Pais, não irritem seus filhos!

Depois de orientar os filhos a serem submissos e obedientes a seus pais (Ef 6.1-3), a palavra de Deus ordena aos pais a não provocar seus filhos à ira (Ef 6.4). A relação entre pais e filhos é uma pista dupla, onde há deveres e responsabilidades, direitos e obrigações. Se os filhos devem honrar os pais, os pais devem criar os filhos na disciplina e admoestação do Senhor. Se os filhos devem obedecer os pais, os pais não devem provocar os filhos à ira. Mas, como os pais poderiam provocar os filhos à ira?

Em primeiro lugar, quando os pais deixam de ser um exemplo para eles. Os pais ensinam os filhos não apenas com palavras, mas, sobretudo, com exemplo. O exemplo não é uma forma de ensinar, mas a única forma eficaz de fazê-lo. A vida dos pais precisa ser o avalista de suas palavras. A vida dos pais é a vida do seu ensino. Quando os pais falam uma coisa para os filhos e vivem outra, quando são inconsistentes, então, seu ensino se apequena. Em virtude dessa incongruência, os filhos ficam desanimados e irritados.

Em segundo lugar, quando os pais usam dois pesos e duas medidas. Há pais que elogiam e criticam os filhos pelos mesmos motivos. Não há uma regra clara para encorajá-los nem para discipliná-los. Os filhos ficam à mercê do ímpeto emocional dos pais, que como pêndulos, oscilam entre serenidade e irritabilidade. Os filhos precisam de regras claras, de princípios absolutos, de posicionamento consistente dos pais. Há pais que tratam filhos adultos como crianças e tratam filhos pequenos como adultos. Isso irrita os filhos!

Em terceiro lugar, quando os pais preferem um filho em detrimento do outro. Os filhos não são iguais. Têm personalidade e temperamento diferentes. Os pais podem exigir deles o mesmo empenho, mas nunca o mesmo desempenho. Têm habilidades e potencialidades diferentes. Sendo, assim, cada filho precisa ser tratado respeitando sua personalidade. Quando os pais demonstram preferência por um filho em detrimento de outro, provocam nos filhos ciúmes e essa emulação acaba por destruir a vida deles. Cada filho é um universo distinto. Cada filho deve ser tratado observando suas peculiaridades. As mesmas normas devem reger todos os filhos, mas a forma de aplicar essas normas deve variar de filho para filho.

Em quarto lugar, quando os pais deixam de dosar disciplina com encorajamento. Os filhos precisam de elogios e reprimendas. Precisam de apoio e de correção. Precisam de palavras de incentivo e de repreensão. Se os pais apenas cobram dos filhos e nunca os encorajam produz neles desânimo. Se os pais apenas cobrem os filhos de mimo e nunca os disciplina produz neles um caráter invertebrado. Firmeza e doçura, encorajamento e repreensão, consolo e disciplina precisam caminhar de mãos dadas na sublime missão de educar filhos para a glória de Deus.

Em quinto lugar, quando os pais deixam de viver a vida comum do lar. Há pais que transferem o amor conjugal para os filhos e tentam compensar nos filhos o fracasso do casamento. Os filhos nunca podem ocupar o lugar do cônjuge. A melhor coisa que os pais podem fazer para os filhos é viver uma relação conjugal regada de amor e respeito. O exemplo dos pais fala mais alto aos ouvidos dos filhos do que as palavras mais eloquentes. O maior legado que os pais podem deixar para os filhos é o exemplo de um casamento feliz. Os benefícios de crescer numa família onde o amor é o cardápio do dia têm reflexos mais profundos na vida dos filhos que qualquer outra influência fora do lar.

Em sexto lugar, quando os pais têm uma espiritualidade eivada de hipocrisia. Os pais são o espelho dos filhos. Um espelho precisa ser limpo e plano. O espelho não grita, demonstra. O espelho não faz discurso, revela. Nada produz maior decepção na vida dos filhos do que os pais exigirem deles um estilo de vida que eles mesmos não vivem. Cobrarem deles uma vida espiritual que não têm. Esperarem deles um compromisso espiritual que nunca praticaram dentro do lar. Permanece, portanto, a orientação apostólica: “E vós, pais, não provoqueis os vossos filhos à ira” (Ef 6.4).

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