O poder da palavra na implantação do reino

Referência: Marcos 4.21-33

INTRODUÇÃO

1. Jesus ensina por meio de parábolas

Jesus foi o maior de todos os mestres, pela natureza do seu ensino, pela excelência de seus métodos e pela grandeza do seu exemplo. Ele não foi um alfaiate do efêmero, mas um escultor do eterno.
As parábolas eram janelas abertas para uns e portas fechadas para outros. Eram avenidas de compreensão das verdades do Reino para os discípulos e portas cerradas para aqueles que perseguiam e zombavam. O termo parábola é de origem grega. Etimologicamente significa “a colocação de uma coisa ao lado da outra para fins de comparação”.

2. Jesus ensina sobre o poder da Palavra no estabelecimento do Reino

As parábolas usadas por Marcos estão ligadas ao poder da Palavra no estabelecimento do Reino de Deus. Jesus contou três parábolas sobre o Reino: semeador, semente, grão de mostarda. A primeira fala da resposta do homem à Palavra; a segunda trata do poder intrínseco da Palavra; a terceira fala da capacidade de extraordinária de crescimento dessa Palavra no estabelecimento do Reino.
Vamos examinar essas três parábolas e extrair suas principais lições:

I. O PODER DA PALAVRA PARA ILUMINAR A TODOS – (4.21-25)

Jesus usa figuras diferentes para ensinar a mesma lição: os corações férteis assemelham-se a lâmpadas luminosas. É a Palavra de Deus que produz brilho nas vidas ao estabelecer sua influência nelas. A Palavra é simbolizada pela semente e também pela lâmpada. Os rabinos estavam escondendo aquela palavra debaixo de um sistema elaborado de tradições humanas e ações hipócritas. Hoje, muitas pessoas ainda escondem a palavra debaixo do alqueire e da cama, símbolos do lucro e do prazer.
Jesus fala sobre essa parábola para esclarecer o que havia dito nos versos 11 e 12. A verdade não é para ser escondida. A lâmpada deve voltar a brilhar com todo o seu esplendor. Ela não pode ser colocada debaixo do alqueire nem debaixo da cama, mas no velador. O mistério do Reino deve ser revelado e não escondido.
Que implicações essa parábola de Jesus tem para igreja hoje:

1. Nós devemos proclamar a verdade do Reino para os outros – v. 21,22

Não podemos receber conhecimento da Palavra e guardá-lo apenas para nós mesmos, escondendo essa luz debaixo do alqueire ou da cama. Não faz sentido ter uma lâmpada escondida numa casa. A luz da verdade não nos é dada para ser retida, mas para ser proclamada. Precisamos repartir com outros essa luz. Precisamos compartilhar com os outros os tesouros da graça de Deus. Não podemos enterrar nossos talentos nem esconder nossa luz. Não podemos nos calar nem nos omitir covardemente.
Com a figura da lâmpada, Jesus se distanciou de modo veemente fundamental do esoterismo. O Reino de Deus não é uma religião de mistério nem uma doutrina fechada, mas uma verdade para sair do esconderijo e alcançar os telhados do mundo.
Um filho do Reino precisa ser um embaixador do Reino, um anunciador de boas novas, um arauto da verdade, um facho de luz a brilhar diante do mundo. A igreja é o método de Deus para alcançar o mundo. A evangelização dos povos é uma tarefa imperativa, intransferível e impostergável. Precisamos dizer aos famintos que encontramos pão e dizer aos perdidos que encontramos o Messias. Precisamos pregar a tempo e a fora de tempo e aproveitar as oportunidades.
William Barclay diz que o propósito da verdade é que ela seja vista. Quando Lutero decidiu enfrentar a Igreja Romana se propôs a combater primeiro as indulgências. Em Wittemberg havia uma igreja chamada “a igreja de todos os santos”, muito ligada à Universidade. Sobre a porta da igreja fixavam-se notícias da Universidade, assim como os temas das discussões acadêmicas. No dia de maior freqüência à igreja, o dia de todos os santos, dia 01 de novembro, que coincidia com o aniversário da igreja, Lutero fixou suas noventa e cinco teses sobre a porta no dia anterior, 31 de outubro, a fim o maior número de pessoas pudessem ler. Lutero havia descoberto a verdade e não guardá-la apenas para si. Precisamos colocar a lâmpada da verdade no velador, para que todos possam vê-la.

2. Nós devemos entender que a verdade jamais pode ficar escondida – v. 22

Há algo indestrutível na verdade. Os homens podem resisti-la e negá-la, mas não destruí-la. No começo do século XVI o astrônomo Nicolau Copérnico descobriu que a terra não é o centro do universo. Viu que na realidade ela gira em torno do sol. Por cautela, durante trinta anos, não difundiu seu descobrimento. Por último, em 1543, quando estava à beira da morte, convenceu a um editor atemorizado a publicar sua obra As Revoluções dos Corpos Celestes. Copérnico morreu em seguida, mas outros herdaram a tormenta. Galileu Galilei no começo do século XVII aderiu à teoria de Copérnico e firmou sua adesão publicamente. Em 1616 a inquisição o convocou a Roma e condenou suas crenças. Para não morrer, ele retratou-se. Mais tarde com a ascensão de um novo papa, voltou a reafirmar sua crença, mas Urbano VIII o forçou a retratar-se sob pena de tortura e morte. A retratação o livrou da morte, mas não da prisão. Mas a verdade não pode ser exilada. Pode-se atacar, torcer, reprimir, mas jamais prevalecer sobre a verdade.
A verdade vai prevalecer sempre. No dia do juízo, aqueles que escaparam da lei, que saíram ilesos dos tribunais ou aqueles que praticaram seus pecados longe dos holofotes terão seus pecados anunciados publicamente. A verdade pode demorar a revelar-se, mas ela jamais será sepultada no esquecimento.

3. Nós devemos refletir sobre o que nós ouvimos – v. 23

Jesus enfatizou várias vezes neste capítulo a imperativa necessidade de prestar atenção no que ouvimos (v. 3,9,23,24). John Charles Ryle diz que ouvir é a principal avenida através da qual a graça é plantada na alma humana. A fé vem pelo ouvir a Palavra de Cristo (Rm 10.17). Somos incluídos em Cristo quando ouvimos a Palavra da verdade (Ef 1.13). Pela pregação da Palavra a glória de Deus é manifesta, a fé é alimentada e o amor praticado.
Muitos ouvem e desprezam. Outros ouvem e esquecem. Há aqueles que ouvem e deliberadamente deixam para depois. Devemos inclinar os nossos ouvidos para atender o que ouvimos.

4. Nós devemos ser cautelosos no julgamento alheio – v. 24

Uma pessoa bondosa tem prazer de dar crédito a quem merece crédito (Lc 6.38). Por outro, se a disposição é maldosa, ela desenvolverá o hábito de julgar com severidade (Mt 7.1-5). Nós vemos nos outros o reflexo do nosso próprio rosto. Nós colhemos o que plantamos. Nós bebemos o refluxo do nosso próprio fluxo. Exemplo: A casa dos mil espelhos.

5. Nós devemos fazer uso diligente dos privilégios espirituais – v. 25

William Hendriksen diz que o imobilismo é impossível nas questões espirituais. Uma pessoa ganha ou perde; avança ou retrocede. “Ao que tem se lhe dará; e, ao que não tem, até o que tem lhe será tirado”. Obediência implica em bênção; desobediência implica em prejuízo. Cada bênção é garantia de maiores bênçãos por vir (Jo 1.16). Aquele que é iluminado pela verdade e despreza esse privilégio está cometendo um grave pecado e perdendo uma grande oportunidade. A preguiça e a indolência são combatidas severamente nas Escrituras. A Bíblia diz: “O preguiçoso deseja, e nada tem, mas a alma dos diligentes se farta” (Pv 13.4). Adolf Pohl diz que se resistirmos ao amor de Deus, no dia em que à nossa volta as carroças da colheita seguirem carregadas para os depósitos, em nossa lavoura só haverá mata para queimar.
Este é um princípio para uma vida bem-sucedida. Assim como os músculos são fortalecidos pelo exercício, de igual forma, fortalecemo-nos espiritualmente com a prática da vida cristã. Conhecimento sem prática gera obesidade e flacidez espiritual. A maneira de termos uma vida cristã robusta é exercitarmos o que recebemos, aproveitando as oportunidades.

II. O PODER INTRÍNSECO DA PALAVRA PARA FRUTIFICAR NOS CORAÇÕES (4.26-29)

Certamente Jesus ensinou esta parábola para encorajar seus discípulos. Eles possivelmente ficaram desencorajados sobre o significado da parábola do semeador em que três quartos da semente perderam-se. Podemos nós confiar apenas na resposta do coração humano para termos sucesso em nossa missão. Podemos nós depender apenas da resposta humana. Jesus, então, mostrou o outro lado da verdade. A semente é a Palavra de Deus. Embora o semeador não veja inicialmente nenhuma evidência e resultado do seu labor, a semente trabalha por si mesma no ventre da terra. A semente tem vida em si mesma, porque ela é a Palavra do Deus vivo. O Espírito Santo trabalha eficazmente nela e através dela para a expansão do Reino de Deus.
Se na parábola do semeador Jesus enfatizou a responsabilidade humana, nesta parábola, Jesus enfatiza a soberania de Deus. Aqui vemos o intrínseco poder da semente. O ser humano de si mesmo não pode fazer nada. É somente pelo poder, dado por Deus, que ele pode se voltar para Deus e ter uma fé verdadeira. A Palavra de Deus semeada no coração humano trabalha por si mesma. A semente tem vida em si mesma. Ela trabalha automaticamente, invisivelmente, poderosamente e triunfantemente. Deus é o autor do crescimento espiritual.
Vejamos as lições desta parábola:
1. O imperceptível começo do Reino de Deus – v. 26
Nesta parábola Jesus não está falando do Reino escatológico, mas do Reino presente (v. 26). Como esse reino é estabelecido. Como ele cresce dentro de nós.
Em primeiro lugar, é necessário existir um semeador (4.26).A terra, como nós sabemos, jamais produz grãos por si mesma. Ela é a mãe das ervas daninhas, mas não do trigo. Sem semeadura não há colheita. Sem pregação não há conversão. Sem chamado não há resposta. Deus dá o crescimento à semente que semeamos. O coração humano, semelhantemente, jamais se tornará para Deus em arrependimento, fé e obediência. Ele é absolutamente estéril para a divina semente. O coração humano está totalmente morto para Deus e é incapaz de dar vida a si mesmo.
Em segundo lugar, o semeador não pode fazer a semente crescer (4.27). A única coisa que o semeador pode fazer é confiar. A única coisa que ele pode fazer é dormir noite após noite e levantar, um dia após o outro. O semeador tem limitações. Ele pode semear a semente na terra, mas não pode fazê-la produzir. Só Deus pode produzir vida e dar o crescimento. Paulo diz: “Eu plantei, Apolo regou, mas o crescimento vem de Deus. De tal modo que nem o que planta nem o que rega é alguma coisa, mas somente Deus que dá o crescimento” (1 Co 3.6,7). Somente Deus pode fazer seu reino crescer. Somente Jesus pode edificar sua própria igreja. Somente Deus pode acrescer aqueles que dia a dia vão sendo salvos. Todo o esforço humano seria insuficiente para converter sequer uma vida. O Reino de Deus é vitorioso. Seu Reino conquistará todos os reinos do mundo. Jesus colocará todos os seus inimigos debaixo dos seus pés. O próprio Deus conduzirá seu Reino à consumação.
Em terceiro lugar, o semeador não pode entender o processo do crescimento da semente (4.27). O semeador não apenas não pode fazer a semente germinar, como também não sabe como ela germina. Deus age poderosa, misteriosa e inexplicavelmente na implantação do seu Reino. Nós não podemos entender porque a semente produz resultados gloriosos numa vida e more na outra. Não podemos especificar a hora nem o minuto em que a vida desabrocha a partir da Palavra no coração humano. Não podemos explicar todos os detalhes e segredos da intervenção milagrosa de Deus no coração humano que ouve a Palavra. O semeador semeia e dorme, mas não pode fazer a semente crescer nem entende como ela cresce.

2. O progressivo desenvolvimento do Reino de Deus – v. 28

Jesus ensinou preciosas lições sobre esse precioso assunto:
Em primeiro lugar, a semente cresce imperceptivelmente (4.27). Quando o semeador lança a semente no coração humano, ela cresce secreta, silenciosa, misteriosa e imperceptivelmente. O semeador olha e não vê coisa alguma acontecendo; ele não pode ver o resultado do seu labor. Ele não pode ver nenhum sinal de vida e nenhuma transformação da pessoa, mas a Palavra de Deus, pela operação do Espírito Santo gera transformação e vida. A divina semente muda as disposições íntimas da alma. Ela regenera o pecador e produz nele uma nova vida. Então ele se torna uma nova criatura.
Em segundo lugar, a semente cresce automaticamente (4.28). A semente revela seu poder. A terra produz por si mesma, automaticamente, sem causa visível e sem qualquer esforço humano. A palavra grega é automate, que significa automaticamente. Esta “por si mesma”, que exclui a responsabilidade humana, não é à parte da intervenção de Deus. Essa palavra aparece também em Atos 12.10, quando diz que o portão de ferro da prisão de Pedro abriu-se automaticamente sem qualquer ajuda externa ou esforço humano. Jesus ensinou que o segredo do crescimento é confiado a terra. Contudo, a ênfase desta parábola é o poder intrínseco da semente que lançada a terra.
O semeador olha o campo e não vê evidência de crescimento. Mas, de repente, ele olha novamente e vê a semente crescimento para uma grande colheita. De igual modo, ocorre com o Reino de Deus. O Espírito de Deus está trabalhando poderosamente em conexão com a Palavra. Enquanto o semeador está dormindo, a Palavra de Deus está agindo secretamente, poderosamente, constantemente e eficazmente nos corações para uma grande colheita.
Em terceiro lugar, a semente cresce inevitavelmente (4.27,28). Ninguém pode neutralizar a semente destinada a crescer. Ela é vitoriosa. Uma árvore pode romper um pavimento de cimento armado com o poder de seu crescimento. Mesmo com a rebeldia humana e sua desobediência, a obra de Deus prossegue. Da mesma forma, a obra do Espírito no coração do homem é uma obra eficaz. Paulo diz: “Aquele que começou boa obra em vós, há de completá-la até o dia de Cristo Jesus” (Fp 1.6). O Reino de Deus não conhece derrotas. Ele jamais será derrotado. Haendel em sua imortal música Halleluiah expressa essa sublime verdade do glorioso triunfo do Reino de Deus. Este Reino começou imperceptivelmente e secretamente no coração humano como uma pequena semente lançada sobre a terra, agora está crescendo gloriosa e invencivelmente. A obra de Deus é invencível. Nem o mundo nem mesmo as hostes do inferno poderão roubar a divina semente plantada em nós, destinada a produzir frutos para a glória de Deus.
Em quarto lugar, a semente cresce gradualmente (4.28). Uma pequena semente tem dentro de si o potencial para ser uma grande árvore. Um grande carvalho foi inicialmente uma pequena semente. O crescimento da semente passa por vários estágios até chegar à maturidade. Semelhantemente, os filhos de Deus não nascem perfeitos em fé, esperança, conhecimento e experiência. As duas coisas mais importantes na vida são nascer e crescer. O projeto de Deus para nós a perfeição ou maturidade até chegarmos à estatura de Cristo (Ef 4.12,13). O projeto de Deus não é apenas nos levar para a glória, mas transformar-nos à semelhança do Rei da glória.
Esse crescimento gradual passa por três estágios:
Primeiro, a erva. Quando a semente é semeada no coração ela produz uma profunda inquietação interior. Então, a pessoa é confrontada pela Palavra de Deus que começa a desintegrar as velhas estruturas e valores.
Segundo, aparece a espiga. Esta é a manifestação e exteriorização daquela florescente inquietude. A espiga pode ser o abandono de toda prática do pecado e adoção de novos valores.
Terceiro, aparece o grão cheio na espiga. Isso fala da vida de Jesus manifestando-se em nossa experiência. Deus trabalha gradualmente.

3. A gloriosa consumação do Reino de Deus – v. 29

O Reino está presente tanto na semente quanto na colheita. Ele é o Reino que já veio e o Reino que virá. Está aqui a tensão entre o JÁ e o AINDA NÃO. No começo o Reino é apenas um embrião, depois será espiga cheia; oculto agora, totalmente manifesto então. Duas verdades são destacadas por Jesus:
Em primeiro lugar, a maturidade do grão fala da perseverança da obra de Deus (4.29). Todo aquele que nasceu dessa divina semente receberá essa maturidade. Deus não desiste de nós. A perseverança dos santos é uma contínua e eficaz obra de Deus em todos aqueles que nasceram de novo através de divina semente. A maturidade não procede de idade cronológica nem de posições eclesiásticas. Uma criança pode ser um fruto maduro. Jesus usou uma criança como símbolo daqueles que estão aptos a entrar no Reino (Mt 18.3). A morte de uma criança ou de uma pessoa jovem não deve ser vista como uma tragédia, mas como a entrada de um filho na glória. Isso não é o fim, mas o começo de uma vida eterna e gloriosa. Quando o fruto está maduro, ele é colhido pelo Senhor da seara.
Em Segundo lugar, a colheita final revela a vitória do Reino de Deus (4.29). Como semeadores, devemos ter paciência até a colheita. Tiago diz: “Sede, pois, irmãos, pacientes, até a vinda do Senhor. Eis que o lavrador aguarda com paciência o precioso fruto da terra, até receber as primeiras e últimas chuvas. Sede vós também pacientes, e fortalecei os vossos corações, pois a vinda do Senhor está próxima” (Tg 5.7,8).
A Segunda vinda do Senhor Jesus será o dia mais glorioso da história. Ele virá com grande poder e majestade. Todo o olho o verá. Todo joelho se dobrará e toda língua confessará que ele é Senhor. Todos os remidos receberão um corpo glorioso e reinarão com ele para sempre.
Somente Deus conhece o dia da colheita. Nós devemos semear até aquele dia glorioso. Nós temos a promessa de que o nosso trabalho no Senhor não é vão. A Palavra de Deus não volta para ele vazia. Devemos trabalhar e esperar a colheita final. Recebemos a ordem de semear, mas Deus detém o controle soberano sobre o crescimento. Quando, o fruto estiver maduro, então, virá a gloriosa ceifa. Adolf Pohl diz que entre nossa semeadura e uma colheita transbordante estão os milagres de Deus. Assombrados, balbuciaremos naquele grande dia: “Grandes coisas o Senhor tem feito” (Sl 126.2).

III. O PODER DA PALAVRA PARA CRESCER – v. 30-32

Se a parábola do semeador retrata a responsabilidade humana e a da semente a soberania de Deus, esta mostra o resultado, um crescimento abundante. Adolf Pohl diz essa parábola é um ápice, apesar de ser tão curta. Esta parábola revela o poder de crescimento extraordinário da Palavra. Ela aponta para o progresso do Reino de Deus no mundo. Duas verdades nos chamam a atenção:

1. O Reino de Deus começa pequeno como uma semente de mostarda – v. 31

A igreja, agente do Reino, começou pequena e fraca em seu berço. A semente de mostarda é um símbolo proverbial daquilo que é pequeno e insignificante. Era a menor semente das hortaliças (v. 31). Foi usada para representar uma fé pequena e fraca (Mt 17.20; Lc 17.6).
O Reino chegou com um bebê deitado numa manjedoura. Jesus nasceu em uma família pobre, numa pobre cidade e cresceu como um carpinteiro pobre, que não tinha onde reclinar a cabeça. Os apóstolos eram homens iletrados. O Messias foi entregue nas mãos dos homens, preso, torturado e crucificado entre dois criminosos. Seus próprios discípulos o abandonaram. A mensagem da cruz foi escândalo para os judeus e loucura para os gentios. Em todas as coisas do Reino o mundo vê fraqueza. Aos olhos do mundo, o começo da igreja, reveste-se de consumada fraqueza.

2. Grandes resultados desenvolvem-se a partir de pequenos começos – v. 32

“Grandes rios surgem em pequenas nascentes de água; o carvalho forte e alto cresce a partir de uma pequena noz”. A Bíblia diz que não podemos desprezar o dia dos pequenos começos (Zc 4.10). A parábola do grão de mostarda é a história dos contrastes entre um começo insignificante e um desfecho surpreendente; entre o oculto hoje e o revelado no futuro. O Reino de Deus é como tal semente: seu tamanho atual e aparente insignificância não é de modo algum, indicadores de sua consumação, a qual abrangerá todo o universo, diz Dewey Mulholland.
A igreja cresceu a partir do Pentecostes de forma colossal. Aos milhares os corações iam se rendendo à mensagem do evangelho. Os corações duros eram quebrados. Doutores e analfabetos capitulavam-se diante do poder da Palavra. A igreja expandiu-se por toda a Ásia, África e Europa. O Império Romano com sua força não pode deter o crescimento da igreja. As fogueiras não puderam destruir o entusiasmo dos cristãos. As prisões não intimidaram os discípulos de Cristo que por todas as partes preferiam morrer a blasfemar. Os cristãos preferiam o martírio à apostasia.
A igreja continua ainda crescendo em todo o mundo. De todos os continentes aqueles que confessam o Senhor Jesus vão se juntando a essa grande família, a esse imenso rebanho, a essa incontável hoste de santos. O Reino de Deus é como uma pedra que quebra todos os outros reinos e enche toda a terra como as águas cobrem o mar.

Rev. Hernandes Dias Lopes.

1 Comentário

  • priscila Posted 2 de junho de 2014 0:28

    Lindo artigo bendito,obrigada pela palavra,que a Gloria de Deus e o amor de Jesus estejam sempre contigo.

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