O papado à luz da bíblia e da história

Referência: Mateus 16.13-20

DATA: 01/05/2005
ESTUDO:
INTRODUÇÃO

1. Segundo os historiadores católicos já tivemos 266 papas. A morte de João Paulo II, o terceiro mais longo pontificado da história, reacendeu na mente do povo o dogma da legitimidade e infalibilidade do papa. 200 chefes de Estado estiveram no funeral, que foi acompanhado por mais 2 milhões de pessoas. A imprensa deu larga cobertura à questão do pontificado romano.
2. Em virtude desse momento de transição, urge-se esclarecer essa momentosa questão à luz das Escrituras e da História.
3. A Igreja Católica Apostólica Romana não é um seguimento legítimo do Cristianismo Bíblioc – Precisamos iniciar com uma questão de definição. O nome Igreja Católica Apostólica Romana é uma impropriedade gritante: Ela não é igreja, nem católica, nem apostólica. É apenas Romana. Calvino diz: “Roma não é uma igreja e o papa não é um bispo. Não pode ser mãe das igrejas, aquela que não é igreja, e nem pode ser príncipe dos bispos, aquele que não é bispo.” (Institutas p. 903).
4. O catolicismo romano não é a primeira igreja cristã – A igreja cristã, de onde procedem todas as outras. Até o quarto século não havia denominações. O catolicismo romano é um desvio da religião cristã e a Reforma uma volta ao cristianismo bíblico.
5. O papado é a espinha dorsal do catoliscimo romano – Todo o edifício está construído sobre um falso fundamento de que Pedro é a pedra sobre a qual a igreja de Cristo está fundada e que Pedro foi o primeiro papa e que os papas são sucessores legítimos de Pedro.
6. Neste estudo vamos examinar esse importante assunto à luz da Bíblia, da teologia e da história.

I. PEDRO NUNCA FOI PAPA

1. O texto básico usado para provar o primado de Pedro está mal interpretado pelo catolicismo romano

Para os romanistas, Mateus 16:18 é a carta magna do papado. Três são interpretações sobre quem é a pedra: 1) Pedro; 2) A declaração de Pedro; 3) Cristo.
Vamos examinar este texto deticadamente para tirarmos nossas conclusões:

1) Pedro Pétros é fragmento de pedra, enquanto Pétra é rocha.
2) Pétros é um substantivo masculino, enquanto Pétra é um substantivo feminino.
3) O demonstrativo te toute (essa) encontra-se no feminino, ligando-se, portanto, gramatical e logicamente à palavra feminina Pétra, à qual imediatamente procede. O demonstrativo feminino não pode concordar em número e gênero com um substantivo masculino.
4) Se Cristo tencionasse estabelecer Pedro como fundamento da igreja teria dito: “Tu és Pedro e sobre ti (epi soi) edificarei a minha igreja”.
5) Todo o contexto próximo está focado na Pessoa de Cristo: 1) A opinião do povo a seu respeito como Filho do Homem (termo messiânico); 2) a opinião dos discípulos a seu respeito; 3) a correta declaração de Pedro de sua messianidade e divindade; 4) A declaração de Jesus de que ele é o fundamento, o dono, o edificador e protetor da igreja; 5) A declaração de que ele veio para morrer; 6) A demonstração da sua glória na transfiguração. Não se tratava de uma conversa particular de Pedro com Cristo, mas numa dinâmica de grupo onde Jesus discutia o propósito da sua vinda ao mundo (Mt 16:13-23).
6) O contexto mostra que Jesus está se referindo a si na terceira pessoa desde o começo e isso concorda com o uso que faz de Pétra na terceira pessoa. Veja outros exemplos quando Cristo usou a terceira pessoa (Jo 2:19,21; Mt 21:42-44)
7) Jesus elogiou a Pedro pela inspirada declaração de que Cristo é o Filho do Deus vivo, e é sobre essa Pétra, Cristo, que a igreja é fundada.
8) Os teólogos romanos dizem que no aramaico, Cephas sifnica pedra. Mas, no aramaico, Cephas não é traduzido por Pétra, pedra, mas por Pétros, fragmento de pedra (Jo 1:42).
9) Pedra Pétra é radical, e Pedro Pétros, deriva-se de Pétra, e não Pétra de Pétros; assim como Cristo não vem de cristão, mas cristão de Cristo.
10) O catolicismo romano diz que se Cristo é o fundamento não pode ser o edificador. Mas aqui há uma superposição de imagens como em João 10 Jesus diz que ele é o pastor e também a porta.
11) No Antigo Testamento Pétra nunca é usado para qualquer homem, mas só para Deus (Is 28:16; Sl 118:22).
12) Pedro mesmo declara que Cristo e não ele é a Pedra (At 4:11-12; 1 Pe 2:4-9)
13) Paulo claramente define que Cristo é a Pedra (1 Co 3:11; 10:4; Ef 2:20).

2. A afirmação de que Cristo entregou as chaves do Reino apenas para Pedro está equivocada

1) As chaves não foram dadas só a Pedro (Mt 18:18; 28:18-20);
2) As chaves representam a pregação do evangelho. A chave é o evangelho (At 2:14-41; 15:7-11);
3) Pedro usou essas chaves para abrir a porta do reino para os judeus (At 2) para os samaritanos (At 8) e para os gentios (At 10);
4) Cristo é a porta do céu (Jo 10:9).
5) Só Cristo tem o poder de abrir e fechar a porta (Ap 3:7);

3. A vulnerabilidade de Pedro para ser a pedra fundamental da igreja

1) Pedro, o contraditório – Imediatamente depois de afirmar a messianidade e a divindade de Cristo, tenta impedi-lo de ir a cruz, pelo que é chamado de Satanás (Mt 16:22-23).
2) Pedro, o desprovido de entendimento – Logo em seguida, na transfiguração sem saber o que falava, tentou colocar Jesus no mesmo nível de Moisés e Elias (Mc 9:5-6).
3) Pedro, o auto-confiante – Disse para Jesus que ainda que todos o abandonassem, ele jamais o faria e que estaria pronto a ir com Cristo tanto para a prisão como para a morte (Lc 22:33-34; Mt 26:33-35), mas Jesus o alertou que ele o negaria naquela mesma noite, três vezes, antes do galo cantar.
4) Pedro, o dorminhoco – No Getsêmani, o auge da grande batalha travada por Cristo, Pedro não vigia com Cristo, mas dorme (Mt 26:40).
5) Pedro, o violento – Pedro sacou a espada no Getsêmani e cortou a orelha de Malco (Jo 18:10-11), no que foi repreendido por Cristo.
6) Pedro, o medroso – Quando Cristo foi preso, Pedro passou a segui-lo de longe e não foi ao monte do Calvário (Lc 22:54).
7) Pedro, o discípulo que nega a Jesus – Pedro negou, jurou e praguejou, dizendo que não conhecia Jesus (Mt 26:70,72,74). A Igreja de Cristo não pode estar edificada sobre nenhum homem.

4. O primado de Pedro não é reconhecido pelos demais apóstolos

1) Pedro não nomeia apóstolo para o lugar de Judas – O único caso de substituição de apóstolo, Matias no lugar de Judas, não foi uma escolha de Pedro (At 1:15-26).
2) Pedro obedece ordens dos apóstolos – Pedro é enviado juntamente com João pelos apóstolos a Samaria em vez de Pedro enviar alguém. Ele obedece ordens, em vez de dar ordens (At 8:14-15).
3) Pedro não dirige o primeiro concílio da igreja – As decisões doutrinárias da igreja não decidas por Pedro. Ainda, o primeiro concílio da igreja cristã em Jerusalém foi dirigido por Tiago e não por Pedro (At 15:13-21).
4) Todas as vezes que os discípulos discutiram quem era o mais importante entre eles, recebeu de Cristo severa exortação – Em três circunstâncias os discípulos discutiram a questão da primazia entre eles, e Cristo os repreendeu (Mc 9:35; Mt 20:25-28; Lc 22:24).
5) O ministério de Pedro foi designado por Deus como dirigido principalmente aos judeus e não aos gentios – O apóstolo dos gentios foi Paulo enquanto Pedro foi o apóstolo dos judeus (Gl 2:7-8).
6) Pedro não é primaz de Jerusalém – Paulo o chama de coluna da igreja, juntamente com outros apóstolos, mas não o menciona em primeiro lugar (Gl 2:9).
7) O pastor das igrejas gentílicas não é Pedro e sim Paulo – Paulo não se considera inferior a nenhum apóstolo (2 Co 12:11) e diz que sobre ele pesa a preocupação com todas as igrejas (2 Co 11:28).
8) Pedro é repreendido pelo apóstolo Paulo – Pedro tornou-se repreensível em Antioquia, no que é duramente exortado por Paulo (Gl 2:11-14).
9) No Novo Testamento os apóstolos se associam como iguais em autoridade – Nenhuma distinção foi feita em favor de Pedro (1 Co 12:28; Ef 2:20). Paulo não deu prioridade a Pedro quando combateu a primazia dada por um grupo a Pedro, equiparando-o a si e a Apolo, dando suprema importância apenas a Cristo (1 Co 1:12).

5. Pedro não reinvindicou autoridade papal

1) Pedro não aceitou veneração de homens – Quando Cornélio ajoelhou diante de Pedro, e o adorou, ele imediatamente Pedro o levantou e disse: “Ergue-te, que eu também sou homem” (At 10:26). Nem mesmo Pedro tentou perdoar pecados (At 8:22).
2) Pedro autodenominou-se apenas servo e apóstolo de Cristo – Quando Pedro escreveu suas cartas, se fosse papa, teria que defender seu primado, mas não o fez (1 Pe 1:1; 2 Pe 1:1).
3) Pedro considerou-se presbítero entre e não acima dos demais – Pedro reprovou a atitude de dominar sobre o rebanho e chamou a si mesmo de presbítero entre e não acima dos demais (1 Pe 5:1-4).

6. Pedro não foi bispo da Igreja de Roma e possivelmente nem tenha estado em Roma

· De acordo com a tradição do catoliscimo romano, Pedro foi bispo da igreja de Roma, 25 anos, de 42 a 67, quando foi crucificado de cabeça para baixo por ordem de Nero.

1) A Bíblia não tem nenhuma palavra sobre o bispado de Pedro em Roma – A palavra Roma aperece apenas 9 vezes na Bíblia e Pedro nunca foi mencionado em conexão com ela. Não há nenhuma alusão a Roma em nenhuma de suas epístolas. O livro de Atos nada mais fala de Pedro depois de Atos 15, senão que ele fez muitas viagens com sua mulher (1 Co 9:5). A versão católica Confraternity Version traduz esposa por irmã, mas a palavra grega é gune e não adelphe.
2) Não há nenhuma menção de que Pedro tenha sido o fundador da igreja de Roma – Possivelmente os romanos presentes no Pentecoste (At 2:10-11) foram os fundadores da igreja.
3) No ano 60 d.C., quando Pedro escreveu sua primeira Carta, não estava em Roma – Pedro escreveu essa carta do Oriente e não do ocidente – Ele estava na Babilônia, Assíria e não em Roma (1 Pe 5:13). Flávio Josefo diz que na província da Babilônia havia muitos judeus.
4) Paulo escreve sua carta à igreja de Roma em 58 d.C. e não menciona Pedro
· Nesse período, Pedro estaria no auge no seu pontificado em Roma, mas Paulo não dirige sua carta a Pedro e dirige a carta à igreja como seu instrutor espiritual (Rm 1:13).
· No capítulo 16, Paulo faz 26 saudações aos mais destacados membros da igreja de Roma e não menciona Pedro.
· Se Pedro já era bispo da igreja de Roma há 16 anos (42-58), porque Paulo diz: “Porque muito desejo ver-vos, a fim de repartir convosco algum dom espiritual, para que sejais confirmados” (Rm 1:11)? Não seria um insulto gratuito a Pedro? Não seria presunção de Paulo com o papa da igreja?
· Se Pedro fosse Papa da igreja de Roma por que Paulo diz que não costumava edificar sobre o fundamento de outrem: “esforçando-me deste modo por pregar o evangelho, não onde Cristo já fora anunciado, para não edificar sobre fundamento alheio” (Rm 15:20)? Paulo diz isso que Pedro não estivera nem estava em Roma.

5) Paulo escreve cartas de Roma e não menciona Pedro
· Enquanto Paulo esteve preso em Roma, (61 a 63 d.C.) os judeus crentes de Roma foram visitá-lo e nada se fala de Pedro, visto que os judeus nada sabem acerca dessa “seita” que estava sendo impugnada. Se Pedro estava lá, como esses líderes judeus nada sabiam sobre o cristianismo? (At 28:16-30)
· Paulo escreve várias cartas da prisão (Efésios, Filipenses, Colossenses, Filemon) em Roma e envia saudações dos crentes de Roma às igrejas e não menciona Pedro.
· Durante sua segunda prisão, Paulo escreveu sua última carta (2 Tm), em 67 d.C. Paulo diz que todos os seus amigos o abandonaram e que apenas Lucas estava com ele (2 Tm 4:10-11). Pedro estava lá? Se Pedro estava, faltou-lhe cortesia por nunca ter visitado e assistido Paulo na prisão.

6) Não há nenhum fato bíblico ou histórico em que Pedro transfira seu suposto posto de papa a um outro sucessor
· Não apenas está claro à luz da Bíblia e da história que Pedro não foi papa, como também não há nenhuma evidência bíblica ou histórica de que os papas são sucessores de Pedro.

7) Os pais da igreja e os reformadores não acreditaram no bispado de Pedro em Roma
· Nenhum dos pais da igreja primitiva dá um apoio à crença de Pedro fosse bispo em Roma, até Jerônimo no século quinto. Assim, o catolicismo romano edifica o seu sistema papal, não sobre a doutrina do NT, nem sobre fatos da história, mas apenas sobre tradições sem fundamento.
· Calvino diz: “Posto que os escritores estão de acordo em que Pedro morreu em Roma, não o contraditarei. Mas que haja sido bispo de Roma, sobretudo, por muito tempo, não há quem me possa fazer crer” (Instituta Vol. 2, p. 884).

II. O PAPA USURPA DE FORMA BLASFEMA O LUGAR DA TRINDADE

1. O papa usurpa o lugar de Deus Pai

1) O papa usurpa o lugar de Deus Pai, quando se chama Papa, pai da igreja – A palavra papa, significa pai e nesse sentido Jesus disse que não podemos chamar a ninguém de pai (Mt 23:9).
2) O papa usurpa o lugar de Deus Pai, quando se diz infalível – o dogma romano diz que o papa, ao falar ex cathedra é infalível. Como pode ser infalível aquele que criou tantos dogmas contrários às Escrituras: veneração de imagens, intercessão pelos mortos, canonização de santos, confessionário, transubstanciação, purgatório, confessionário, culto a Maria, etc. Em 1870, no concílio vaticano, foi firmado o dogma da infalibilidade do papal.

2. O papa usurpa o lugar de Deus Filho

1) O papa usurpa o lugar de Cristo quando se diz a pedra fundamental da igreja
· No Antigo Testamento a pedra é sempre uma metáfora para Deus (Is 28:16; Sl 118:22).
· Cristo disse que ele é a pedra (Mt 21:42).
· Pedro disse que Cristo é a pedra (At 4:11-12; 1 Pe 2:4-6).
· Paulo disse que Cristo é o único fundamento (1 Co 3:11) e que os apóstolos são o fundamento secundário (Ef 2:20).
· Paulo diz que Cristo é a pedra (1 Co 10:4).

2) O papa usurpa o lugar de Cristo quando se diz Sumo Pontífice – A palavra sumo significa supremo e pontífice, vindo do latim pontifix = construtor de pontes. Sumo pontífice é supremo mediador. Isso contraria o ensino bíblico de 1 Tm 2:5; Jo 14:6.
3) O papa usurpa o lugar de Cristo quando se diz cabeça e chefe da igreja – A teologia do catolicismo romano ensina que o papa é o cabeça e chefe da igreja militante, purgante e triunfante. Isso contraria o ensino da Bíblia (Ef 1:22; 5:23). O próprio Pedro chama Jesus de supremo pastor (1 Pe 5:4). Se a igreja pode ter duas cabeças, então a mulher pode ter dois maridos (Ef 5:23).
4) O papa usurpa o lugar de Cristo quando reinvindica preeminência jurisdicional – O único que têm preeminência na igreja é Cristo (Cl 1:18).

3. O papa usurpa o lugar do Espírito Santo

1) O papa usurpa o lugar do Espírito Santo quando ele se diz o Vigário de Cristo na terra – a palavra vigário significa substituto. O substituto de Cristo é o Espírito Santo e não o papa (Jo 14:16,17,26; 15:26; 16:7-11,13).
2) A presença de Cristo no meio da igreja (Mt 18:20; 28:20) dá-se não pela presença do papa, mas pela presença do Espírito Santo – O papa está em Roma, não tem a capacidade de estar em todo lugar, em todo o tempo. Mas o Espírito Santo sim, está em nós e conosco, sempre!
3) A Bíblia fala de um vigário espúrio de Cristo – O anticristo também é um subsituto espúrio de Cristo (2 Ts 2:4,9,10). O prefixo anti = am vez de, em lugar de. O papa está mais para o papel de anticristo, do que para o papel de legítimo substituto de Cristo, uma vez que esse é o papel do Espírito Santo.

III. ASCENSÃO E DECADÊNCIA DO PAPADO NA HISTÓRIA

1. Até o quarto século a igreja cristã nada tinha a ver com o catolicismo romano
· A igreja primitiva ou cristã não era romana. Não havia nenhuma denominação. A igreja era fiel à doutrina apostólica. Era uma igreja ortodoxa, fiel, santa e mártir.

2. Depois da conversão do imperador Constantino o Cristianismo foi declarado religião oficial do império
· Isso corrompeu a igreja pouco a pouco. A porta de entrada da igreja passou a ser a conveniência e não a conversão. As pessoas vinham para a igreja trazendo suas crendices e doutrinas pagãs. Ao se declararem cristãos, as pessoas recebiam as benesses do governo em vez de perseguição. A igreja encheu-se de gente não convertida.

3. A disputa de poder eclesiástico se estabelece nas principais igrejas
· Não tardou para que os bispos das principais cidades começassem a disputar a primazia, especialmente entre as 5 principais cidades do império: Roma, Constantinopla, Alexandria, Antioquia e Jerusalém.
· No concílio de Nicéia em 325 foi reconhecida aos bispos de Alexandria e Antioquia jurisdição sobre suas províncias, tal como a que o bispo de Roma exercica sobre a província romana.
· O concílio de Calcedônia 451 manteve a mesma posição.

4. O imperador Focas nomeou Gregório I, o bispo de Roma, como bispo universal
· Em 604 d.C., o imperador Focas nomeou Gregório I, bispo universal, mas ele rejeitou o título, dizendo que quem o aceitasse deveria ser considerado precursor do anticristo.
· Em 607 d.C., Focas nomeou Bonifácio III, como bispo universal e ele aceitou o título e aí começou a instituição do papado e o catolicismo romano. Os primeiros 600 anos da era cristã nada sabem sobre qualquer supremacia espiritual da parte dos bispos de Roma. O Catecismo de New York diz: “O papa é o verdadeiro vigário de Cristo, o cabeça de toda a igreja, o pai de todos os cristãos. Ele é governador infalível, o instituidor dos dogmas, o autor e o juiz dos concílios; o soberano universal da verdade, o árbitro do mundo, o supremo juiz do céu e da terra, o juiz de todos, não sendo ele julgado por ninguém na terra.”
· A coroa tripla que o papa usa simboliza sua autoridade no céu, na terra e no inferno: sobre a igreja militante, purgante e triufante.

5. O papa Nicolau I (858-867) foi o primeiro a usar a coroa, servindo-se do documento espúrio AS FALSAS DECRETAIS DE ISIDORO
· O cânon Niceano, reconhecendo a paridade de jurisdição de Alexandria, Antioquia e Roma, cada qual em seu próprio território, apareceu na tradução latina com o título: “roma sempre teve o primado”.
· A frase de Agostinho: causa finita est – a causa está decidida, foi mudada para Roma locuta est; causa finita est: Roma falou, decidiu-se a causa, e foi assim citada no Manual de Catecismo de Pio X.
· A mais influente fraude documental da História foram as Decretais de Isidora, que apareceram em 853 e foram utilizadas por Nicolau. Essas decretais foram incorporadas ao Direito Canônico e por 600 anos continuaram a ser usadas como a prova máxima da supremacia papal sobre a Igreja e o Estado. Segundo o pseudo-Isidoro, a sé romana é “a cabeça, o coração, mãe e cúpula de todas as igrejas” e não está sujeita a tribunal algum. Esse documento falso, forjado, supondo ser um documento do II e III séculos, exaltava o poder dos papas e legitimava o papado desde o apóstolo Pedro.
· As “pseudas decretais de Isidoro” selaram a pretensão do clero Medieval com o sinete da antiguidade e o papado que era recente tornou-se coisa antiga. Esse maior imbuste da história antecipou o papado em 5 séculos.

6. O papado como infalível corrompeu-se moral e teologicamente
· O papado na Idade Média tornou-se opolento econômica e politicamente. Também corrompeu-se ao extremo.
· Embora historicamente os papas se considerassem infalíveis, esse dogma só veio a ser definido no Concílio Vaticano em 1870, no tempo de Pio IX.
· Os papas, dizendo-se infalíveis em matéria de fé e moral, entraram em contradição, instituíram a inquisição (Inocêncio III, em 1215 instituiu a inquisição papal. Inocêncio IV, quinze anos depois, legalizou a tortura. Em 1478, Sixto IV sancionou a inquisição Espanhola. A inquisição romana foi organizada por Paulo III e administrada com zêlo especial por Paulo IV 1555-1559. Leão X afirmou que a queima de dissidentes religiosos era de expressa revelação do céu.
· Os papas dizendo infalíveis declararam heréticas as descobertas científicas. De Copérnico. Galileu Galilei foi preso em Florença por defender que a terra gira em torno do sol. Em 1633 ele foi julgada pela inquisição e precisou se retratar para não ser queimado.
· O papa, sendo infalível, criou muitos dogmas contrário às Escrituras, ao longo da história:
a) 431 – Culto a Maria: Mãe de Deus, Imaculada, Intercessora, Co-Redentora, Assunto aos céus.
b) 503 – Purgatório.
c) 787 – Culto às imagens.
d) 913 – Canonização dos santos.
e) 933 – canonização dos santos
f) 1184 – Inquisição – Na Idade Média, na Pré-Reforma, no Concílio de Trento, na Pós-Reforma. Os jesuítas – A companhia de Jesus, o braço da inquisição. O francês calvinista Jacques Le Balleur foi assassino pelo santo canonizado Anchieta no Rio de Janeiro em 9/2/1558.
g) 1190 – A venda das indulgências.
h) 1216 – Institui-se a confissão.
i) 1215 – Decretam a transubstanciação.
j) 1546 – No concílio de trento – incluem os livros apócrifos.
k) 1854 – Dogma da Imaculada Conceição.
l) 1870 – Dogma da infalibilidade papal.
m) 1950 – Dogma de assunção de Maria.

· John Wycliff considerou o bispo de Roma não como vigário de Cristo, mas como o homem do pecado.
· John Huss acusou os doutores da igreja de colocar o papa em paridade com o Espírito Santo.
· Lutero dizia que as falsas pretenções do papa concorda tanto com o governo dos apóstolos como Lúcifer com Cristo, o Inferno com o céu, a noite com o dia.
· Calvino entendiam que o papa é uma figura do anticristo.
· Tyndale chamava o papa de anticristo e o catolicismo romano como a prostituta de Babilônia.
· O prefácio da Bíblia King James, 1611, chama o papa de “o homem do pecado”.
· A Confissão de Fé de Westminster fala que o papa é o anticristo, o homem do pecado, o filho da perdição.

7. O papa muda de tática no Concílio Vaticano II
· A partir de João XXIII a igreja mudou de tática e passou a dar uma ênfase ecumênica. Tanto João XXIII, como Paulo VI, João Paulo I e João Paulo II, trabalharam nessa direção. A questão não é mudança de convicção, mas de tática. Roma é sempre a mesma.
· Em vigência, porém, está a constituição dogmática LUMEM GENTIUM do Concílio Ecumênico Vaticano II, promulgado em 21 de Novembro de 1964: “Pois o romano pontífice, em virtude do seu múnus de vigário de Cristo e pastor de toda a igreja, possui na igreja poder pleno, supremo e universal”.
· Joseph Ratzinger disse que as outras igrejas não são co-irmãs, mas procedentes do romanismo.
8. As encíclicas e bulas papais hoje já não são mais levados a sério pelos fiéis católicos
· O catoliscimo está perdendo seus fiéis a cada ano. Na Europa as igreja estão vazias. Na América Latina O catoliscimo perde fiéis aos milhares a cada ano.
· O povo que se diz católico não obedece as bulas e encíclicas papais, daqueles a quem consideram infalível.
· Não obstante nos últimos anos, Roma teve papas respeitados pela sua firme posição moral e esforço nas causas políticas e sociais, e religiosas como João XXIII, Paulo VI, João Paulo II, e agora Bento XVI, o catolicismo romano não pode ser considerado uma legítima vertente do Cristianismo bíblico e apostólico.

CONCLUSÃO

1. A verdade sempre traz benefícios – As nações que cresceram sugando o leite da verdade, colonizadas pelo protestantismo foram nações ricas, fortes, prósperas, enquanto as que cresceram sob o báculo do papa, foram nações pobres e atrasadas. A Reforma não foi um desvio da Igreja Romana, mas uma volta ao Cristianismo apostólico.
2. O ecumenismo é uma armadilha para neutralizar o avanço evangelístico da igreja – A proposta ecumênica encantou os evangélicos ingênuos e paralizou o ímpeto evangelístico da igreja protestante.
3. A apologética não pode ser um fim em si mesmo – A igreja precisa conhecer a verdade, viver a verdade proclamar a verdade. A igreja de Éfeso na defesa da fé perdeu o amor. Devemos os católicos e evangelizá-los. Uma das melhores maneiras de evangelizar um católico é ensinando para ele o catolicismo.

Rev. Hernandes Dias Lopes.

5 comentários em “O papado à luz da bíblia e da história”

  1. Rev. Hernandes muito boa a sua explicação, amem vai me ajudar muito em alguns pontos que vou tratar em relação ao catolicismo… agora eu só queria saber de mais uma coisa um pouco mais detalhada, que sobre essa falsificação de documentos que o senhor falou, sobre alguns documentos que o próprio catolicismo alterou, como eu posso provar isso? tem como?

  2. Carlos Alexandre

    Graça e Paz, sou membro da IPB e admiro muito o trabalho do Rev. Hernandes Dias Lopes, mas me permita tirar uma dúvida? O texto diz que os livros deuterocanônicos (chamados de apócrifos) foram incluídos na Bíblia Sagrada no concílio de Trento (1546). Entretanto, esses livros já eram admitidos no Cânon das Escrituras pelo Concílio de Roma em 382 d.C., de Hipona em 393 d.C. e o III Concílio de Cartago em 397. Qual seria a possível explicação?

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