O tribunal de Cristo

INTRODUÇÃO

1. As injustiças clamorosas deste mundo impõem a necessidade imperativa de um juízo divino

Se Deus é justo e ele é; se a verdade deve prevalecer sobre a mentira e ela prevalecerá; então, é mister haver um juízo divino. Aqui muitos inocentes são culpados e os culpados são tidos como inocentes; aqui muitos tribunais são subornados e muitos juízes vendem sua consciência para inocentar criminosos. Aqui vemos os maus prosperando e os justos são espoliados de seus direitos.

2. Os desmandos dos poderosos exigem a existência de um reto juízo

Aqui vemos um Herodes no trono e um João Batista na prisão. Aqui, por ordem de um rei bêbado, o maior homem dentre os nascidos de mulher é degolado para satisfazer o capricho de uma mulher adúltera. Aqui vemos Pilatos no trono julgando e condenando Jesus. Aqui vemos facínoras no trono, dizimando com requinte de crueldade milhões de indefesos sob os aplausos ensandecidos de uns e a omissão covarde e criminosa de outros.

3. Os pecados e crimes ocultos, que escaparam do braço da lei e do julgamento dos tribunais exigem um juízo divino

Muitos e bárbaros crimes são praticados nas caladas da noite, às escondidas, no anonimato e os culpados, não raras vezes, ficam impunes neste mundo. Mas Jesus disse: “Nada se faz em oculto que não se venha a saber; nada se diz às escondidas, que não venha a ser publicado dos telhados”.

Um dia todos vão comparecer ao justo, inviolável e imparcial tribunal de Cristo.
A descrição da cena (Ap 20.11-15). Cristo virá em glória e se assentará no trono da sua glória (Mt 25.31). Ele se assentará no seu trono. Ele vai julgar as nações. Nesse julgamento todos vão comparecer: grandes e pequenos. Os vivos e os mortos. Aqueles que morreram há muito e foram esquecidos nos cemitérios, afogados, queimados, comidos por feras. Todos vão se levantar da morte e vão comparecer perante o reto juiz. Enfim, a cena vai começar. Será o grande dia da ira de Deus. Será o dia do juízo!

A Bíblia diz: “Prepara-te, ó Israel para te encontrares com o teu Deus” (Am 4.12). É só mais um pouquinho e esse dia chegará. Os passageiros do vôo 1907 da Gol pensaram que saíram de Manaus e chegariam ao Rio, mas um acidente (1 em dez milhões) levou-os à morte. Os passageiros do Bateau Mouche pensaram que veriam as luzes da Baia da Guanabara, mas encontram-se com a morte.

I. O RÉU

1. O homem é escravo do pecado – Ele é dominado por três inimigos que o escravizam: ele é escravo do diabo, do mundo e da carne. Ele vive com o pescoço na coleira do pecado. Quem pratica o pecado é escravo do pecado. O bem que você quer fazer você não faz.

2. O homem é transgressor da lei – O pecado é uma rebeldia contra Deus. Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus. Não há justo sequer um. Todos estavam debaixo do castigo da lei. O salário do pecado é a morte.

3. O homem é depravado – Ele faz a vontade da carne, dos pensamentos e anda segundo o príncipe da potestade do ar. A inclinação da sua carne é inimizade contra Deus. Do seu coração procedem os maus desígnios. Sua mente é um laboratório de maus pensamentos. Seu coração é um terreno onde cresce toda sorte de erva daninha. Todo o seu ser está corrompido. Ele está em estado de depravação total: suas palavras são torpes, suas ações são impuras, seu coração é um poço de impureza, seus olhos são cheios de cobiça; suas mãos estão cheias de iniqüidade, seus pés são velozes para correr para o mal.

4. O homem é um ser insaciável no pecado – Dar-se-á por saciada a sede do mal no coração deste réu? Não! O bêbado jamais estará satisfeito, porque não há álcool que o sacie. O drogado jamais estará satisfeito porque não há droga que o sacie. O fornicário e adúltero jamais estará satisfeito, porque não há nada que o sacie. Assim é o homem! Não satisfeito por ter adorado a criatura em lugar do criador, não só invocou e divinizou os mesmos vícios, mas adorou até mesmo os demônios.

– Mas, estará esgotada a felina fúria do mal do coração do homem? Não! Levado por amor infinito, Deus enviou seu Filho a fim de resgatar, redimir, justificar e adotar para sempre o pobre pecador que nele cresse. Mas, usando de extrema perversidade, o homem condenou Jesus à morte e à mais lenta, mais pública e mais vil, a maldita morte de cruz.

– O homem é indesculpável diante de Deus.

II. O TRIBUNAL

Todos temos de comparecer diante do Tribunal de Cristo. É certo que o homem planeja praticar um crime, também planeja escapar das garras da justiça. Não raro, criminosos culpados são postos em liberdade. A impunidade e a injustiça são praticadas. Não poucas vezes, a injustiça togada senta-se na cadeira de juiz e preside os tribunais.

1. Absolvido pelo júri, mas condenado pelo povo

Não raro criminosos são absolvidos nos tribunais, mas o povo ao vê-los nas ruas, os estigmatizam: “ali vai um criminoso”. Foi o infeliz absolvido pelo júri, mas diariamente é julgado e condenado em plena praça pública.

Os réprobos absolvidos pela iniqüidade de uma justiça disfarçada, cada dia mais provocam a indignação popular. Nem mesmo a morte, consegue desfazer a vindita pública. Ao contemplar o jazigo marmóreo, a multidão vai logo dizendo: “este mausoléu encerra o corpo de um criminoso”.

2. Absolvido pelo júri, pelo povo, mas condenado pela história

É possível ao réu escapar do tribunal do júri e do estigma do tribunal do povo. Quantos delitos não ficaram sepultados no silêncio. Quanta infâmia, quanta monstruosidade não ficou abafada sob o bulício dos grandes centros urbanos!
Muitos monstros foram até adorados pelos homens do seu tempo como Nero, Calígula, Hitler, incensados até à morte pelos seus bajuladores. Escaparam impunemente do tribunal do povo.

Ah, mas não puderam escapar do tribunal da HISTÓRIA. Os historiadores os enjaularam, expondo-os, no decorrer dos anos, como verdadeiras feras, patenteando todas as vilanias com que infamaram, injuriaram e amaldiçoaram a sociedade do seu tempo.

3. Absolvidos até pelo júri da história

Para um historiador um indivíduo é um benemérito, para outro é um monstro.Vejamos um claro exemplo: Jesus Cristo foi julgado réu de morte pelo tribunal eclesiástico: foi julgado réu de morte pelo conselho popular, diante de Pilatos; foi condenado à morte pelo governador romano, o represente do poder civil e continua a ser condenado pelos historiadores pagãos e incrédulos.

Até hoje, Jesus Cristo, o salvador, a luz do mundo, o sol da justiça, é considerado por muitos como um impostor, um adúltero, um charlatão. Sim, o inocente pode sr condenado por todos os tribunais da terra, assim como os criminosos podem ser por eles absolvidos e honrados.

Mas, Paul afirma que há um Tribunal do qual ninguém pode escapar: É O TRIBUNAL DE CRISTO. Todos compareceremos diante do Tribunal de Cristo. Todos! Escravos e livres, civilizados e bárbaros, grandes e pequenos, ricos e pobres, nobres e plebeus, reis e vassalos, santos e malditos.

Quando Deus o chamar para prestar contas de sua vida, não haverá lugar oculto, esconderijo, nem protelação. Não haverá ouro que suborne, não haverá padrinho político que o proteja. Não haverá nada neste mundo que possa proteger você. Você, como réu estará diante do Tribunal de Cristo.

III. O ACUSADOR E AS TESTEMUNHAS

A Bíblia diz que no dia do juízo, quando o Senhor da glória, assentar-se no trono para julgar, os livros serão abertos e nós seremos julgados segundo o que tiver escrito nos livros. Tudo o que falamos, fizemos, deixamos de fazer ou pensamos estará registrado lá.

1. O acusador

A Escritura diz que o diabo é o acusador dos nossos irmãos (Ap 12.10). Não será ele, contudo, que acusará mais terrivelmente ao pecador. No JURI não é o órgão da justiça pública o pior acusador dos réus, mas sim AS TESTEMUNHAS PRESENCIAIS. Mais força que o discurso do PROMOTOR tem estas duas palavras da testemunha: “Eu vi”.

2. As testemunhas

O juízo final será difirente dos tribunais da terra: Lá terá um juiz, mas não jurados; acusação, mas não defesa; setença, mas não apelo. Nesse julgamento a razão, a consciência e a memória perfilarão os corredores da sala do julgamento e apresentarão as testemunhas contra nos.

1) As palavras – A primeira testemunha a levar-se contra nós no tribunal são nossas palavras. A Bíblia diz que vamos dar contas no dia do juízo por todas as palavras frívolas que proferimos. Quantas palavras que já falamos, carregadas de veneno! Quantas palavras torpes! Quantas palavras cheias de ira e de controle emocional! Quantas palavras das quais temos vergonha! Quantas palavras que já esquecemos, mas que estão registradas! A Bíblia diz que a nossa língua é carregada de veneno. É como fogo, que destrói; é como veneno que mata.
 
2) As nossas obras – Quantas coisas que já fizemos, que os pais não viram, que o marido não viu, que a mulher não viu, que os filhos não viram, que os irmãos não viram, mas que Deus viu. Quantas coisas que os tribunais da terra passaram por cima! Quantas coisas que ficou escondido da imprensa. Quantas coisas que foram feitas nas caladas da noite e jamais foram descobertas! Mas quem pode esconder algo de Deus. Ninguém pode fugir de Deus (Salmo 139). Para ele as trevas e a luz são a mesma coisa. Quantas coisas erradas: falsificação de documentos, falcatrua nos negócios, furto do tempo à empresa, venda de produtos adulterados, mentira nos relacionamentos, transações imorais da alta política. Quantas vezes nos tribunais a consciência é vilipendiada na absolvição de bandidos porque são ricos o porque pertencem a família influentes; na condenação de inocentes por meros caprichos políticos ou por mero interesse mercenário – maculam a toga e amordaçam a voz da consciência.

3) As nossas omissões – Quando Jesus se assentar no seu trono, ele julgar as nações, separando uns para a sua direita e outros para a sua esquerda. Os que estiverem à sua esquerda, ele dirá: “Apartai-vos de mim malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos”. Mas o que essas pessoas fizeram de tão terrível para irem para um lugar tão terrível? Sabe o que elas fizeram? Nada! Elas simplesmente deixaram de fazer. Jesus disse: “Eu estive com fome e não me deste de comer, estive com sede e não me deste de beber, estive nu e não me vestiste, estive preso e não foste ver-me, estive forasteiro e não abrigaste”. É possível você estar na sua casa, não fazendo mal para ninguém, não falando mal de ninguém e cometendo um terrível pecado de omissão.

4) Os nossos pensamentos e desejos – Deus vai julgar o segredo do coração dos homens. Deus julgar nossos desejos e intenções. Os olhos de Deus são como chama de fogo. Ele vê os nossos pensamentos. Paulo disse que foi o décimo mandamento que o fez saber que era pecador. Os nove primeiros mandamentos da lei são objetivos, mas o décimo é subjetivo. Só o tribunal de Deus julga foro íntimo. Segundo os psicólogos passam pela nossa cabeça dez mil pensamentos por dia. Quantos são pecaminosos?

Naquele dia sua vida será devassada, as máscaras cairão, as desculpas cessarão e você será julgado com justiça. A Bíblia diz que pelas obras ninguém será justificado. Pelas obras todos serão condenados. Porque o padrão de Deus para entrar no céu é a perfeição.

Exemplo: Se você guardar toda a lei, mas tropeçar num único mandamento, você é culpado da lei inteira. A ilustração do omelete. Se você tiver um só pecado você não pode entrar no céu.

IV. O ADVOGADO

Os tribunais da terra são compostos de pecadores, juízes de outros pecadores. São pecadores enfrentando pecadores. Mas no Tribunal de Cristo, o crime, a injustiça, o vício, não têm defesa. A santidade desse tribunal não permite defesa injusta, iníqua e mentirosa que faz de um réu um inocente, de um bandido um anjo.

1. Esse advogado é justo em seu caráter

Esse advogado nunca foi encontrado em falta. Ele tem autoridade e competência para defender a nossa causa. Nunca ninguém jamais o acusou de pecado.

2. Esse advogado está disponível em todo o tempo

Com ele não precisa marcar audiência com antecedência. Você pode ter contato com ele em qualquer lugar, em qualquer hora. Ele está sempre disponível e sempre pronto. A linha nunca fica ocupada.

3. Esse advogado não cobra nada, ele pagou tudo

Esse advogado toma sua causa, dá garantia de vitória e não lhe cobra nada. Seu preço é impagável com ouro ou prata. Ele mesmo pagou tudo, com o seu próprio sangue.

4. Esse advogado jamais perdeu uma causa

Jesus é o advogado das causas perdidas. Ele jamais perdeu uma causa. Todo aquele que vem a ele, encontra perdão, salvação e vida eterna. Os desesperançados encontram nele perdão. Os que caíram e foram para o fundo do poço encontram nele socorro.

5. Esse advogado exige ser o titular exclusivo da ação

Jesus é o único advogado. Só ele é o mediador entre Deus e os homens. Só ele é o caminho para o Pai. Só ele é a porta do céu. Só ele pode nos dar a vida eterna. Só ele pode nos perdoar. Só ele pode nos dar vitória em nossa causa. Não é Jesus mais Pedro. Não é Jesus mais Paulo. Não é Jesus mais Maria. E não há salvação em nenhum outro nome.

6. Esse advogado é eficaz em sua defesa e não cabe recursos de apelação

Quando Jesus defende uma causa e perdoa o pecador, ele está salvo para sempre. Não cabe mais recurso de apelação. Não existe mais nenhuma instância superior para recorrer.

7. Esse advogado não defende nossa inocência, mas assume a nossa culpa

Enquanto os advogados terrenos, no exercício da defesa dos seus constituintes procuram evidenciar a falsidade, as contradições dos depoimentos das testemunhas; a ilegalidade na conduta das autoridades, na formação do processo; a improcedência do libelo acusatório; a inaplicação dos artigos do código penal; enquanto procuram, enfim, destruir todas as provas que constituem os autos do processo e assim conseguir a absolvição dos seus constituintes, JESUS NOSSO ADVOGADO FAZ DIFERENTE. Sendo ele a verdade não contraditará os terríveis depoimentos das testemunhas, mas as confirmará. Sendo ele a justiça não apelará por compaixão piegas.

Como pleiteará Jesus a nossa defesa?

O grande poeta grego ÉSQUILO deveria ser condenado à morte por um infame crime cometido. Seu irmão, grande orador e herói de guerra, vai defendê-lo. Expectativa e suspense tomam conta de todos. NO dia da defesa, em vez de uma arrebatador discurso, ergueu o seu braço sem mão. Na defesa da Pátria, na guerra, perdeu a sua mão. Ao erguer seu braço sem mão a multidão compreendendo que era um herói que se sacrificara pela Pátria, prorrompeu em aplausos exclamando: Perdão a ÉSQUILO!
Oh assim também, no grande Tribunal, quando as testemunhas verdadeiras nos acusarem, levantar-se-á Jesus e mostrará suas mãos rasgadas, seu lado traspassado por uma lança. Jesus mostrará seu sacrifício perfeito, completo e eficaz.

“Quem os condenará? É Cristo quem morreu, e quem ressuscitou, o qual está à direita Deus e também intercede por nós”.

V. A ABSOLVIÇÃO

Paulo, compreendendo esta gloriosa verdade, prorrompe em exultante exclamação: “Já nenhuma condenação há mais para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1). Jesus disse: “Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida” (Jo 5.24).

No dia juízo, ficará claro que a salvação será somente pela GRAÇA. Por isso outro livro será aberto, O LIVRO DA VIDA DO CORDEIRO. Se alguém foi encontrado escrito neste livro, será salvo.

Ante esta magnificência, do infinito amor de Jesus, qual deve ser a posição do pecador verdadeiramente arrependido?

Em 1883, no Estado de Goiás, um estrangeiro suíço-francês pernoitou numa fazenda e apesar de cansado não dormiu ao ouvir o estalido do chicote, o gemido de uma escrava que era surrada pelo seu senhor. Levantou-se e pediu ao senhor para não bater mais na escrava, mas com dureza aquele homem arrancou sangue das costas da pobre escrava. No dia seguinte, no povoado mais próximo, depositou nas mãos da autoridade todo o dinheiro que tinha e comprou a carta de alforria, de liberdade da pobre escrava.

Aquele gentil estrangeiro entregou à escrava sua carta de liberdade e lhe disse: “Vai gozar sua liberdade e seja feliz”. A pobre escrava, porém, caiu de joelhos chorando, e soluçando exclamou: “Não senhor, permita-me que no gozo da minha liberdade eu te acompanhe. Quero testemunhar com a fidelidade da minha conduta, a eterna gratidão da minha vida”.

CONCLUSÃO

Se tal foi a atitude daquela escrava, outro não pode ser o nosso procedimento com Jesus Cristo, que do seu sacrifício na cruz a CARTA DA NOSSA LIBERDADE, escrita pelo seu próprio sangue, verdadeiro preço da redenção.

Agora, em gratidão eterna, devemos amá-lo, servi-lo, sermos fiéis a ele na vida e na conduta, hoje e sempre, aqui, ali e além.

Rev. Hernandes Dias Lopes

2 comentários em “O tribunal de Cristo”

  1. Excelente matéria Hernandes! Eu estava procurando há muito tempo, exatamente isso! Parabéns. Quero pedir mas licença para copiar esta matéria mas, já me antecipei fiz um arquivo pessoal, tenho certeza que você não vai achar ruim. Agradecido. fjfarias.

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