O juízo de Deus sobre os ímpios

Referência: Apocalipse 9.13-21

INTRODUÇÃO

1. Vimos até aqui que o livro de Apocalipse não é um livro fechado e misterioso, mas um livro aberto que revela a vitória retumbante de Cristo e da sua igreja.

2. Vimos que este livro é dividido em sete seções paralelas, e que em cada uma, a inteira dispensação da graça é revelada, mostrando-nos os fatos que vão da primeira à segunda vinda de Cristo.

3. Vimos que os sete candeeiros falam da igreja como noiva de Cristo sob o seu olhar investigador, corretor e restaurador.

4. Vimos que os sete selos falam da perseguição do mundo à igreja e como Deus selou o seu povo e o conduziu à glória, enquanto entregou os ímpios ao mais completo desamparo.

5. Vimos que as sete trombetas falam do juízo de Deus ao mundo dos ímpios, em resposta às orações dos santos e como essas trombetas são agentes do juízo de Deus que recaem sobre a terra, mar, rios, astros e homens.

6. Vimos que na quinta trombeta Satanás recebeu autoridade para abrir o poço do abismo e de lá saíram demônios para atormentar os homens, não podendo estes, porém atacar aqueles que tinham recebido o sêlo de Deus.

7. Agora, na sexta trombeta vamos observar como o juízo de Deus avança para um desfecho final e como as coisas se agravam. A quinta trombeta trouxe sofrimento, a sexta traz morte.

I. O JUÍZO DE DEUS QUE DESABA SOBRE OS ÍMPIOS É RESULTADO DAS ORAÇÕES DOS SANTOS – V. 13-15

1. As grandes operações de Deus na terra vêm em resposta às orações do povo de Deus
• Foi assim no Êxodo (Ex 3:7,8). Tem sido assim ao longo da história. Sobretudo, o livro de Apocalipse revela essa conexão entre o altar e o trono.
• Apocalipse 6:9-11 revelam as orações dos mártires e o resultado está descrito em Apocalipse 6:12-17, na cena do juízo.
• Apocalipse 8:3-5 mostra as orações dos santos subindo do altar ao trono e descendo do trono em termos de juízos de Deus conforme Apocalipse 8:5-6.
• Agora, novamente, em Apocalipse 9:13-14 somos informados que a voz procedendo dos quatro ângulos do altar de ouro, o altar da oração é que desencadeia a soltura dos quatro anjos do juízo sobre os ímpios.
• Quando a igreja ora ela se une ao Deus soberano em seus atos de justiça na história. Quando a igreja, Deus se manifesta.

II. O JUÍZO DE DEUS É EXECUTADO PELOS QUATRO ANJOS QUE ESTÃO ATADOS JUNTO AO RIO EUFRATES – V. 14

1. Esses anjos são agentes da justiça divina
• Esses anjos são anjos maus, anjos caídos, que executam o juízo de Deus sobre o mundo. Eles se agradam de precipitar os homens à guerra.
• Quatro é o número do mundo. Representa aqui que o mundo inteiro está em vista.

2. Esses anjos estão atados junto o rio Eufrates
a) Foi justamente aqui no rio Eufrates, onde ficava o Éden, que os poderes satânicos, levaram nossos país à queda.
b) Havia uma previsão profética de invasão de cavalos vindos do Norte (Ez 38:14; Is 5:26-30: Jr 6:22-26). João transformou essa expectativa militar em uma invasão de hordas de demônios.
c) O Eufrates torna-se materialização de uma barreira, atrás da qual se represam tragédia e juízo, barrados por Deus ou liberados por ele com ira.
d) O Eufrates é o limite oriental da Terra prometida, onde estavam os terríveis inimigos do povo de Deus: a Assíria e a Babilônia. Assim este rio representa a Assíria e a Babilônia, ou seja, o mundo ímpio.
e) Isaías 8:7: “O Senhor fará vir sobre eles as águas do Eufrates, fortes e impetuosas, isto é, o rei da Assíria…”. Isaías descreve uma invasão desses inimigos como se fosse uma enchente do Eufrates. Uma enchente quebra barreiras, seguindo-se a destruição.
f) O ponto central aqui não é a geografia do Eufrates. Eufrates é apenas um símbolo. Esses cavalos da destruição virão de toda parte, do mundo inteiro.

III. O JUÍZO DESENCADEIA-SE NO TEMPO DETERMINADO POR DEUS – V. 15

1. A soberania de Deus controla os agentes, o espaço e o tempo
• Deus está no trono. Nada acontece sem sua permissão. Ele está no controle. É ele quem dá autoridade para Satanás abrir o poço do abismo. É ele quem ordena, em resposta às orações dos santos, soltar os quatro anjos do juízo. É ele quem determina de onde esses anjos procedem. É ele quem determina o tempo exato da ação desses anjos do juízo.
• Esses anjos do juízo não são livres para agir da forma que querem e quando querem. Eles estão debaixo de autoridade. Eles foram preparados para essa hora definida. Eles só podem agir no tempo estabelecido por Deus.
• No tempo que Deus determinar, esses duzentos milhões de cavalos serão soltos, e uma enchente de poderes demoníacos vai transbordar sobre o mundo civilizado. O fato de serem soltos representa a liberação da ação punitiva no prazo previsto por Deus.
• Ao permitir que esses anjos sejam desatados, Deus usa a guerra como uma voz de admoestação aos maus (Ap 9:20). A guerra também está incluída no decreto de Deus, havendo sido determinada a sua hora.

IV. O JUÍZO DESENCADEADO PELA SEXTA TROMBETA É MAIS SEVERO DO QUE O ANUNCIADO PELA QUINTA TROMBETA – V. 15

1. Os juízos vão se intensificando à medida que a história caminha para o seu fim – v. 15b
• Os gafanhotos que saíram do poço do abismo tinham limites bem definidos sobre o que podiam e o que não podiam fazer. Os demônios estão debaixo da autoridade absoluta de Deus. Até eles estão sob as ordens de Deus e precisam cumprir os propósitos soberanos de Deus.
• Eles não podiam destruir a vegetação, nem matar os homens, nem tocar nos selados de Deus. Mas, agora, eles recebem poder para matar uma terça parte dos homens.
• Há uma semelhança entre os gafanhotos da quinta trombeta e os cavalos da sexta trombeta: Em ambos os casos a natureza demoníaca dos seres torturadores são vistos em figura de escorpiões nos (v. 3,5) e em figura de serpente no (v. 19). Em ambos os casos o poder desses seres reside na cauda. Sua atividade é causar dano (v. 4,19). São comparados com leões (v. 8,17) e cavalos de batalha (v. 7,16). Ambos os textos falam de fumaça infernal (v. 2, 17,18). Mas a intensificação do flagelo na sexta trombeta é inegável, no lugar de tortura (v. 5) aparece agora a matança (v. 15,18,20).

2. Os juízos descritos na sexta trombeta descrevem a guerra – v. 15
• Não é uma guerra particular, mas todas as guerras, passadas, presentes e futuras. Sobretudo, a sexta trombeta fala daquelas guerras espantosas que abalarão o mundo à medida que avançamos para o fim.
• A guerra aqui não é apenas um castigo, mas também, uma voz de admoestação de Deus aos ímpios.
• As guerras resultam da resistência contra a honra de Deus e do Cordeiro. Elas são anticristãs. Significam sempre: quem não quiser ouvir, terá de sofrer! Quem não dá ouvidos aos mandamentos de Deus e pratica o mal, experimentará que o mal não vai bem, porque Deus vive!

3. Os agentes do juízo são uma multidão incontável – v. 16
• João não vê o exército, ele ouve o seu número: vinte mil vezes dez milhares, ou seja, um exército com duzentos milhões de cavalos. Esse número é simbólico, representa uma multidão incontável.
• É uma especie de invasão demoníaca com sede de sangue que invade a terra. Essa cavalaria não apenas atormenta, mas também mata uma terça parte dos homens. Tornam os homens serem ferozes, malignos, violentos.

4. Os agentes do juízo transformam-se em máquinas assassinas – v. 17-19
i. Eles são seres anatingíveis – v. 17 – Eles têm couraça de fogo. Não podem ser destruídos com armas convencionais. Eles são seres mistos (cavalo, leão e serpente).
ii. Eles são seres ferozes – v. 17b – Eles parecem leões, símbolo de força, ferocidade e poder destruidor.
iii. Eles são peçonhentos como serpentes – v. 19 – Esses cavalos têm um grande poder destruidor. São altamente letais e venenosas. Eles não são cavalos ordinários, eles simbolizam máquinas e instrumentos de guerra de toda classe: tanques, canhoes, aviões de combate, bombas, armas nuclares, químicas e biológicas.
iv. Eles flagelam e matam os homens – v. 18 – Esses espíritos malignos agem nos homens e através dos homens e os atormentam e matam. Três flagelos são mencionados: fogo, fumaça e enxofre. O fogo queima, a fumaça tira a visibilidade, o enxofre polui. O propósito deles é destruir. Por meio deles matam uma terça parte dos homens. Isso fala das guerras em sua truculência, ferocidade e poder destruidor. Essas guerras sangrentas têm o poder de matar uma terça parte dos homens. Quando os homens tentam se desvencilhar de Deus, eles começam a lutar uns contra os outros e a destruir uns aos outros em grande número. Vejam as atrocidades das guerras: nos impérios antigos, guerras na Europa, guerra civil nos Estados Unidos, guerras tribais, guerras étnicas, guerras religiosas, as duas guerras mundiais, as guerras atuais. O arsenal de morte armazenado hoje.
v. Eles têm o controle da imprensa – v. 19 – O poder desses agentes destruídores está na boca. Eles têm a comunicação em seu poder. Eles dominam a imprensa. Eles controlam o mundo pela sua filosofia. O poder está na boca e o peçonha na cauda. Eles têm poder quando falam e através da cauda destilam letal peçonha.

V. O JUÍZO DE DEUS NA SEXTA TROMBETA, POR MAIS DRAMÁTICO É AINDA LIMITADO – V. 15,18,20,21

1. A ira de de Deus ainda está misturada com a misericórdia
• Deus impõe um limite. Esse limite não pode ser ultrapassado. É uma terça parte dos homens e nada mais. Deus está no controle, mesmo quando os agentes do juízo estão em ação na história.

2. Essa trombeta é a última chamada de Deus aos ímpios antes do juízo completo de Deus chegar

• A sexta trombeta é a última advertência aos habitantes da terra. A advertência é a morte de uma terça parte dos homens. Um terço da raça humana é destruída, com o objetivo de levar os outros dois terços ao arrependimento.
• Quando chegar a sétima trombeta, será tarde demais. A cena da sétima trombeta é a cena do juízo final. Então, não haverá mais chance (11:15-18).
• As sete taças falam da consumação da cólera de Deus (15:1).

3. O propósito da sexta trombeta é dar aos homens uma chance de arrependimento antes do fim
• As tragédias que desabam sobre a história não são fruto do acaso, nem apenas desastres naturais. Eles são trombetas de Deus, chamando os homens ao arrependiemento.
• As guerras na sua fúria e fealdade são trombetas de Deus convocando os homens a se voltarem para Deus.
• As guerras que têm destruído vidas não são apenas provocadas por problemas econômicos e políticos, mas Deus falando à humanidade, punindo o mundo de homens e mulheres que não lhe dão ouvidos. Não obstante, eles ainda não se arrependerão. Muitos cristãos pensam que se houver uma guerra, um terremoto, as multidões voltar-se-ão para Deus e haverá um grande reavivamento. Muitos pensaram assim no final da segunda guerra mundial. Mas isso é um engano. Só o Espírito de Deus pode levar uma pessoa ao verdadeiro arrependimento.

VI. OS JUÍZOS MAIS SEVEROS NÃO PRODUZEM O ARREPENDIMENTO DOS ÍMPIOS – V. 20-21

1. Os ímpios desperdiçam suas últimas oportunidades
• Eles são cegos para perceberem a mão de Deus nos juízos sobre a história. Eles vêem os ímpios morrendo na sua impiedade e não se apercebem de que Deus está lhes embocando a sua trombeta, chamando-os ao arrependimento. Em vez de se voltarem para Deus, eles continuam na prática de seus abomináveis pecados (v. 20,21).
• Não apenas não se voltam para Deus e continuam nos seus pecados, mas se rebelam ainda mais contra Deus (Ap 16:9-11). O mesmo refrão chocante perpassa em Amós 4:6,8-11, bem com o coração cada vez mais endurecido de Faraó.
• A impenitência é a causa não somente do derramamento das taças da ira final (Ap 15 e 16), mas também é a razão da culminação esta ira no juízo final.

2. O pecado da impiedade conduz ao pecado da perversão, ou seja, a idolatria produz a imoralidade – v. 20-21
• A falsa religiosidade, produz a falsa moralidade. A teologia determina a ética. A idolatria promove a imoralidade. Esse é o ensino de Paulo em Romanos 1:18-32.

3. A idolatria conduz ao pecado da adoração de demônios – v. 20
• Os ídolos são obras das mãos do homem: são feitos de ouro, prata, cobre, pedra e pau. Eles não podem ver, nem ouvir, nem andar. Eles precisam ser carregados. Eles podem ser quebrados. Eles não são nada (1 Co 8:4). Mas por trás do ídolo estão os demônios (1 Co 10:19-20). Os homens adoram os demônios que estão nos ídolos.
• As pessoas passam a confiar em ídolos feitos por suas próprias mãos (Os 4:12) e são enganadas por um espírito de prostituição.

4. Os ímpios quebram as duas tábuas da lei de Deus – v. 20-21
• Eles deixam de adorar o Deus vivo para se prostrarem diante de ídolos, quebrando os dois primeiros mandamentos da primeira tábua da lei (9:20). Esse tempo do fim é marcado por intensa religiosidade, mas uma religiosidade falsa: adoração de ídolos e demônios.
• Eles quebram o sexto, o sétimo e o oitavo mandamentos da segunda tábua da lei (9:21).

5. Os ímpios encharcam-se de perversão e transformam a sociedade em um caos – v. 21

i. Não há respeito à vida – As pessoas perdem o respeito pela dignidade da vida. Assassinatos cruéis, brutais. A vida se torna sem valor.
ii. Não há respeito à lucidez – Feiçarias vêm de farmakeia, de onde vem drogas. É uma geração entorpecida, drogada.
iii. Não há respeito à pureza moral – Os homens não respeitam o casamento, nem a castidade. A imoralidade é aplaudida. É uma sociedade pansexual.
iv. Não há respeito à propriedade privada – Impera nessa sociedade caotizada a exploração, o roubo, o furto, a desonestidade, a corrupção dos valores morais.

CONCLUSÃO

• Ódio às pessoas, mesclado de venenos intelectuais, infidelidade e exploração do ser humano pelo ser humano – esse é o semblante de uma sociedade, contra a qual se dirigem a ira do Cordeiro e todos os flagelos de Deus.
• O objetivo sempre presente de Deus, no entanto, é chamar o homem ao arrependimento. O que mais nos choca neste capítulo 9 de Apocalipse não é tanto o severo juízo de Deus sobre os ímpios, mas a persistência deles em continuarem pecando contra Deus enquanto Deus os está julgando.
• Em lugar de voltar-se para Deus, acontecem iniciativas cada vez mais precipitadas de afastar-se dele. Essa é uma época em que a pregação de arrependimento se torna notoriamente difícil, notoriamente rara e notoriamente urgente!

Rev. Hernandes Dias Lopes

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