O julgamento de Jesus

O julgamento de Jesus foi o maior erro judicial da história. O apóstolo Pedro denunciou os judeus, dizendo-lhes que eles mataram o Autor da Vida, crucificando-o por mãos de iníquos. Jesus foi julgado por dois tribunais: o religioso e o civil.

O sinédrio condenou Jesus por blasfêmia e o pretório romano por sedição. Em ambos os tribunais, o ritual se desenvolveu em três fases: no tribunal religioso, Jesus depois de preso foi levado a Anás. Ele era o sogro do sumo sacerdote Caifás. Nesse tempo Anás já havia sido deposto pelos romanos, mas como esse era um cargo vitalício, os judeus ainda o consideravam como autoridade. Depois de interrogá-lo, Anás o envia a Caifás. Agora, com o supremo tribunal pleno, passa-se a ouvir as testemunhas contra Jesus. As testemunhas haviam sido subornadas para testemunharem contra Jesus. Na verdade, aquela reunião do sinédrio era absolutamente ilegal. O sinédrio não podia reunir-se para condenar ninguém à noite nem mesmo durante as festividades. Todo criminoso tinha amplo direito de defesa, mas os membros do sinédrio ouviram apenas as testemunhas contra Jesus. Na noite de quinta-feira, então, condenaram Jesus como réu de morte pelo pecado de blasfêmia. Na manhã de sexta-feira, o sinédrio voltou a reunir-se, numa tentativa de legitimar a reunião ilegal da noite anterior e também costurar uma nova acusação contra Jesus para o levar ao governador Pilatos.

Formalizaram, então, uma acusação política, acusando Jesus de sedição. O julgamento civil procedeu-se de forma semelhante, também em três fases. Jesus foi apresentado a Pilatos, que o enviou a Herodes, que o devolveu a Pilatos. Este, percebeu que os judeus haviam entregado Jesus por inveja e também que Jesus era inocente das acusações que lhe foram feitas. Por três vezes, Pilatos reconheceu a inocência de Jesus. Os judeus apresentaram várias acusações contra Jesus.

Afirmaram que ele era um malfeitor. Acusaram-no de agitador, de blasfêmia e também de sedição. Pilatos, encurralado pela sua consciência, com medo, tentou soltar Jesus, mas a vontade, o grito e a pressão da multidão prevaleceu e ele entregou Jesus para ser crucificado. Antes, porém, tentou quatro evasivas: Primeiro, tentou transferir a responsabilidade para Herodes. Depois, tentou soltar Jesus pelas mãos da multidão, mas esta preferiu Barrabás. Depois tentou meias-medidas, propondo à multidão açoitar Jesus antes de soltálo e finalmente, ele lavou as mãos.  Covardemente Pilatos entrega Jesus aos soldados e estes, escarneceram de Jesus quanto às duas principais acusações: sedição e blasfêmia. Colocaram uma coroa de espinhos em Jesus e se ajoelharam diante dele adorando-o com escárnio.

Do pretório Jesus foi levado ao Calvário. Ali no topo do Monte da Caveira, Jesus foi escarnecido pelos transeuntes, pelos principais sacerdotes e também pelos dois ladrões que foram crucificados com ele. Na cruz, o próprio Pai o desamparou por causa dos nossos pecados. Houve trevas do meio-dia às três da tarde. Nesse momento, Jesus foi traspassado pelas nossas iniqüidades e moído pelos nossos pecados. O próprio sol escondeu o rosto quando Jesus, sozinho, sorvia o cálice da ira de Deus contra o nosso pecado. Quando Jesus nasceu houve luz à meia-noite, mas quando Jesus morreu houve trevas ao meio-dia. Exposto à vergonha e opróbrio, Jesus fez da cruz o campo da sua maior vitória. Na cruz ele esmagou a cabeça da serpente. Na cruz ele despojou os principados e potestades. Na cruz ele conquistou para nós eterna redenção. Na cruz ele deu um brado de vitória e o véu do templo rasgou de alto a baixo. Estava aberto o novo e vivo caminho para Deus. Ele, Jesus, é o caminho e o único mediador que nos leva a Deus. A morte de Jesus não foi um fracasso, mas a mais retumbante vitória, pois na manhã da Páscoa, ele triunfou sobre a morte e levantou vivo e cheio de glória.

Rev. Hernandes Dias Lopes

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