa”, algumas vezes, cobre ambas (Lc 22.1).[2] Dewey Mulholland diz que no tempo de Jesus, a Páscoa e a Festa dos Pães Asmos tinham sido reunidas numa única “Festa da Páscoa” com a duração de sete dias.[3]

Jesus queria morrer no dia da Páscoa. Adolf Pohl diz que a relação da morte de Jesus com a Páscoa faz parte evidente dos pensamentos de Deus, e assim, das suas disposições. Por isso Paulo pôde escrever mais tarde: “Pois Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado” (1Co 5.7).[4]

2. A conspiração já estava armada – (14.1)

Os principais sacerdotes e os escribas estavam mancomunados para prenderem e matarem Jesus. Esse plano não era novo. Ele já vinha de certo tempo (3.6; 12.7; Jo 5.18; 7.1,19,25; 8.37,40; 11.53). Eles já tinham escolhido a forma de fazê-lo, à traição. Mas eles aguardavam uma ocasião oportuna para o matarem e decidiram que deveria ser depois da festa. Isto não porque tivessem escrúpulos, mas porque temiam o povo.

William Hendriksen diz que quando a corrupção invade a Igreja, o processo, normalmente, começa no topo. Nenhuma política é tão suja quanto a eclesiástica.[5]

3. O plano de Deus já estava determinado – (14.2)

Os líderes religiosos de Israel decidiram que Jesus seria morto depois da Páscoa, mas Deus já havia determinado que seria durante a Páscoa, na época em que a cidade estava mais apinhada de gente. As coisas não aconteceram como haviam planejado. “Não durante a festa”, diziam os conspiradores. “Na festa”, disse o Todo-poderoso. Este era o decreto divino, diz William Hendriksen.[6]


II. UM AMOR DEMONSTRADO – (14.3-9)

1. Maria deu o seu melhor – (14.3)

Nem Marcos nem Mateus nos informam o nome da mulher que ungiu Jesus, mas João nos conta que ela era Maria de Betânia, a irmã de Marta e Lázaro (Jo 12.1-3). Jesus estava em casa de Simão, o leproso na cidade de Betânia, participando de um jantar. Esse jantar possivelmente foi motivado pela gratidão de Simão e Maria. Esta, num gesto pródigo de gratidão e amor quebrou um vaso de alabastro e derramou o preciosíssimo perfume de nardo puro sobre a cabeça de Jesus. O perfume havia sido extraído do puro nardo, isto é, das folhas secas de uma planta natural do Himalaia.[7]

Maria aparece apenas três vezes nos evangelhos e em todas as ocasiões estava aos pés de Jesus para aprender (Lc 10.39), para chorar (Jo 11.32,33) e para agradecer (Jo 12.1-3).

2. Maria deu sacrificialmente – (14.4,5)

Aquele perfume foi avaliado por Judas em trezentos denários (Jo 12.5). Representava o salário de um ano de trabalho. Judas e os demais discípulos ficaram indignados com Maria e considerando seu gesto um desperdício. Eles culparam Maria de ser perdulária e de administrar mal os recursos. Eles murmuraram contra ela, dizendo que aquele alto valor deveria ser dado aos pobres. Warren Wiersbe diz que Judas criticou Maria por desperdiçar dinheiro, mas ele desperdiçou sua própria vida.[8]

O que Maria fez foi único em criatividade, régio em sua generosidade e maravilhoso em sua intemporalidade, diz William Hendriksen.[9]

3. Maria buscou agradar só ao Senhor – (14.3-7)

Maria demonstrou seu amor a Jesus de forma sincera e não ficou preocupada com a opinião das pessoas à sua volta. Ela não buscou aprovação ou aplauso das pessoas nem recuou diante das suas críticas. O amor é extravagante, ele sempre excede!

A devoção de Maria se destaca em vivo contraste com a malignidade dos principais sacerdotes e a vil traição de Judas.[10]

4. Maria demonstrou amor em tempo oportuno – (14.7,8)

Maria demonstrou seu amor generoso a Jesus antes da sua morte e antecipou-se a ungi-lo para a sepultura (14.8). As outras mulheres também foram ungir o corpo de Jesus, mas quando elas chegaram lá, ele já não estava mais lá, pois havia ressuscitado (16.1-6). Muitas vezes demonstramos o nosso amor como Davi a Absalão, tarde demais. Muitas vezes enviamos flores depois que a pessoa morre, quando já não pode mais sentir seu aroma.

5. Maria foi elogiada pelo Senhor – (14.6,9)

Jesus chamou o ato de Maria de boa ação (14.6) e disse que seu gesto deveria ser contado no mundo inteiro para que sua memória não fosse apagada (14.9). William Barclay comenta esse episódio assim,

Jesus disse que o que a mulher havia feito era bom. No grego há duas palavras para diferentes para definir bom. A primeira é agathos que descreve uma coisa moralmente boa. A segunda é kalos que descreve algo que não só é bom, mas também formoso. Uma coisa pode ser agathos e ainda ser dura, austera e sem atrativo. Mas uma coisa que é kalos é atrativa e bela, com certo aspecto de encanto.[11]

III. UM TRAIDOR APONTADO – (14.10,11,17-21)

1. Judas, o entreguista – (14.10)

Judas Iscariotes era um dos doze. Foi amado por Jesus, andou com Jesus, ouviu Jesus, viu os milagres de Jesus, mas perdeu a maior oportunidade da sua vida. Sabendo da trama dos principais sacerdotes em prender e matar Jesus, o entregou.

2. Judas, o avarento – (14.11)

O evangelista Mateus aponta a motivação de Judas em procurar os principais sacerdotes: “Que me quereis dar, e eu vo-lo entregarei? E pagaram-lhe trinta moedas de prata” (Mt 26.15). A motivação de Judas em entregar Jesus era o amor ao dinheiro. Ele era ladrão (Jo 12.6). Seu deus era o dinheiro. Ele vendeu sua alma, seu ministério, suas convicções, sua lealdade. Tornou-se um traidor. Adolf Pohl diz que a recompensa pela traição representou somente um décimo do valor do óleo da unção usado por Maria para ungir Jesus.[12] O dinheiro recebido por Judas era o preço de um escravo ferido por um boi (Ex 21.32). Por essa insignificante soma de dinheiro, Judas traiu o seu Mestre!

3. Judas, o dissimulado – (14.17,18)

Jesus vai com seus discípulos para o cenáculo, para comer a Páscoa. E Judas está entre eles. No Cenáculo Jesus demonstrou seu amor por Judas, lavando-lhe os pés (Jo 13.5), mesmo sabendo que o diabo já tinha posto no coração de Judas o propósito de traí-lo (Jo 13.2). Judas não se quebranta nem se arrepende, ao contrário, finge ter plena comunhão com Cristo, ao comer com ele (14.18). Nesse momento o próprio Satanás entra em Judas (Jo 13.27) e ele sai da mesa para unir-se aos inimigos de Cristo e entregar Cristo a eles. William Hendriksen diz que o que causou a ruína de Judas foi sua indisposição de orar pela renovação da sua vida. A sua destruição deveu-se à sua impenitência.[13]

Jesus já havia dito que seria traído (9.31; 10.33), mas agora declara especificamente que será traído por um amigo. O traidor não é nomeado; pelo contrário, a ênfase está na participação dele na comunhão como um dos doze. Toda comunhão à mesa é, para o oriental, concessão de paz, fraternidade e confiança. Comunhão à mesa é comunhão de vida. A comunhão à mesa com Jesus tinha o significado de salvação e comunhão com o próprio Deus.[14] Abalados e entristecidos com isso, os discípulos estão confusos. Cada um preocupa-se com a acusação como se fosse contra si. Um a um perguntam: “Porventura sou eu?” (14.19). Sua autoconfiança fora abalada.[15]

4. Judas, o advertido – (14.20,21)

Judas trai a Jesus à surdina, na calada da noite, mas Jesus o desmascara na mesa da comunhão. Jesus acentua sua ingratidão, de estar traindo seu Senhor e seu hóspede. Jesus declara que ele sofrerá severa penalidade por atitude tão hostil ao seu amor: “… ai daquele por intermédio de quem o Filho do homem está sendo traído! Melhor lhe fora não haver nascido!” (14.20,21).

Mulholland diz que o traidor participa cumprindo o plano de Deus. Ele o faz por livre vontade, não como um robô. A soberania divina não diminui a responsabilidade humana.[16] Somos responsáveis pelos nossos próprios pecados. William Barclay ilustra esse fato,

A lenda grega conta de dois famosos viajantes que passaram pelas rochas aonde cantavam as sereias. Essas se sentavam nas rochas e cantavam com tal doçura que atraíam irresistivelmente os marinheiros para sua ruína. Ulisses navegou a salvo frente a essas rochas. Seu método foi tapar os ouvidos dos marinheiros para que não pudessem ouvir, e ordenou que o atassem firmemente com cordas no mastro do navio a fim de que em hipótese algum pudesse desvencilhar-se. O outro viajante foi Orfeu, o mais encantador dos músicos. Seu método foi tocar e cantar com tal doçura que mesmo o barco passando em frente às rochas das sereias, o canto dessas não era ouvido diante da música excelente que ele entoava. Seu método foi responder ao atrativo da sedução com um atrativo maior ainda. Este método é o método divino. Deus não nos impede forçosamente de pecar, mas nos insta a amá-lo de tal forma que sua voz seja mais doce aos nossos ouvidos que a voz de sedução.[17]

IV. UM PACTO SELADO – (14.22-26)

1. O símbolo do pacto – (14.22,23)

Esta cena é um dos pontos teológicos mais vibrantes no Evangelho de Marcos. Aqui Jesus interpreta o significa último da sua morte, diz Donald Senior.[18]

Jesus abençoa e parte o pão; toma o cálice e dá graças. Pão e vinho são os símbolos do seu corpo e de seu sangue. Com estes elementos Jesus instituiu a Ceia do Senhor.

A questão da Ceia tem sido motivo de acirrados debates na história da igreja. Não é unânime o entendimento desses símbolos. Há quatro linhas de interpretação:

Em primeiro lugar, a transubstanciação. A igreja romana crê que o pão e o vinho transubstanciam-se na hora de consagração dos elementos e se transformam em corpo, sangue, nervos, ossos e divindade de Cristo.

Em segundo lugar, a consubstanciação. O luteranismo crê que os elementos não mudam de substância, mas Cristo está presente fisicamente nos elementos e sob os elementos.

Em terceiro lugar, o memorial. O reformador Zwinglio entendia que os elementos da Ceia são apenas símbolos e que a ela é apenas um memorial para trazer-nos à lembrança o sacrifício de Cristo.

Em quarto lugar, o meio de graça. O calvinismo entende que a Ceia é mais do que um memorial, mas também, um meio de graça, de tal forma que somos edificados pela participação digna da Ceia.

2. O significado do pacto – (14.24)

O que Jesus quis dizer quando afirmou que o cálice representava um novo pacto? A palavra pacto é comum na religião judaica. A base da religião judaica consistia no fato de Deus ter entrado num pacto com Israel. A aceitação do antigo pacto está registrada em Êxodo 24.3-8. O pacto dependia inteiramente de Israel guardar a Lei. A quebra da Lei implicava na quebra do pacto entre Deus e Israel. Era uma relação totalmente dependente da Lei e da obediência à mesma. Deus era o juiz. E posto que ninguém podia guardar a Lei, o povo sempre estava em débito. Mas Jesus introduz e retifica um novo pacto, uma nova classe de relacionamento entre Deus e o homem. E não depende da Lei, depende do sangue que Jesus derramou.[19] O antigo pacto era ratificado com o sangue dos animais, mas o novo pacto é ratificado no sangue de Cristo.

A nova aliança está firmada no sangue de Jesus, derramado em favor de muitos. Na velha aliança nós buscávamos fazer o melhor para Deus e fracassamos. Na nova aliança Deus fez tudo por nós. Jesus se fez pecado e maldição por nós. Seu corpo foi partido, seu sangue vertido. Ele levou sobre o seu corpo, no madeiro, nossos pecados. Deus fez cair sobre ele a iniqüidade de todos nós.

A redenção não é universal. Ele derramou seu sangue para remir a muitos e não para remir a todos (Is 53.12; Mt 1.21; 20.28; Mc 10.45; Jo 10.11,14,15,27,28; 17.9; At 20.28; Rm 8.32-35; Ef 5.25-27). Se fosse para remir a todos, ninguém poderia se perder.

3. A consumação do pacto – (14.25)

A Ceia do Senhor aponta para o passado e ali vemos a cruz de Cristo e seu sacrifício vicário em nosso favor. Mas ela também aponta para o futuro e ali vemos o céu, a festa das bodas do Cordeiro, quando ele vai nos receber como Anfitrião para o grande banquete celestial. Adolf Pohl diz que a ênfase está na reunião festiva com ele, não na duração ou dificuldade do tempo de espera. O crucificado será, vivo, o centro do banquete que Deus vai oferecer (Is 25.6; 65.13; Ap 2.7), e o sem-número de Ceias desembocará na “ceia das bodas do Cordeiro” (Ap 19.9).[20]

V. UM FRACASSO DESTACADO – (14.27-31)

1. Um alerta solene – (14.27)

Jesus, citando o profeta Zacarias fala que todos os apóstolos, sem exceção, vão se escandalizar com ele, quando ele for ferido. A atitude covarde dos discípulos fugindo no Getsêmani, depois da sua prisão não apanhou Jesus de surpresa.

Jesus predisse que todos se escandalizariam dele (14.27). Todos disseram que isso nunca aconteceria (14.31). Um pouco mais tarde, todos o abandonaram e fugiram (14.50).

2. Uma promessa consoladora – (14.28)

Jesus destaca aqui três verdades importantes.

Em primeiro lugar, fala sobre sua morte. Jesus veio para morrer e ele caminha para a cruz como um rei caminha para a coroação.

Em segundo lugar, fala sobre sua ressurreição. A morte não teria o poder de retê-lo na sepultura. Ele triunfaria sobre a morte.

Em terceiro lugar, fala sobre seu plano na vida dos apóstolos. Jesus se apressa em acrescentar que nem sua morte nem a fuga dos discípulos será definitiva. Ele ressuscitará e irá antes deles para a Galiléia. “O lugar do começo deles (3.14) haveria de ser também o lugar do novo começo deles (16.7)”.[21] O cristianismo não é um corolário de crenças e dogmas, mas uma Pessoa. Ser cristão é seguir a Cristo. Ele vai adiante de nós. Ele nos encontra e nos restaura nos lugares comuns da nossa vida.

3. Uma pretensão vaidosa – (14.29-31)

Pedro considerou-se uma exceção. Ele julgou-se melhor dos que seus condiscípulos. Ele pensou ser mais crente, mais forte, mais confiável que seus pares. Ele queria ser uma exceção na totalidade apontada por Jesus. Pensou jamais se escandalizar com Cristo. Achou que estava pronto para ir para a prisão e até para a morte. Jesus, entretanto, revela a Pedro que naquela mesma noite, sua fraqueza seria demonstrada e suas promessas serias quebradas. Os outros falharam, mas a falta de Pedro foi maior. Nas palavras de Schweizer: “Aquele que se sente seguro e se considera diferente de todos os demais cairá ainda mais profundamente”.[22] O apóstolo Paulo exorta: “Aquele, pois, que pensa estar em pé, veja que não caia” (1Co 10.12). A Palavra de Deus alerta: “O que confia no seu próprio coração é insensato” (Pv 28.26).

[1] Dewey M. Mulholland. Marcos: Introdução e Comentário. 2005: p. 206.
[2] William Hendriksen. Marcos. 2003: p. 698,699.
[3] Dewey M. Mulholland. Marcos: Introdução e Comentário. 2005: p. 207.
[4] Adolf Pohl. Evangelho de Marcos. 1998: p. 387.
[5] William Hendriksen. Marcos. 2003: p. 699.
[6] William Hendriksen. Marcos. 2003: p. 700.
[7] William Hendriksen. Marcos. 2003: p. 704.
[8] Warren W. Wiersbe. Be Diligent. 1987: p. 133.
[9] William Hendriksen. Marcos. 2003: p. 705.
[10] Ernesto Trenchard. Una Exposicion del Evangelio según Marcos. 1971: p. 176.
[11] William Barclay. Marcos. 1974: p. 336.
[12] Adolf Pohl. Evangelho de Marcos. 1998: p. 393.
[13] William Hendriksen. Marcos. 2003: p. 710.
[14] Adolf Pohl. Evangelho de Marcos. 1998: p. 397.
[15] Dewey M. Mulholland. Marcos: Introdução e Comentário. 2005: p. 210.
[16] Dewey M. Mulholland. Marcos: Introdução e Comentário. 2005: p. 210.
[17] William Barclay. Marcos. 1974: p. 345,346.
[18] Donald Senior. The Passion of Jesus in the Gospel of Mark. Liturgical Press. 1991: p. 53.
[19] William Barclay. Marcos. 1974: p. 349.
[20] Adolf Pohl. Evangelho de Marcos. 1998: p. 404.
[21] Adolf Pohl. Evangelho de Marcos. 1998: p. 406.
[22] Eduard Schweizer. The Good News according to Mark. John Know Press. 1970: p. 308.

Rev. Hernandes Dias Lopes

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