Um novo estilo de vida

Referência: Efésios 4.17-32

INTRODUÇÃO

• Em Efésios 4:1-16 Paulo tratou da unidade da igreja. Neste parágrafo Paulo vai tratar da pureza da igreja. Paulo faz o mesmo tipo de introdução nos versos 1 e 17. A pureza é uma característica do povo de Deus tão indispensável quanto a unidade.
• Paulo divide esse assunto em três pontos específicos: Admoestação, Argumento e Aplicação.

I. ADMOESTAÇÃO – UMA CLARA RUPTURA COM OS VELHOS COSTUMES PAGÃOS – 4:17-19

1. Ênfase ao fator intelectual no modo de vida das pessoas
• Quando Paulo descreve os pagãos chama a atenção: 1) Vaidade dos seus próprios pensamentos; 2) obscurecidos de entendimento; 3) ignorância em que vivem.
• Suas mentes estão vazias, seus entendimentos estão obscurecidos e vivem em ignorância. Isso os tornou empedernidos, licenciosos e impuros.

2. O caminho dos gentios
• A vida cristã começa com arrependimento, que é uma mudança de mente. Toda a vida de uma pessoa precisa mudar quando ela confia em Cristo, incluindo seus valores, alvos, e conceitos da vida. A ordem de Paulo é: “Não mais andeis como também andam os gentios”. Agora que você é crente, sua vida precisa ser diferente. Como é a vida dos gentios?
a) Vaidade de seus próprios pensamentos – Os cristãos pensam de forma diferente das pessoas não salvas. O pensamento dos pagãos é um pensamento fútil, cheio de soberba e empáfia. Quem não conhece a Deus não conhece o mundo ao seu redor nem a si mesmo (Rm 1:21-25). Temos muita ciência e pouca sabedoria.
b) Entendimento entenebrecido – Os gentios pensam que eles são iluminados porque eles rejeitam a Bíblia o conhecimento de Deus e crêem na última filosofia, quando na realidade, eles estão em trevas. Paulo diz; “Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos” (Rm 1:22). Mas eles pensam que eles são sábios. Satanás cegou a mente deles (2 Co 4:3-6).
c) Alheios à vida de Deus – Vivem sem esperança e sem Deus no mundo. Vivem separados de Deus. Adoram outros deuses e abandonam o Deus vivo.
d) Vivem na ignorância – O verdadeiro conhecimento começa com Deus. Quem não conhece a Deus é escravo da ignorância. A verdade e a vida caminham juntas. Se você crê na verdade de Deus, então você recebe a vida de Deus.
e) Dureza de coração – A palavra que Paulo usa é porosis. Póros era uma pedra mais dura do que o mármore. Essa palavra era usada na medicina para calo ou formação óssea nas juntas. Significa petrificar, tornar duro e insensível. O termo chegou a significar a perda de toda capacidade sensitiva. Suas mentes se tornaram duras como uma pedra e a consciência fica cauterizada. Paulo diz que os pagãos chegam ao ponto de perder a sensibilidade. O horrível do pecado é seu efeito petrificador – No começo uma pessoa sente vergonha ao pecador. Depois perde o pudor, o temor e o horror. Peca sem remorço ou pesar. A consciência petrifica-se.
f) Entrega à dissolução para cometer toda sorte de impureza – Nada os refreia de satisfazer seu desejo imundo. A dureza de coração leva primeiramente às trevas mentais, depois à insensibilidade da alma, finalmente à vida desenfreada. Dissolução ou lascívia aqui é aselgeia = Disponibilidade para qualquer prazer. O homem sempre procura ocultar o seu pecado, mas o que tem aselgeia em sua alma não tem cuidado do choque que possa causar na opinião pública o seu pecado. Ele perde a decência e a vergonha. Exemplo: uma pessoa viciada em álcool ou sexo pode perder a vergonha (aselgeia). Tendo perdido toda a sensibilidade, as pessoas perdem todo o autocontrole.
g) Entrega-se à avidez (pleonexia) – Avidez arrogante, execrável desejo de possuir. Desejo ilícito de possuir o que pertence a outro, espírito pelo qual o homem está sempre disposto a sacrificar a seu próximo para satisfazer seus caprichos. Pleonexia é o desejo irresistível de ter aquilo que não se tem direito algum: sejam bens, sexo ou qualquer outra coisa.
h) Este é o retrato da sociedade atual – Este quadro está estampado em todos os jornais e noticiários. Vemo-lo nas esquinas das ruas. Em cada canto da cidade há outdoors fazendo propaganda do pecado sem nenhum pudor. A sociedade está falida moralmente.

II. ARGUMENTO – A VERDADE TAL COMO ELA É EM JESUS – V. 20-24

1. O caminho dos cristãos – v. 20-24
• Paulo faz um contraste entre a vida do ímpio e a vida do crente, quando usa o “VÓS” e o “MAS”.
• A ênfase é novamente sobre a mente ou a cosmovisão do cristão: 1) Aprendestes a Cristo; 2) Se de fato o tendes ouvido; 3) Nele fostes instruído; 4) Que vos renoveis no espírito do vosso entendimento; 5) E vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão PROCEDENTES DA VERDADE.
a. Aprender a Cristo e não sobre Cristo – Aprender a Cristo significa ter um estreito relacionamento com ele. Aprender sobre Cristo é ter informações sobre ele. Uma pessoa pode conhecer sobre Cristo e não ser salva. Eu posso aprender sobre Rui Barbosa porque tenho livros sobre sua vida. Mas eu jamais posso aprender a Rui Barbosa porque ele está morto. Jesus Cristo está vivo. Portanto, eu posso aprender a Cristo.
b. Cristo é a substância, o mestre e o ambiente do ensino – Cristo é o conteúdo do ensino: Aprendemos a Cristo. Mas Cristo também é o mestre: “o tendes ouvido”. Outrossim, Cristo é o ambiente: “nele fostes instruídos, segundo é a verdade em Jesus”. Quanto mais eu conheço a Palavra de Deus, mais eu conheço o Filho de Deus.
• Aprender a Cristo é nada menos do que tirar a nossa velha humanidade como uma roupa podre, e vestir, como uma roupa nova, a nova humanidade criada na imagem de Deus – v. 22-24. A conversão básica deve ser seguida pela conversão diária: Caim, Absalão, Acabe, Judas, Davi.
a) Tornar-se cristão, envolve uma mudança radical – Envolve o repúdio do nosso próprio eu antigo, da nossa humanidade caída, e a adoção de um novo eu, ou da humanidade criada de novo. Veja o contraste entre os dois homens: o velho se corrompe, o novo é criado segundo Deus; o velho era dominado por paixões descontroladas; o novo foi criado em justiça e retidão; os desejos do velho era do engano; a justiça do novo é da verdade. O pagão se corrompe por causa da futilidade da sua mente. O cristão se renova por causa da renovação da sua mente.
b) Tornar-se cristão envolve em tirar as vestes da sepultura e vestir-se de novas roupagens – Lázaro estivera na sepultura quatro dias. Cristo o ressuscitou e Lázaro levantou-se do sepulcro, mas coberto da mortalha. Cristo ordenou: “Desatai-o e deixai-o ir”. Assim também, devemos tirar as roupagens do velho homem e revestir-nos das roupagens do novo homem. Ilustração: Alexandre: Mude de nome ou mude de conduta.

III. APLICAÇÃO – V. 25-32

• Paulo não apenas expôs princípios, mas agora os aplica a diferentes áreas da vida. Paulo chama alguns pecados pelo nome. Cinco diferentes pecados são mencionados, os quais a igreja precisa evitá-los. Esses pecados tratam dos relacionamentos entre os crentes. As ordens negativas vêm balanceadas com ordens positivas. Cada ordem dada vem respaldada por uma argumentação teológica.

1. Mentira – v. 25

• Uma mentira é uma afirmação contrária aos fatos, falada com o propósito de enganar. A mentira abrange toda a espécie de trapaças. O diabo é o pai da mentira (Jo 8:44). Quando falamos a verdade Deus está trabalhando em nós; quando falamos a mentira, o diabo está agindo. Os mentirosos, ou seja, aqueles que são controlados pela mentira, não herdarão o reino de Deus (Ap 22:15). O primeiro pecado condenado na igreja primitiva foi o pecado da mentira (At 5:1-11).
• A mentira destrói a comunhão da igreja, diz o apóstolo Paulo. A comunhão é edificada na confiança. A falsidade subverte a comunhão, ao passo que a verdade a fortalece.

2. Ira – v. 26-27
• Há dois tipos de ira: a justa (v. 26) e a injusta (v. 31). Precisamos ter ira justa. A ira de Wilberforce contra a escravidão na Inglaterra. A ira de Moisés contra a idolatria. A ira de Lutero contra as indulgências. A ira de Jesus no templo expulsando os cambistas. Se Deus odeia o pecado, o seu povo deve odiá-lo também. Se o mal desperta a sua ira, também deve despertar a nossa (Sl 119:53). Ninguém deve ficar irado a não que esteja irado contra a pessoa certa, no grau certo, na hora certa, pelo propósito certo e no caminho certo.
• Paulo qualifica sua expressão permissiva irai-vos com três negativos: 1) “Não pequeis” – Devemos nos assegurar de que a nossa ira esteja livre de orgulho, despeito, malícia ou espírito de vingança; 2) “Não se ponha o sol sobre a vossa ira” – Paulo não está permitindo você ficar irado durante um dia, ele está exortando a não armazenar a ira, pois pode virar raiz de amargura; 3) “Nem deis lugar ao diabo” – O diabo gosta de ficar espreitando as pessoas zangadas para tirar proveito da situação – Ex. Caim.

3. Roubo – v. 28
• Deus estabelece o direito de propriedade. Este pecado inclui toda sorte de desonestidade que visa tirar do outro aquilo que lhe pertence: pesos, medidas, salários, trabalho, impostos, dízimo, etc.
• Assim como o diabo é um mentiro e assassino, é também um ladrão (Jo 10:10). Ele fez de Judas um ladrão (Jo 12:6). Quando ele tentou Eva, ele a levou a roubar (tomou do fruto proibido). Ela fez de Adão um ladrão, porque ele também tomou do fruto. O primeiro Adão foi um ladrão e foi expulso do paraíso, mas o último Adão, Cristo, voltou-se para um ladrão e lhe disse: “Hoje mesmo estarás comigo no paraíso” (Lc 23:43).
• Não basta ao desonesto parar de furtar. Paulo dá mais duas ordens: trabalhar para o sustento próprio e trabalhar para ajudar outros. Ao invés de parasita da sociedade, benfeitor!

4. Palavras Torpes – v. 29-30
• O apóstolo volta-se do uso das nossas mãos, para o uso da nossa boca. A palavra torpe é “sapros”, palavra que se emprega para árvores podres e frutos podres. Palavra que prejudica os ouvintes. Um cristão pode ter uma boca suja (Rm 3:14). Quando o coração, a boca muda.
• Nossa comunicação precisa ser positiva: 1) Boa; 2) Edificação; 3) Necessária; 4) Transmita graça aos que ouvem. Jesus disse que há uma conexão entre o coração e a boca. A boca fala do que o coração está cheio. Também vamos dar conta no dia do juízo por todas as palavras frívolas que proferimos (Mt 12:33-37).
• Nossa língua pode ser uma fonte de vida ou um instrumento de morte (Tg 3). Podemos animar as pessoas ou destruí-las com a nossa língua (Pv 12:18).
• A fala torpe entristece o Espírito que é Santo.

5. Amargura – v. 31-32
• Paulo usa aqui seis atitudes pecaminosas nos relacionamentos: 1) Amargura – é um espírito azedo e uma conversa azeda, um espírito ressentido que se recusa a reconciliar-se; 2) Cólera – É uma fúria apaixonada; 3) Ira – Hostilidade sombria; 4) Gritaria – Pessoas que erguem a voz numa altercação, e começam a gritar e até a berrar umas contra as outras; 5) Blasfêmia – Falar mal dos outros, especialmente pelas costas, difamando e destruindo a reputação das pessoas; 6) Malícia – Desejar e tramar o mal contra as pessoas.
• Essas atitudes pecaminosas devem ser substituídas pela benignidade, compaixão e perdão. Esse é o modo de andar digno de Deus.

Rev. Hernandes Dias Lopes

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