SOLA FIDE

SOLA FIDE

 

    Depois de tratar do SOLA SCRIPTURA, vamos tratar, agora, do segundo pilar da Reforma do Século XVI, o Sola Fide. A salvação é uma conquista das obras? A salvação é o resultado da parceria entre a fé e as obras? Ou a salvação é somente pela fé, independentemente das obras? Essa era a questão na época da Reforma e ainda hoje. A salvação não pode ser pelas obras, pois se assim fosse, o homem precisaria ser perfeito. A lei exige obediência completa (Lc 10.28). O padrão para entrar no céu é perfeição (Mt 5.48). A Bíblia, entretanto, diz que não há justo, nenhum sequer (Rm 3.10). Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus (Rm 3.23). A Escritura chega a dizer que se você guardar toda a lei e tropeçar num único ponto, você se torna culpado de toda a lei (Tg 2.10). Logo, pelas obras da lei é impossível que o homem pecador seja salvo. De igual modo, a ideia de que o homem é salvo pela fé associada às obras é um contrassenso. A salvação não é uma realização do homem nem mesmo um esforço conjunto de Deus e do homem. O sinergismo, ou seja, a ideia de que o homem pode cooperar com Deus em sua salvação está em total desacordo com o ensino das Escrituras. O apóstolo Paulo é enfático: “O homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei” (Rm 3.28). E ainda: “Pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8,9).

Destacaremos três pontos importantes para o melhor entendimento do tema:

Em primeiro lugar, somos salvos pela fé independentemente das obras (Rm 3.28). Somos salvos não pela obra que realizamos para Deus, mas pela obra que Deus fez por nós. Deus entregou o seu Filho. Ele morreu pelos nossos pecados. Sua morte substitutiva satisfez as demandas da lei e cumpriu os reclamos da justiça divina. Portanto, a base meritória da nossa salvação é o sacrifício de Cristo em nosso favor. Tomamos posse da oferta da graça pela fé. Recebemos essa salvação gratuita pela fé. A fé é a mão de um mendigo a receber o presente do Rei.

Em segundo lugar, somos salvos pela fé em Cristo e nele somente (At 16.31). A salvação não nos é dada pela fé na igreja, mas pela fé em Cristo. Essa fé não é apenas assentimento intelectual. Até os demônios creem e tremem (Tg 2.19) e eles não estão salvos. Também não é uma fé temporária, apenas para as coisas do aqui e do agora. Muitos confiam em Deus quando precisam de um socorro, mas terminado o problema, voltam novamente as costas para Deus. Essa fé se dissipa como uma neblina, por isso, não é a fé salvadora. A fé salvadora é uma confiança exclusiva na pessoa e na obra de Cristo. É confiar somente nele para a redenção. A Bíblia é enfática: “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (At 4.12).

Em terceiro lugar, somos salvos pela fé para as boas obras (Ef 2.8-10). A fé e as obras não estão em oposição; complementam-se. A fé é a causa da salvação e as obras são a sua consequência. Somos salvos somente pela fé, independentemente das obras, mas a fé que salva nunca vem só. Não somos salvos por causa das boas obras; somos salvo para as boas obras. Somos justificamos pela fé, mas provamos essa justificação pelas obras. Por isso, a fé, se não tiver obras, por si só está morta (Tg 2.17). A verdadeira fé em Cristo é provada aos olhos dos homens pela prática das boas obras. Essas boas obras foram preparadas de antemão para que andássemos nelas (Ef 2.10), de tal forma que, o próprio Deus, que nos salvou pela fé em Cristo, é quem opera em nós tanto o querer como o realizar (Fp 2.13). A salvação é uma obra de Deus desde o seu planejamento até à sua consumação. Ele planejou, executou e consumará nossa salvação, que é recebida pela fé e demonstrada pelas obras.

 

Rev. Hernandes Dias Lopes

 

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