O CLAMOR DO AFLITO

“Estou aflitíssimo; vivifica-me, Senhor, segundo a tua palavra” (Sl 119.107).

            A aflição é inevitável. Chega para todos, sem exceção. A vida não se desenrola num parque de diversões. Aqui navegamos por mares revoltos e atravessamos desertos inóspitos. Pessoas e circunstâncias tiram nossa alegria. Preocupações e ansiedade roubam nossas forças. Pecados e transgressões estrangulam a nossa paz. Enfermidades e limitações financeiras roubam nosso sono. Muitas são as causas de nossas aflições. Variadas são as consequências delas. O texto em apreço apresenta-nos quatro lições oportunas:

  1. Uma confissão. “Estou aflitíssimo…”. O Salmista coloca sua aflição em grau superlativo. Sua aflição chegou ao nível máximo. Essa aflição vaza por todos os seus poros. Sua mente é açoitada pelo chicote dessa dor indescritível. Seu corpo é surrado pelos efeitos dessa angústia. Sua alma é atormentada, sem pausa, por essa tristeza que o encurrala por todos os lados. Temores internos e ameaças externas agravam sua crise. As dores do passado e o medo do futuro lançam sombras sobre sua vida. O presente o deixa atordoado. Não encontra nos recursos dos homens nenhum lenitivo. Saúde, dinheiro e prazeres não podem aplacar a sua dor emocional. Aventuras e conquistas não podem serenar os vendavais de sua alma. Está muito aflito, aflitíssimo!
  2. Uma súplica. “… vivifica-me…”. Em face de sua extrema aflição, o salmista clama por vivificação. A tristeza nos abate a ponto de secar nossa alma. A aflição profunda transforma os cenários verdejantes do nosso coração num deserto cheio de cactos. Onde havia júbilo, a aflição traz a sinfonia dos gemidos. Onde havia brados de vitória, a aflição chega com sua bagagem cheia de derrotas amargas. Onde havia os raios fúlgidos da esperança, a aflição traz as nuvens escuras do desespero. Nessas horas, precisamos clamar aos céus para que nossa sorte seja restaurada. Precisamos de renovo, de restauração, de vivificação.
  3. Um consolador. “… Senhor….”. A aflição pode vir de diversas fontes, mas nossa vivificação só pode vir do Senhor. Só ele tem poder para enxugar nossas lágrimas, terapeutizar nosso coração e curar as feridas da nossa alma. Só ele tem poder para perdoar nossos pecados, quebrar os grilhões que nos oprimem e arrancar da nossa alma a dor que nos aflige. Só o Senhor pode curar o enfermo, dar paz ao aflito e salvar o perdido. Quando descemos às profundezas da nossa aflição, somente Deus pode estender-nos a mão e tirar-nos desse poço escuro. Ele é poderoso para transformar nossos desertos secos em mananciais, nossos vales escuros em horizontes ensolarados, nossos dramas pessoais e familiares em motivos sobejos de louvor. O Senhor é o nosso consolador. Para ele não tem causa perdida nem problema insolúvel. Dele vem a nossa cura. De suas mãos procedem a nossa restauração.
  4. Um instrumento. “… segundo a tua palavra”. Deus opera maravilhas em nossa vida segundo a sua palavra. Ele chama-nos ao arrependimento pela voz poderosa da sua palavra. Ele transforma-nos pelo poder de sua palavra. Ele instrui-nos na verdade, segundo a sua palavra. Ele guia-nos pelas veredas da justiça, pela luz da sua palavra. É pela palavra que nascemos. É pela palavra que crescemos. É pela palavra que atingimos a maturidade. Pela palavra Deus nos salva e nos reveste de poder. Pela palavra Deus nos consola e faz de nós instrumentos de consolação. Pela palavra Deus enche nossa alma de gozo e vivifica o nosso coração.

 

Rev. Hernandes Dias Lopes

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