O poder da palavra de Deus

Referência: LUCAS 8.4-8,12-15

Diz Cristo que saiu o pregador evangélico a semear a Palavra divina. Não só faz menção de semear, mas faz também caso de sair, porque no dia da colheita hão de nos medir a semeadura e hão de nos contar os passos.
Entre os semeadores do Evangelho há uns que saem a semear, há outros que semeiam sem sair. Agora, diz Cristo que o semeador saiu, porém não diz que tornou, pois quem lança mão do arado e olha para traz não é apto para o Reino.
E se esse semeador quando saiu, achasse o campo tomado? Se se armassem contra ele os espinhos? Se se levantasse contra ele as pedras? E se lhe fechassem os caminhos, que havia de fazer?
Todos esses problemas enfrentou o semeador. Começou ele a semear, mas com pouca ventura. Uma parte do trigo caiu entre os espinhos, e afogaram-na os espinhos. Outra parte caiu sobre pedras e secou-se nas pedras por falta de umidade. Outra parte caiu no caminho, e pisaram-no os homens e comeram-no as aves.
Ora, vede como todas as criaturas do mundo se armaram contra esta sementeira. Todas as criaturas quantas há no mundo se reduzem a quatro gêneros: 1) CRIATURAS RACIONAIS = como os homens.
2) CRIATURAS SENSITIVAS = como os animais.
3) CRIATURAS VEGETATIVAS = como as plantas.
4) CRIATURAS INSENSÍVEIS = como as pedras. E não há mais. Faltou alguma dessas que se não armasse contra o semeador? NENHUMA!.
A natureza insensível o perseguiu nas pedras; a vegetativa nos espinhos; a sensitiva nas aves; a racional nos homens. As pedras secaram-na; os espinhos afogaram-na; as aves comeram-na e os homens pisaram-na.
Os pregadores ao semearem a Palavra acham homens homens; homens pedra; homens troncos; homens secos. Houve aqui semente mirrada, semente afogada, semente comida e semente pisada.
Há! Não só a semente, mas muitos semeadores também que sofrem a mesma oposição. Houve semeadores afogados, semeadores comidos, semeadores mirrados e semeadores pisados.
Ah, mas isto é glória para os semeadores, pois são mirrados sim, mas por amor a Deus mirrados; afogados sim, mas por amor de Deus afogados; comidos sim, mas por amor de Deus comidos; pisados sim, mas por amor de Deus perseguidos e pisados.
E o que devia fazer o semeador evangélico, vendo tão mal logrados seus primeiros trabalhos? Desistir da sementeira? Ficar ocioso no campo? Não, ele não desanimou nem na primeira, nem na segunda, nem na terceira perda. A quarta parte caiu em BOA TERRA e se restauraram com vantagem as perdas das demais: NASCEU, CRESCEU, ESPIGOU, AMADURECEU, COLHEU-SE, MEDIU-SE 30, 60, 100 POR UM.
“Os que saem chorando enquanto semeiam voltarão com júbilo trazendo os seus feixes.” O semeador foi perseverante: perdeu a primeira, a segunda, a terceira parte da semente, mas aproveitou a quarta e última e colheu dela muito fruto.

I. O SIGNIFICADO DA PARÁBOLA

A semente que semeou o pregador é a PALAVRA DE DEUS. Os espinhos, as pedras, o caminho e a terra boa, em que a semente caiu, são os diversos corações dos homens.
1) OS ESPINHOS = São os corações embaraçados com cuidados, com riquezas, com prazeres carnais – e nestes afoga-se a Palavra de Deus.
2) AS PEDRAS = São os corações duros e obstinados e nestes seca-se a Palavra de Deus, e se nasce, não cria raízes.
3) OS CAMINHOS = São os corações inquietos e perturbados com a passagem e tropel das coisas do mundo, umas que vão, outras que vêm, outras que atravessam e todas que passam – e nestes é pisada a Palavra de Deus.
4) A TERRA BOA = São os corações que acolhem a Palavra e neles frutifica com tanta fecundidade e abundância que se colhe cento por um.
Se a Palavra de Deus é tão eficaz e tão poderosa, como vemos tão pouco fruto hoje? Se ela frutificou cento por um, porque hoje muitas vezes não frutifica um por cento? Na igreja apostólica, na igreja primitiva, na Reforma, nos Reavivamentos do Século XVIII, XIX e começo do século XX, multidões convertiam-se ao Evangelho. Vidas eram transformadas. Lares eram reerguidos. Cidades eram salvas. Nações restauradas.
Hoje, a despeito de termos tantos pregadores e tantos sermões e tanta semeadura, porque há tão poucos frutos? Porque tão poucos homens se arrependem? Porque tão pequenos resultados se Deus é o mesmo e se a Palavra tem o mesmo poder?

II. DESCOBRINDO AS CAUSAS

Fazer pouco fruto a Palavra de Deus pode proceder de um de três princípios:
1) ou da parte do PREGADOR;
2) ou da parte do OUVINTE;
3) ou da parte de DEUS.
Para uma pessoa se converter por meio da mensagem há de haver três concursos:
1) Há de concorrer o pregador com a DOUTRINA, persuadindo-o;
2) Há de concorrer o ouvinte com o ENTENDIMENTO, percebendo;
3) Há de concorrer Deus com a GRAÇA, alumiando.
Para um homem se ver a si mesmo são necessárias três coisas: OLHOS, ESPELHO E LUZ. Se tem espelho e é cego, não pode ver por falta de olhos; se tem espelho e olhos, e é noite, não se pode ver por falta de luz. Logo há mister luz, há mister espelho, e há mister olhos.
O pregador concorre com o espelho, que é a DOUTRINA. Deus concorre com a luz, que a GRAÇA; o homem concorre com os olhos que é o ENTENDIMENTO.
Mas se há pouco fruto de quem é a falta? De Deus, do ouvinte ou do pregador?
1. POR PARTE DE DEUS?
Por parte de Deus não falta e nem pode faltar. A primeira semente perdeu-se porque a afogaram os espinhos. A segunda porque a secaram as pedras. A terceira porque a pisaram os homens e a comeram as aves. Isto é o que Cristo diz, mas notai o que Ele não diz. Não diz que parte alguma daquela semente se perdesse por causa do sol ou da chuva. Porque o sol e a chuva são dádiva do céu e deixar de frutificar a semente da Palavra de Deus nunca é por falta do céu, sempre é por culpa nossa.

2. SERÁ POR PARTE DO OUVINTE?
Se a culpa fosse toda dos ouvintes, não teria a Palavra de Deus feito grandes resultados produzindo cento por um. Na boa terra a semente frutificou em abundância e mesmo nos solos pisados, espinhentos e rochosos a semente não frutificou, mas nasceu. A semente que caiu nos espinhos nasceu, mas afogaram-no; a semente que caiu nas pedras, nasceu, mas secou-se.
A Palavra é tão fecunda que na boa terra produz muito fruto e nos espinheiros e nas pedras faz efeito.
Os piores ouvintes são as pedras e os espinhos = Os espinhos por agudos, as pedras por duras. Ouvintes de entendimentos agudos e de vontades endurecidas são as piores. OS OUVINTES DE ENTENDIMENTO AGUDOS = São mau ouvintes porque vêm só ouvir sutilezas, avaliar pensamentos e às vezes também a picar quem não os pica. A semente não picou os espinhos, estes picaram a semente.
OS OUVINTES DE VONTADE ENDURECIDA = São os piores porque ainda os espinhos agudos se quebram na sua dureza. Estes são fechados, impenetráveis, insensíveis.
Mas a Palavra é tão poderosa que sem cortar nem despontar espinhos nasce entre espinhos – sem arrancar pedras nasce entre as pedras.
ENTÃO, SE A PALAVRA É PODEROSA E PRODUZIU EM UM FRUTOS E NOUTROS EFEITOS, A CULPA NÃO É DOS OUVINTES SÓ, MAS PRINCIPALMENTE DOS PREGADORES.

III. APONTANDO AS CAUSAS

A definição do pregador é a vida e o exemplo. Por isso Cristo não o comparou ao semeador, mas ao que semeia. Não diz Cristo: “Saiu a semear o semeador” MAS SIM “saiu o semeador a semear.”
Entre o semeador e o que semeia há muita diferença. Uma coisa é o soldado e outra coisa é o que peleja. Uma coisa é o governador, e outra o que governa. Uma coisa é o pregador e outra o que prega. O semeador e o pregador é nome; o que semeia e o que prega é ação. E AS AÇÕES SÃO AS QUE DÃO O SER AO PREGADOR.
Ter nome de pregador ou ser pregador de nome, não importa nada; as ações, a vida, o exemplo, a consagração, o enchimento do Espírito, a unção é que dão resultado.
Antigamente convertiam-se multidões porque o povo de Deus pregava com a vida e com o exemplo. Hoje há poucas conversões porque pregam-se palavras e pensamentos e não palavras e obras.
Palavras sem obras são tiro sem bala, ATROAM MAS NÃO FEREM.
A funda de Davi derrubou o gigante, mas não o derrubou com o estalo, senão com a pedra.
O pregar que é falar, faz-se com a boca; o pregar que é semear, faz-se com a mão. Para falar ao vento, bastam palavras; para falar ao coração, é necessário vida, exemplo, obras.
A Palavra de Deus frutificou cento por um = Que quer isto dizer? = Que de uma palavra nasceram cem palavras? Não. De uma palavra nasceram cem vidas transformadas. Mas palavras que frutificam vidas, não são só palavras…
O próprio verbo de Deus, que era Palavra de Deus, quando veio nos salvar, fez-se carne. Agora o verbo encarnado pregava também aos ouvidos e aos olhos. IDE DIZEI A JOÃO O QUE ESTAIS OUVINDO E VENDO: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os mortos ressuscitam e aos pobres é pregado o Evangelho.
Pouco importa que as nossas palavras sejam divinas, se nossa vida não o demonstrar. A razão disto é porque as palavras ouvem-se, as obras vêem-se. As palavras entram pelos ouvidos, as obras entram pelos olhos e a nossa alma rende-se muito mais pelos olhos que pelos ouvidos.
Vissem os ouvintes em nós o que nos ouvem a nós e o abalo e os efeitos da nossa mensagem revolucionariam o mundo como aconteceu com FILIPE EM SAMARIA. A cidade ficou abalada e extasiada de alegria ao ouvir e ver as coisas que ele fazia pelo poder de Deus.
Sabem porque fazem pouco abalo as nossas mensagens? Porque não pregamos aos olhos, pregamos só aos ouvidos = Se quando os ouvintes percebem os nossos conceitos, têm diante dos olhos as nossas manchas, como hão de crer? Se a minha vida é apologia contra a minha doutrina, se as minhas palavras vão já refutadas nas minhas obras, se uma coisa é o semeador e outra o que semeia, como poderemos esperar frutificação na semeadura?

IRMÃOS, QUEREIS SABER A CAUSA PORQUE SE FAZ HOJE TÃO POUCO FRUTO COM TANTAS PREGAÇÕES? É PORQUE AS PALAVRAS DOS PREGADORES SÃO PALAVRAS, MAS NÃO PALAVRAS DE DEUS =

A Palavra de Deus é eficaz e produz fruto, mas palavras dos homens não têm esse poder. Diz A Palavra de Deus: “Quem semeia ventos, colhe tempestade.” Se os pregadores semeiam vento, se o que se prega é tradição humana, conceitos humanos, filosofia humana e não a Palavra de Deus, há de colher tormenta e não frutos.
Mas dizeis: Mas os pregadores não pregam as Sagradas Escrituras? Como não pregam a Palavra de Deus? = Esse é o mal.: Pregam Palavras de Deus, mas não pregam A PALAVRA DE DEUS.
Disse Deus por Jeremias: “o profeta que tem sonho conte-o como apenas sonho; mas aquele em quem está a minha palavra, fale a minha palavra com verdade. Que tem a palha com o trigo? Diz o Senhor.” (23.28) = As Palavras de Deus pregadas no sentido em que Deus as disse, são palavras de Deus, mas pregadas no sentido que nós queremos, não são palavras de Deus, antes podem ser palavras de demônios.
Exemplo: O diabo tentou a Jesus com as Escrituras. Jesus defendeu-se do diabo com as Escrituras = Todas as Escrituras são Palavra de Deus; pois se Cristo toma a Escritura para se defender do diabo, como toma o diabo a Escritura para tentar Cristo? A razão é porque Cristo tomava as Palavras das Escrituras em seu verdadeiro sentido e o diabo tomava as palavras de forma torcida. E as mesmas palavras, que tomadas em verdadeiro sentido são Palavra de Deus, tomadas em sentido alheio são armas do diabo. AS MESMAS PALAVRAS QUE TOMADAS NO SENTIDO EM QUE DEUS AS DISSE SÃO DEFESA, TOMADAS EM SENTIDO EM QUE DEUS NÃO DISSE SÃO TENTAÇÃO.
Assim como o diabo tentou a Cristo no pináculo do templo com a Palavra mal interpretada, assim hoje ele usa pregadores no púlpito para golpear a Palavra de Deus, torcê-la e adulterá-la, pregando MODERNISMO, LIBERALISMO, MISTICISMO, VISÕES, PROFECIAS, SONHOS E TODA SORTE DE MANIPULAÇÃO HUMANA.
Exemplo: Teologia de prosperidade – forma indecorosa de arrancar dinheiro do povo – exageros da batalha espiritual – profecias carnais que geram escândalo …

CONCLUSÃO

Muitos rejeitam, zombam e não querem ouvir a Palavra de Deus. Mas a doutrina de que eles zombam, essa é a que lhes devemos pregar, porque é a mais proveitosa.
A semente que caiu no caminho comeram-na as aves. Estas aves, como explicou Jesus são demônios que tiram a Palavra de Deus dos corações dos homens. Pois porque não comeu o diabo a semente que caiu entre os espinhos? Ou a semente que caiu nas pedras, senão a semente que caiu no caminho? PORQUE A SEMENTE QUE CAIU NO CAMINHO – PISARAM-NA OS HOMENS – E a doutrina que os homens pisam essa é a que o diabo teme. Desses outros conceitos e pensamentos que os homens aplaudem o diabo não se acautela, porque sabe que não são essas as pregações que hão de lhe tirar as almas das unhas.
Explicando Cristo a parábola diz que as pedras são aqueles que ouvem a pregação com gosto – mas depois viram pedras! Não gostem e abrandem-se; não gostem e quebrem-se; não gostem e frutifiquem. O frutificar não se ajunta com o gostar, senão com o padecer. Se a semente não morrer ela não frutifica. A semente que frutifica não é aquela que dá gosto ao ouvinte, é aquela que lhe dá pena. Quando o ouvinte a cada palavra do pregador treme. Quando o ouvinte vai do sermão para casa atônito, então é a pregação que convém e que dará fruto.
Devemos esperar não que os homens saiam dos nossos sermões e cultos contentes de nós, senão que saiam muito descontentes de si. Não que lhes pareçam bem a Palavra de Deus, mas que lhes pareçam mal os seus pecados, as suas vidas, as suas ambições. Contanto que se descontentem de si; descontentem-se embora de nós. Paulo disse: “Se agradasse ainda a homens não seria servo de Cristo.”
Devemos pregar o que convém à sã doutrina, com poder e unção, com vida e testemunho, com coragem e determinação.
PREGUEMOS E ARMEMO-NOS TODOS CONTRA O PECADO. VEJA O CÉU QUE AINDA TEM NA TERRA QUEM SE PÕE DA SUA PARTE. SAIBA O INFERNO QUE AINDA HÁ NA TERRA QUEM LHE FAÇA GUERRA COM A PALAVRA DE DEUS E SAIBA A MESMA TERRA, QUE AINDA ESTÁ EM ESTADO DE REVERDECER E DAR MUITO FRUTO! Amém!!!

Rev. Hernandes Dias Lopes.

1 Comentário

  • Jonathan Costa Posted 25 de abril de 2014 2:09

    “Eis que vêm dias, diz o Senhor DEUS, em que enviarei fome sobre a terra; não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir as palavras do SENHOR.”

    Amós 8:11

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