UMA COSMOVISÃO TEOCÊNTRICA

Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!” (Rm 11.36).

            O apóstolo Paulo, paladino da fé cristã, conclui a parte doutrinária de sua mais robusta obra, a carta aos Romanos, com uma doxologia, onde resplandece sua cosmovisão teocêntrica. Destacamos quatro verdades memoráveis no texto em tela:

            Em primeiro lugar, Deus é a origem de todas as coisas. “Porque dele…”. Deus é o criador, o sustentador e o redentor da criação. Tudo procede dele. Ele é o Deus incausado e a causa de todos os efeitos. Ele é a origem de todas as coisas criadas, sejam visíveis ou invisíveis. Ele planeja, executa e consuma a nossa salvação. Tudo provém dele. Ninguém concorre com ele nem mesmo coopera com ele. Ele somente é o governador e sustentador do universo. Ele é o dono de toda riqueza. Ele é o autor da salvação.

            Em segundo lugar, Deus é o meio de todas as coisas. “… e por meio dele…”. Deus não é apenas a origem de todas as coisas, mas, também, o meio mediante o qual essas coisas acontecem. Jesus foi categórico em afirmar: “Sem mim, nada podeis fazer” (Jo 15.5). O próprio Senhor Jesus diz que ele é o fundamento, o dono, o edificador e o protetor da sua igreja (Mt 16.18). Mesmo que sejamos usados por Deus para semear e regar, só ele pode dar o crescimento à sua igreja. É o Senhor quem escolhe, chama, justifica e glorifica (Rm 8.30). As bênçãos procedem dele e vêm por intermédio dele. Ele é a fonte doadora e o veículo da dádiva. Somos abençoados por ele e nele.

            Em terceiro lugar, Deus é o fim de todas as coisas. “… e para ele são todas as coisas”. Deus é a origem, o meio e o fim de todas as coisas. Tudo é dele, existe por meio dele e existe para ele. Tudo vem dele e retorna para ele. A criação existe para revelar sua glória. O universo existe para demonstrar seu poder. A igreja existe para anunciar sua glória. O homem não é o centro do universo, Deus é. O homem não está assentado no trono do universo, Deus está. O livro da história não está nas mãos dos homens, mas nas mãos de Cristo, a Raiz de Davi, o Leão da tribo de Judá. Ele é o Cordeiro que foi morto, mas está vivo pelos séculos dos séculos e tem as chaves da morte e do inferno. Ele tem as rédeas da história em suas mãos. Ele levanta reinos e abate reinos. Ele está conduzindo a história para uma gloriosa consumação. O projeto de Deus é de fazer convergir em Cristo, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu como as da terra” (Ef 1.11).

            Em quarto lugar, Deus é o recebedor de toda a glória. “… a ele, pois, a glória eternamente. Amém!”. A glória pertence a ele e só a ele. O Senhor não divide a sua glória com ninguém. Ele tudo criou para o louvor de sua própria glória. Ele preserva todas as coisas para o louvor de sua própria glória. Ele salva o pecador para o louvor de sua própria glória. A igreja existe para adorá-lo e anunciar a sua glória entre as nações. Por isso, devemos dizer: “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá glória” (Sl 115.1). Todo o universo exalta a sua glória. As galáxias distantes, as estrelas reluzentes, as aves do céu, os animais que pululam nos campos e os peixes do mar refletem a sua glória. Cada gota de orvalho que cai para refrescar a terra exalta ao criador. Cada pétala aveludada de uma flor aponta para sua grandeza. Cada face humana, mesmo aquelas sulcadas de dor, falam da sua benignidade. Não há um centímetro deste vasto universo que não reflita a sua glória. Todo o universo proclama a sua glória e neste coro cósmico, a igreja une sua voz ao coro angelical para dizer: “A ele, pois, a glória eternamente. Amém!”.

Rev. Hernandes Dias Lopes

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