SOBRE OS OMBROS DOS GIGANTES

Nós só conseguimos enxergar os horizontes distantes porque subimos nos ombros dos gigantes. O que sabemos hoje, aprendemos daqueles que viveram antes de nós. A compreensão que temos de mundo é fruto daquilo que nossos antepassados deixaram para nós como legado. Nosso conhecimento é a somatória de todas as descobertas feitas por aqueles que nos antecederam. Antes de termos a visão do farol alto, tivemos que olhar pelas lentes do retrovisor. O que ouvimos e aprendemos de nossos pais é o que sabemos o que apreendemos é o que devemos ensinar aos nossos filhos. O conhecimento é um rico acervo que deve ser passado de geração a geração.

Destacaremos aqui três pontos importantes:

Em primeiro lugar, somos os depositários daquilo que ouvimos de nossos pais. Antecederam-nos os patriarcas e os profetas, os apóstolos e os pais da igreja, os reformadores e os grandes missionários e avivalistas. Recebemos deles um legado bendito, a Palavra de Deus revelada, pregada, vivida e experimentada. Eles, como fiéis testemunhas, entregaram-nos esse tesouro precioso. Recebemos o evangelho em sua pureza. Aprendemos com nossos pais as palavras de vida eterna. Eles pagaram um alto preço para nos deixar essa mui linda herança. Alguns selaram com seu sangue essa mensagem que receberam, para no-la transmitir com integridade. Outros viveram como forasteiros neste mundo, desprovidos de um chão hospitaleiro, navegando mares revoltos e cruzando desertos inóspitos para alçar bem alto o pendão do evangelho. O evangelho chegou até nós, porque antes de nós, gigantes receberam esse depósito e não o retiveram apenas para si. Cumprindo a ordem do Redentor, saíram pelos rincões mais distantes do mundo, fazendo discípulos de todas as nações. A mensagem que recebemos, de igual modo, não pode ser por nós alterada nem retida.

Em segundo lugar, somos os instrumentos para comunicar as verdades que aprendemos às próximas gerações. O evangelho chegou até nós, mas não pode parar em nós. Deve ser proclamado a tempo e a fora de tempo. O que recebemos de nossos pais devemos ensinar aos nossos filhos. O que aprendemos com as gerações pretéritas devemos transmitir às gerações pósteras. Estamos numa corrida de revezamento. Se falharmos em passar às mãos da novel geração o bastão do evangelho, fracassaremos rotundamente em nossa missão e a presentana geração mergulhará num abismo sem esperança. Oh, que Deus nos desperte para não nos distrairmos com os encantos deste mundo. Que os brilhos deste século não ofusquem nossos olhos. Que as riquezas deste mundo não embriaguem nosso coração com os licores dos prazeres. Que compreendamos que a maior necessidade dos nossos filhos não é de coisas, ainda que as mais excelentes, mas do evangelho. Que nossa maior contribuição para este mundo seja levar a todos os povos, nesta geração, a mensagem da cruz, única depositária da esperança da vida eterna.      

Em terceiro lugar, somos os responsáveis para deixar um legado maior do que aquele que recebemos. Se nossos pais foram gigantes, é hora de subirmos nos ombros desses gigantes para enxergarmos horizontes ainda mais largos. Se eles, com os parcos recursos que tiveram, transtornaram o mundo, enfrentando a fúria dos reis, as presas das feras e as fogueiras ardentes, para nos legar o evangelho, quanto mais nós, que temos ao nosso dispor tão ricas ferramentas, devemos sair do conforto das quatro paredes, para irmos a todas as nações, navegando mares e ultrapassando fronteiras, para anunciarmos a Cristo a todos os povos. O tempo urge. A hora é agora. Não há mais tempo a perder. Chegou a hora de transmitirmos às futuras gerações o que ouvimos de nossos pais e levarmos a luz de Cristo para dentro desse mundo trevoso.

 

Rev. Hernandes Dias Lopes

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